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Milorde

Uma memória na luz do passado

Milorde, 18.09.23

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Na minha mente existe um baú precioso repleto de lembranças, uma coleção de experiências que moldaram o meu caminho. Cada lembrança é como uma estrela no vasto céu da minha vida, que brilha com uma intensidade única e que conta a sua própria história.
 
Uma dessas memórias reluzentes remete a uma tarde dourada de primavera, onde o sol se deitava gentilmente sobre as colinas e pintava o mundo com tons suaves e quentes. Naquele dia, eu estava com a minha avó, uma mulher sábia e gentil que tinha o dom de transformar momentos simples em preciosidades eternas.
 
Lembro-me da sua voz suave, contando histórias de tempos idos, enquanto preparávamos uma aletria. O aroma doce e reconfortante da canela e da casca de limão misturava-se no ar, criando uma sinfonia de sensações que perdura na minha mente até hoje.
 
À medida que ela mexia o tacho, partilhava comigo histórias da sua juventude, aventuras que pareciam pinturas vivas. A suas palavras eram como um fio mágico que me transportava para aqueles tempos passados, permitindo-me vislumbrar a vida como ela a conheceu. Era como se estivesse lá, sentindo as emoções, os desafios e as alegrias que ela experimentou.
 
Naquele momento, percebi a magia das memórias, como elas conectam gerações e ensinam-nos sobre a nossa história. Elas são como faróis no meio da escuridão, guiando-nos em direção a quem somos e o que podemos ser. Cada história compartilhada, cada lembrança preservada, é uma contribuição valiosa para o tapete tecido da nossa identidade.
 
Essa memória é mais do que apenas uma lembrança de um dia especial; é um elo vital com o passado e um lembrete constante do valor das histórias e das pessoas que as compartilham. A minha avó é uma luz suave que continua a iluminar o meu caminho, que me guia através dos desafios e celebra as minhas alegrias da vida.
 
Assim, guardo esta e outras memórias com carinho, sabendo que elas são tesouros que enriquecem a minha jornada e moldam a minha visão do mundo. Como guardião desse baú de lembranças, sigo em frente, ansioso para adicionar novos capítulos e histórias à coleção que compartilharei com as futuras gerações.
 

Dia Internacional da Igualdade Salarial

Milorde, 18.09.23

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Sabiam que hoje é o Dia Internacional da Igualdade Salarial?

O Dia Internacional da Igualdade Salarial é uma data que procura chamar a atenção para a disparidade salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho. É celebrado em diferentes datas em vários países, aqui em Portugal é no dia 18 de setembro.

A disparidade salarial de género refere-se à diferença média entre os salários de homens e mulheres num determinado grupo ou população. Infelizmente, em muitas partes do mundo, as mulheres ainda recebem menos do que os homens pelo mesmo trabalho ou trabalho de igual valor.

As causas da disparidade salarial de género são complexas e multifacetadas, incluindo fatores como discriminação direta, segregação ocupacional, falta de acesso a oportunidades de carreira e promoções, diferenças na carga de trabalho não remunerada (como cuidados familiares), entre outros.

O Dia Internacional da Igualdade Salarial tem como objetivo consciencializar as pessoas sobre essa desigualdade e promover a igualdade de remuneração entre os géneros. As organizações e ativistas usam esta data para fazer campanhas, organizar eventos, discutir políticas e incentivar ações para eliminar a disparidade salarial e promover a equidade de género no local de trabalho.

Caprichos de mãe

Milorde, 11.09.23

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A minha mãe não foi trabalhar porque teve uma consulta no centro de saúde. Quando chegou a casa disse:

- Ai não quero cozinhar, hoje vamos almoçar no restaurante chinês, já há muito tempo que não lá vou.

- Mãe, eu não acho boa ideia. O restaurante chinês é um pouco caro. E a minha conta bancária está a gritar por alimento! Se ainda gastar mais tenho a certeza que um dia destes o banco vai me ligar para me aconselhar a desativar esta conta!

- Não te preocupes com isso que eu pago!!

Oh meus estimados leitores, é que ela nem precisou de dizer isso duas vezes.

Vesti a minha camisa cor de rosa (sim, um homem também veste rosa), uma calça de linho preta, calcei uns ténis básicos, coloquei aquele meu perfume que ela diz ser muito enjoativo, peguei na chave do carro e lá fomos até à cidade onde fica o tal restaurante.

Quando chegamos à cidade, e após voltas e mais voltas (onde a minha mãe ordenava para onde me devia dirigir qual polícia sinaleiro), não havia nenhum estacionamento livre perto do restaurante e, então, tive que me distanciar um pouco para arranjar um sítio onde deixar o meu carro sem arriscar apanhar uma multa que os nossos amigos não perdoam.

Chovia muito e os meus vidros estavam embaciados.

- Liga essa coisa para desembaciar os vidros! - ordenou a minha mãe. Bem tentei, mas a "coisa" aparentemente está avariada porque carreguei no botão umas 20 vezes e aquilo não ligou.

Se havia de chover era naquele momento em que nos preparávamos para sair do carro. Ainda esperamos que a chuva amainasse mas ela teimava em não passar.

- Mãe, eu acho que é melhor mudarmos de ideias e vamos antes almoçar no centro comercial.

- Não senhora! Eu quero ir ao chinês. Vamos embora! Eu não tenho medo da chuva!

Penso que nunca corri tanto na minha vida. Se estivesse a participar numa Meia Maratona naquele momento, da maneira como corria qual Rosa Mota pelas ruas do Porto, asseguro-vos que a ganharia. Cheguei ao restaurante com a camisa encharcada.

A comida estava ótima. "Valeu a pena apanhar a chuva", disse a mãe a esfregar a barriga enquanto nos dirigíamos para o carro (a chuva tinha acabado).

Chegamos a casa e, no momento em que ia sair do carro, a chuva recomeçou. Caramba, parece praga!

 

Sinto-me tão pequeno

Milorde, 08.09.23

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Faço medicação habitual por um problema de saúde mental que me foi diagnosticado em 2017 por uma psiquiatra que me deu alta hospitalar quando viu que me senti melhor, uma decisão que me deixou perplexo por ainda ter de continuar a fazer medicação. Qualquer problema teria que falar com o meu médico de família. Adeus e tudo de bom!

O tempo passou, nada se alterou na minha vida, sempre que preciso da receita da medicação habitual envio um email para o Centro de Saúde e após algumas horas a recebo no telemóvel. Porém, há uns meses atrás que me tenho sentido mais ansioso. Um estado de ansiedade que me consome durante todo o dia e que me impede de controlar o meu corpo, criando comportamentos em mim um pouco anormais (alguns deles já moderados devido à medicação mas que voltaram).

Pensei que poderia gerir as minhas emoções sozinho através de estratégias que me ajudassem a acalmar como ler um livro, fazer uma caminhada, ouvir um pouco de música relaxante, entre outras.

Não consegui. Cheguei mesmo ao ponto de não conseguir estar quieto. Quando me sento para ler um livro as minhas pernas mexem involuntariamente, não consigo me concentrar, sofro por antecipação, preocupações em excesso, inquietação, medos irracionais... O que me acalma mesmo é caminhar, falar sozinho para expressar todas estas emoções reprimidas mas, obviamente, não posso caminhar durante o dia inteiro.

Fui a uma consulta aberta, pedi ajuda. Foi-me receitado um ansiolítico, o tal Alprazolam muito conhecido por todos, até conseguir arranjar uma consulta como o meu médico de família que está ao corrente de todo o meu processo.

O ansiolítico ajudou e muito. Até o meu humor melhorou e voltei a escrever.

Tive a consulta com o meu médico de me família na quarta-feira onde durante alguns minutos falei sem parar e onde lhe pedi que me passasse um novo pedido para a psiquiatria para ser reavaliado.

- Ainda não - diz-me ele - primeiro vamos experimentar este novo medicamento e vamos fazer aqui alguns ajustes e depois vamos ver como te sentes.

Mudou totalmente a minha medicação! Não tenho confiança no meu médico de família para ajustar uma medicação prescrita por uma psiquiatra. Não é da sua competência fazê-lo, mas que poderia mais fazer senão experimentar?

Retirou-me o ansiolítico e o antidepressivo que tomava à noite para regular o sono e trocou-os por um antipsicótico! Vocês não estão a perceber.

Ontem senti-me tão mal! Fiquei extremamente cansado, fraco, apático, sem reações, sentia-me perdido, a minha ansiedade voltou em força, tenho dores musculares na cervical, ontem à noite comecei a ter ilusões, ouvir e ver coisas fora da realidade.

Parei completamente. Voltei à medicação habitual. Tenho consulta dia 20 próximo para ele ver como me sinto e desta vez tenho mesmo de exigir uma consulta psiquiátrica. Sinto-me incompreendido. Preciso de apoio profissional e não o tenho.

Sinto-me tão pequeno neste mundo desconhecido. Sempre que tento voar eu caio sem as minhas asas.

Bem vindos ao nosso Sistema Nacional de Saúde.

Meu querido mês de Agosto

Milorde, 31.08.22

Hoje despedimo-nos de Agosto, um mês de folia. Férias, festas, concertos, celebrações, noitadas, restaurantes cheios, música alta e muito álcool. Que maravilha! (ironia)

Lembro-me de ir a Espinho num desses dias em que o calor era mais abafado que um quarto sem janela, de me dirigir a um restaurante para almoçar e ver uma fila de pessoas que aguardavam por mesa. O senhor que estava na grelha não tinha mãos a medir a tantos pedidos. Com a careca toda suada e um olhar cansado disse-me: people are crazy (as pessoas estão doidas)!

Amanhã começa Setembro, o mês em que se aperta o cinto. Já começo a ver as consequências do esbanjamento. O shopping onde fui ontem, que antes estava à pinha, encontrava-se quase deserto.

"Ai porque tudo está caro, o estado não nos ajuda o suficiente, como é que vamos viver..." Esta cena toda (chamo-lhe cena porque a mim parece-me um filme) faz-me lembrar uma fábula de Jean de La Fontaine que toda a gente conhece: a cigarra e a formiga.

Existem muitas versões mas aquela que mais gosto é:

- Ai senhora formiga ajude-me que eu tenho frio!

- Mas a senhora cigarra o que fez durante o verão? Não apanhou lenha para a fogueira?

- Não minha cara, estive o verão todo a cantar.

- Ai foi, olhe agora dance para se aquecer!