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Milorde

A Carolina

Milorde, 29.10.19

Meu querido povo da blogosfera.

Não tenho escrito muito pois como sabeis ando bastante atarefado em preparativos. Já me empanturrei de rissóis, croquetes, coxinhas, pataniscas, panados, moelas, camarões, etc. E ainda só vou nos aperitivos! Tenho que provar tudo o que a Maria faz para dar o meu aval. A minha despensa nunca esteve tão cheia de comida, toda a gente daqui da aldeia quer contribuir com alguma coisa para a receção da Condessa, até os tomates biológicos da D. Aurora vieram cá parar. Pobre povo, não se passa nada nesta aldeia e qualquer acontecimento deixa-os num estado eufórico! Claro que não me importo com isso, nem um pouco, mas o meu estômago já começa a reclamar e ontem estive com uma diarreia que quase me limpou as tripas!

O Misha está a ficar tão gordo que mal se arrasta. A Maria quase que cozinha de manhã à noite para as coisas também não se estragarem, e quando as nossas barrigas estão mais inchadas que os balões do S. João, damos tudo ao pobre gato que nunca diz que não.

Entretanto já conheci a Carolina, a namorada do Sebastião. Trouxe-a cá a casa numa tarde chuvosa para nos apresentar. Uma menina baixa, cheiinha e muito tímida. Estava com o cabelo oleoso por causa da chuva e tinha uma franja que me fazia lembrar a cadela da Sr.ª Albertina de cada vez que ela lhe cortava o pelo. Quando lhe disse que aquele corte de cabelo não lhe favorecia, o Sebastião ficou tão furioso que quase me deu um pontapé nas virilhas se eu não fugisse a tempo. Ela riu-se e olhou o namorado com uma expressão de orgulho por ele a ter defendido. Ora essa, agora a formiga já tem catarro, querem ver?!

- Mãe, a Carolina pode ir ver o meu quarto? - perguntou.

Arregalei os olhos, surpreendido com a pergunta.

- Claro... que não! - disse a Maria. Suspirei de alívio. Conhecendo o Sebastião como já o conheço, eu sabia qual era a sua ideia de "mostrar o quarto". De certeza que ele ia querer mostrar-lhe aqueles vídeos que ele vê vezes sem conta.

- Oh mãe, que seca!

- Está calado! Vocês os dois ainda são muito novos para andar a brincar aos adultos - disse a Maria, e virando para a menina: - Carolina querida, não sei se a tua mãe já te explicou alguma coisa sobre a vida sexual mas, se ainda não, eu posso perfeitamente fazê-lo. Não é correto uma menina entrar assim num quarto de um menino, sabemos bem que a carne é fraca, mas tu tens de resistir porque é muito bonito quando uma mulher chega ao casamento virgem, vestida de branco, com um ramo de flores de laranjeira.

Eu não acredito que aquilo estava a acontecer ali na minha sala. A miúda ficou tão vermelha que ficou a olhar para o chão sem nada dizer.

- Eu casei virgem! - continuou ela - nunca antes vi o meu homem nu.

- Oh mãe, por favor, para com isso!

- Cala-te Sebastião Manuel. Não é verdade o que eu digo, Milord? Viu a sua mulher nua antes do casamento? É verdade... o senhor alguma vez foi casado, Milord? Engraçado, nunca tinha pensado nisso.

Engasguei-me com um pedaço de cebola de uma patanisca. Comecei a tossir até as lágrimas me brotarem dos olhos. A Maria foi a correr buscar-me um copo de água e, depois de o beber e me acalmar, dei a conversa por terminada e mandei-a para a cozinha preparar o jantar.

A Carolina ficou mais um pouco sentada no sofá a fazer festas ao Misha com o Sebastião ao lado. Diria que ele está mesmo apaixonado pela maneira como a olha. Quando começou a escurecer, ela disse que tinha que ir embora. Despediu-se de mim dizendo-me que foi um gosto conhecer-me e que tinha uma linda mansão. A rapariga é educada. Dirigiu-se para a cozinha para se despedir também da Maria.

Ai! A chegada da Condessa está para breve. Nem vos conto o meu estado de ansiedade.