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Milorde

O Milorde informa

Milorde, 25.11.22

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O coveiro aqui da vila diz que agora leva mais 50 euros para fazer um enterro devido à inflação. As pessoas tentaram convencê-lo de que o aumento era exagerado - aí uns 20 euros a mais, tudo bem, agora 50 é muito! -, que os materiais que ele utiliza são os mesmos, é mais um trabalho de mão-de-obra, etc. Porém ele está irredutível! Não quer saber do que dizem, fez o seu preço. Quem quiser contratá-lo para o serviço pois muito bem ele irá com prazer, quem achar caro e não quiser pois que arranjem um outro coveiro!

 

O Milorde e uma história de vida

Milorde, 23.11.22

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Em conversa com a minha mãe sobre o amor de uma família, ou a falta dele, depois de um bom almoço que tão bem preparou, disse-me que em toda a sua vida nunca recebeu um beijo ou um gesto de carinho da sua mãe nem do seu pai.

O meu avô materno, que eu não conheci, era um homem muito severo e violento. A minha avó uma mulher trabalhadora. Todas as manhãs bem cedo a minha mãe tinha que ir para o campo cortar erva com uma foicinha para dar de comer ao gado, mesmo nos meses de inverno em que a erva era tão gelada como a neve. Na escola levava uma reguada por cada resposta errada nas mãos estendidas sobre a secretária da professora, à noite tinha que tentar afastar o seu pai quando este, com uma faca, uma arma, um martelo, as mãos, agredia a sua mãe dizendo que ela tinha amantes e que qualquer dia a matava.

A minha mãe casou cedo e depressa saiu daquele ambiente aterrorizador mas não para melhor. Levou a primeira coça do meu pai quando ainda estava grávida de 3 meses. Desmaiou e levou com um balde de água fria para acordar. Divorciaram-se após sete anos de um casamento conturbado e a partir daí a presença do meu pai na minha vida foi muito pouca. A minha mãe criou 3 filhos sozinha com muitas dificuldades e uma educação rígida.

Hoje sempre que vejo o meu pai ele dá-me dinheiro debaixo da mesa talvez para de alguma forma pagar a sua ausência durante tantos anos. Noto na minha mãe que é uma mulher revoltada pela vida injusta que levou mas que se derrete em doçura com os netos.

Eu também em toda a minha vida nunca recebi um beijo ou um gesto de carinho da minha mãe nem do meu pai.

A Curandeira

Milorde, 21.11.22

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Era um jovem adulto quando tive um pesadelo tão medonho que me deixou com medo de dormir. Deitava-me a pensar que quando adormecesse tivesse um outro pesadelo que me fizesse acordar com o coração a bater a mil pulsações e, então, esse receio impedia-me de adormecer. Junto com esse receio o meu cérebro criou uma espécie de tormento em relação ao ato de dormir, comecei a pensar que quando dormimos é como se deixássemos de existir neste mundo, que podia mesmo não voltar a acordar, fiquei completamente apavorado com essa ideia que recusava-me mesmo a fechar os olhos.

A minha mãe quando descobriu este meu medo, obviamente que ficou bastante preocupada com o meu estado de saúde e quando o comentou com uma vizinha nossa na altura, a senhora disse:

- Não se preocupe. O seu filho precisa de ir ver uma senhora que eu conheço que tem morada aberta. Ela faz-lhe umas benzas e de certeza que depois disso ele vai dormir melhor.

Sabem que na altura a doença mental era algo do qual não se falava. Quem visitava um psiquiatra ou até mesmo um psicólogo eram os malucos e como eu não era maculo - e também porque jamais aceitaria me consultar com um médico de saúde mental devido a todo esse estereótipo - nunca passou pela cabeça da minha mãe levar-me ao médico por ter problemas em dormir.

Assim, num sábado à tarde em que o céu se pintou de cinzento, a minha mãe meteu-me uma nota de 5 euros no bolso e um saco com três cuecas minhas para benzer e fui com a minha vizinha à casa da tal senhora curandeira que levava apenas o que as pessoas podiam dar. Chegamos a uma casa com a tinta desbotada e algumas ervas daninhas enfeitavam um jardim que não tinha mais de 6 metros quadrados. Subimos as escadas e fiquei à espera num Hall com azulejos pretos e brancos numa ilusão de ótica enquanto a minha vizinha falava com a senhora sobre o meu problema.

Até então a senhora comia a sua sopa com os olhos postos numa tigela fumegante e, de repente, ergueu o seu olhar na minha direção e observou-me de alto a baixo. Senti-me totalmente exposto.

- Ele que se sente ali - ordenou apontando um dedo ossudo na direção de uma cadeira de madeira encostada a um canto.

Sentei-me e esperei que ela acabasse de comer a sua sopa. De seguida a senhora levantou-se, pegou numa pequena cruz de madeira que estava pousada numa mesinha cheia de santas de barro e velas ardidas - uma espécie de altar -, e dirigiu-se a mim. De pé à minha frente e com um uma mão nas costas da cadeira onde estava sentado, com os olhos fechados e com uma voz embargada, começou por dizer:

- Palhas, alhos e alecrim. Que tudo seja assim.

Enquanto dizia a suas rezas balançava a pequena cruz para trás e para a frente numa espécie de transe. Fez o mesmo a cada cueca minha e ordenou-me que vestisse uma por dia depois de lavar bem a minha zona genital apenas com água morna e sabão rosa.

Disse à minha vizinha que eu tinha muito ar que ela eficientemente talhou, como se eu não estivesse ali para ouvir. Estendi-lhe a nota de 5 euros que a minha mãe me tinha dado para o pagamento do serviço que ela recusou dizendo que não podia tocar em dinheiro depois de ter feito tais rezas contra uma força malévola maior. Disse-me para pousar o dinheiro numa caixinha ao pé do altar improvisado dela. Saímos enquanto a senhora fechava uma porta de rua perra com força para ir à missa.

Fiz tudo direitinho como ela mandou nos dias seguintes. Os pesadelos não desapareceram. Acompanham-me ainda hoje.

 

Sobre o caso Miguel Alves...

Milorde, 15.11.22

... e sobre esta notícia do JN que diz:

«Há mais uma polémica que envolve Miguel Alves e, agora também, António Costa. Enquanto presidente da Câmara de Lisboa, em 2010, o atual primeiro-ministro ter-lhe-á pago mais de 80 mil euros em três ajustes diretos para serviços de consultadoria naquela autarquia, segundo noticiou a TVI/CNN. Os contratos terão sido realizados no mesmo dia, num montante total que obrigaria a lançar um concurso público, se não fosse dividido.»

 

Deram a maioria absoluta ao PS em janeiro, não deram?

 

O Milorde fala um pouco mais de si

Milorde, 14.11.22

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Quando era mais novo todos diziam que era um fidalgo por ser um menino franzino, frágil e cheio de manias.

Na verdade sempre fui um nobre apenas de nome e atitude. Cresci numa casa pobre, fria e decrépita em que não tínhamos água quente para tomar banho, bebíamos água do poço e vestíamos a roupa uns dos outros conforme servisse e só no Natal e na Páscoa é que tínhamos direito a roupa nova. Depois dessas festividades a roupa era guardada protegida por um plástico e só seria usada ao domingo para ir à missa ou numa visita à casa da minha avó. As minhas calças eram remendadas, as meias cosidas à mão.

Tínhamos uma panela grande onde era aquecida a água e a despejávamos numa bacia. Lavava primeiro o cabelo de joelhos no chão e agachado e só depois entrava dentro da bacia como podia para lavar o resto.

Muitas noites fui para a cama apenas com uma tigela de leite morno no estômago ou um parto de sopa de legumes porque a vida não era fácil e não havia carne nem peixe para comer todos os dias. No dia da matança dos frangos que a minha mãe criava nos currais havia sempre comida fresca ao jantar acompanhada de um arroz de feijão caseiro tão delicioso que jamais provei igual.

Nas noites de Inverno, em que o vento era tão forte que entrava pelas frestas das janelas mal isoladas, debaixo de sete cobertores para me aquecer, imaginava como seria a minha vida daqui a alguns anos. Adormecia embalado pela imaginação e com a certeza de que quando fosse grande haveria de conquistar muita coisa.

Hoje tenho tanta roupa que muita nem uso, basta rodar a torneira para a esquerda para a água sair quente, não me falta comida na mesa, tenho um edredão quentinho numa cama grande e tomo comprimidos para dormir.

Já conquistei muita coisa e ainda falta muitas outras que quero conquistar.

A greve dos miúdos

Milorde, 10.11.22

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"Mais de 50 alunos estão esta quinta-feira a bloquear todas as entradas da escola artística António Arroio, em Lisboa" - diz o site da SIC Notícias. "Os ativistas exigem o fim dos combustíveis fósseis e a demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, por já ter sido CEO de uma petrolífera". Reparem na palavra exigem.

Estava a almoçar com a minha mãe quando vi a reportagem na televisão e sinceramente aquilo pareceu-me mais uma festa de jovens que não querem ir para a escola do que uma manifestação séria. Os jovens ocupam uma instituição de ensino, não sei bem porquê, impedem a entrada de todo o pessoal, passam lá o dia entre gritos, música, danças e stories no Instagram, fazem as suas refeições e até dormem lá dentro em sacos-cama e colchões de ginástica. Querem lá vocês uma coisa mais divertida do que aquilo! Qual Sunset qual quê, o que está a bombar agora são as manifestações dentro da escola.

E agora eu pergunto: onde estão os pais deste bando de miúdos?! Eu não sou pai mas se o fosse certamente que não deixaria um filho meu fazer tal coisa, mas isto sou eu que tive uma educação talvez do século passado, penso que já esteja ultrapassado. No meu tempo se eu exigisse alguma coisa levava uma chapada que nunca mais me atreveria a fazê-lo. Eles exigem a demissão de um Ministro... mas está tudo bem ou quê!!

É preciso que estes jovens e toda a população em geral percebam que os produtores de petróleo e gás têm consciência do problema das energias fósseis e investem em energias renováveis mas esta mudança requer tempo senão vamos à destruição da economia mundial.

Resumindo, sou da opinião que toda a gente tem direito a manifestar-se quando assim o entender e com razões que o justifiquem, mas sejamos mais sérios e não ultrapassemos limites. A minha liberdade acaba quando eu invado o espaço do outro.

E agora, que comece o debate, que o circo vai pegar fogo!

O Milorde cinematográfico

Milorde, 09.11.22

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A 5ª temporada da série The Crown já está disponível na Netflix e eu não poderia estar mais contente pelo seu tão aguardado regresso!

Comecei a revê-la há umas semanas atrás porque já não me lembrava muito bem de tudo e não deixo de dizer que para mim, esta série que retrata a vida da rainha Elizabeth II, é a melhor de todas. É aquela série que me deixa colado ao ecrã porque tudo é tão bonito, a história tão bem contada (e que história!), os figurinos, os atores, as paisagens... é magnífico! Falo mesmo dela com paixão.

Agora a espera acabou e as portas do Palácio de Buckingham voltam a abrir para o grande público e eu estarei na primeira fila do meu quarto.

O Milorde apressado

Milorde, 04.11.22

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Era uma manhã em que o céu se pintou de um cinzento escuro de onde caía uma chuva fina que nos lambia de cima abaixo. Saí de casa já atrasado para a minha consulta no hospital que estava marcada para as 11:30 e, a não ser que eu tivesse um jato particular, nunca conseguiria chegar lá a tempo. Há uma coisa sobre mim que vocês ainda não sabem: eu chego sempre atrasado! Não há hipótese. Eu bem tento programar as coisas com tempo, organizar tudo antes, contar todos os minutos, etc., mas mesmo assim há sempre alguma coisa que me atrasa.

Cheguei ao hospital depois de uma condução desenfreada e com o vidro do carro todo embaciado que quase não conseguia ver a estrada. Obviamente não havia um único lugar livre no estacionamento - às vezes até penso que existem pessoas que deixam lá os carros toda a noite ou então chegam às 5 da manhã só para poderem estacionar e complicar a vida aos outros - então tive que estacionar a cerca de 1 km de distância. Tenho sempre um guarda-chuva de reserva na mala do carro mas nesse dia, o dia em que mais precisei dele depois de tantos meses sem chover uma gota neste país, o guarda-chuva tinha desaparecido!

- Este dia tem tudo para correr bem! - disse eu em voz alta.

Corri pelas pedras da calçada dispostas geometricamente no passeio, tal como o meu caro João faz nas maratonas, para ver se não me molhava tanto e quando cheguei ao edifício, ofegante e com o cabelo colado à testa, a fila para o atendimento chegava à porta.

Fantástico. Não tive opção senão aguardar pela minha vez. De repente apareceu uma senhora que dizia querer apenas fazer uma pergunta. As pessoas, na sua boa vontade, deixaram-na passar e quando ela se dirigiu à receção já com o cartão de cidadão na mão para dar entrada no sistema dos seus dados, as pessoas começaram a reclamar. Foi como se ela tivesse colocado um fósforo numa moreia de palha!

- Ó minha senhora, era só uma pergunta!

- Tem que aguardar a sua vez na fila!

A mulher que estava na receção com cara de poucos amigos atrás de um vidro cheio de perdigotos lá lhe disse que tinha que, devido às reclamações, tinha que esperar pela sua vez. A senhora, a reclamar sobre a falta de respeito das pessoas como se ela própria não tivesse faltado ao respeito aos demais, foi para o fim da fila e uma outra, que também dizia querer fazer uma pergunta - pessoas curiosas! - seguiu-lhe o exemplo.

Finalmente chegou a minha vez. Disse à rececionista que estava um pouco atrasado com um sorriso envergonhado que mereceu, nada mais nada menos, um revirar de olhos de uma funcionária já cansada de um dia de trabalho que mal tinha começado. Tinha uns auscultadores com um microfone para onde confirmou o meu nome e o meu número de telefone assim em alto e bom som para o caso de alguém naquela fila interminável me quiser contactar para o que for. Querem privacidade? Não vão ao hospital público.

Quando cheguei a casa tinha uma dor de cabeça descomunal. Coloquei duas aspirinas num copo com água e enquanto as via a desfazerem-se numa espuma branca com bolhinhas pensava em como o tempo passa depressa e nem o sentimos.

O Milorde informático

Milorde, 03.11.22

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O Milorde admite que pouco ou nada sabe de informática.

Estes aparelhos que utilizamos quase todos os dias seja para o que for - no meu caso para escrever estas linhas que hoje vos deixo - e que estão prontos a serem utilizados mal os retiramos da caixa possuem uma complexidade de componentes, letras e números que uma pessoa dita normal nem sabe de sua existência e quando tenta explorar o assunto como quem não quer a coisa, o cérebro começa a dar um alerta que é melhor fugir dali enquanto é tempo.

Pois que Milorde decidiu inscrever-se numa formação para aprender todo este mundo magnífico da informática, pensando que iria se dar bem e quiçá trabalhar numa empresa como Técnico de Informática - um nome já de si deveras importante - com um bom salário que pudesse pagar todos os seus caprichos, sentado numa cadeira confortável em frente de um ecrã apenas a dar um cliques aqui e acolá... só que não!

Após umas aulas em que Milorde basicamente esteve no meio de jovens todos apetrechados de conhecimentos e gadgets, que percebem mais disto do que eu alguma vez percebi da burguesia, a aprender sobre Algoritmos e lógicas matemáticas para a programação das máquinas que têm à vossa frente, sentiu-se tão perdido como Alice no país das maravilhas sem direito a um coelho falante que lhe pudesse dar indicações e, então, percebeu que afinal o caminho que lhe está destinado não é por aqui.

Milorde não gosta de desistir de um desafio mas este, meus caros, é um passo maior do que a perna e não vejo outra opção senão virar costas, acelerar o passo e procurar um outro caminho menos tumultuoso.

Porque é que eu não posso ganhar a vida simplesmente a dar o ar da minha graça?

O Milorde conta um conto e acrescenta um ponto

Milorde, 24.10.22

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O Maurício é um colega brasileiro que está em Portugal há 3 anos. Quando chegou cá a primeira coisa que fez, depois de ter tratado de toda a burocracia necessária para ficar, foi procurar um imóvel para comprar com as economias que conseguiu juntar. Através de uma busca pela internet encontrou uma casa que lhe pareceu perfeita para ele e para a sua família habitarem num site de uma agência imobiliária muito conhecida que não vou dizer o nome (apenas digo que começa com R e acaba em X).

Ligou para a agência a manifestar o interesse na habitação e recebeu a seguinte resposta do outro lado da linha: "Os bancos portugueses estão a emprestar dinheiro para os brasileiros?". Assim de rompante. O Maurício desligou o telefone na cara do interlocutor e no dia seguinte dirigiu-se à agência imobiliária pessoalmente para perguntar ao senhor se era assim que ele falava com um cliente. "Ah sabe nós estamos a fazer o nosso trabalho... peço desculpa mas realmente a situação não está fácil...". O Maurício respondeu que tinha dinheiro para pagar aquele imóvel mas pelo atendimento que lhe foi prestado já não o queria mais.

Isto levanta várias questões que se fosse a enumerá-las tínhamos aqui texto para ler durante dias a fio. O que eu queria mesmo realçar contando esta história é o mau atendimento ao público que verificamos cada vez mais no nosso dia a dia. Longe vai o tempo em que para trabalhar no atendimento ao público o requisito mínimo seria ser simpático para o cliente.

O mesmo acontece numa loja de eletrodomésticos - muito conhecida também - em que ninguém está disponível! Quase que temos que andar atrás deles para pedir uma informação, um aconselhamento. Já me aconteceu estar dentro de uma Worten Mobile durante um bom período de tempo em que estavam 4 pessoas atrás do balcão e ninguém se dignou a aproximar-se de mim perguntando se precisava de ajuda.

Nas lojas de roupa somos atendidos por miúdas carregadas de maquilhagem que nos dizem apenas "bom dia, obrigado, o próximo" sem mesmo nos olhar e por cima de uma música ensurdecedora que quase nem as ouvimos. Nos supermercados nem vou falar! Deseja fatura com número de contribuinte?

Na minha opinião todas estas pessoas deveriam ser submetidas a uma formação básica sobre um atendimento ao público. Já trabalhei na mesma área por diversas vezes e em momento algum, e por qualquer razão que seja, deixei de ser simpático e prestável para um cliente, nem faz parte da minha educação não sê-lo.

Sejamos mais gentis e deixemos de tratar as pessoas como números mas sim como humanos.