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Milorde

Para sempre

Milorde, 25.10.21

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A minha avó partiu na passada quarta-feira e deixou um vazio enorme que me bloqueou os pensamentos e a criatividade. Gostava tanto de ter escrito um texto bonito para lhe ler, mas simplesmente as palavras não me saíam, somente as lágrimas rolavam pelo meu rosto, ofuscando-me a visão. Só hoje tive a coragem de me sentar em frente ao computador para tentar escrever algo que fique guardado para sempre.

A minha avó foi uma lutadora, uma mãe exemplar e a melhor avó do mundo inteiro, cumpriu a sua missão aqui na terra e agora ela pode descansar em paz. Nunca a vou esquecer, e também nunca vou esquecer a aletria que só ela sabia fazer tão bem! Sempre que fecho os olhos vejo-a ali deitada, estava linda! No momento da despedida, talvez o momento mais difícil da minha vida, agradeci-lhe por tudo o que ela fez por mim, todo o carinho, a atenção...

Será para sempre eterna na minha memória e no meu coração.

 

Em memória da minha tia

Milorde, 10.10.21

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- Tia, quando crescer quero ser professor como a senhora.

A minha Tia foi professora primária durante toda a sua vida. Houve quem dissesse que era severa, autoritária, mas para mim sempre foi um doce de pessoa. Ela gostava de mim. Disse à minha mãe que me pagava os estudos se eu quisesse mesmo ser professor. Os caminhos traçados da minha vida não me levaram por aí e ainda hoje lamento que tal não tenha acontecido.

Quase todos os domingos ia visita-la, não só para estar com ela, mas porque ela tinha sempre sumo e bolachas com pepitas de chocolate na sua despensa que me dava para lanchar. Posso comprar muitos pacotes dessas bolachas, mas nenhum deles vai ter o mesmo sabor. Aliás, se as comprar hoje, dificilmente conseguirei engoli-las.

Uma terrível doença acamou-a e fez com que se esquecesse da maioria das pessoas, mas quando fui visita-la ela lembrou-se de mim, e na sua voz característica disse-me: anda cá dar-me um beijo. Foi a última vez que a beijei.

A minha Tia partiu esta madrugada. Já lhe agradeci mentalmente um milhão de vezes por tudo aquilo que fez por mim e pela minha família. Quero acreditar que algures, num outro plano talvez, ela esteja mais feliz e que possa continuar a ajudar outras pessoas.

É com as mãos a tremer que acabo este texto, não de humor, mas sim de um profundo pesar. E espero que ela sinta orgulho de mim que, apesar de não ser professor, consigo escrever um texto em memória dela tão bonito que seja capaz de a fazer sorrir.