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Milorde

A Curandeira

Milorde, 21.11.22

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Era um jovem adulto quando tive um pesadelo tão medonho que me deixou com medo de dormir. Deitava-me a pensar que quando adormecesse tivesse um outro pesadelo que me fizesse acordar com o coração a bater a mil pulsações e, então, esse receio impedia-me de adormecer. Junto com esse receio o meu cérebro criou uma espécie de tormento em relação ao ato de dormir, comecei a pensar que quando dormimos é como se deixássemos de existir neste mundo, que podia mesmo não voltar a acordar, fiquei completamente apavorado com essa ideia que recusava-me mesmo a fechar os olhos.

A minha mãe quando descobriu este meu medo, obviamente que ficou bastante preocupada com o meu estado de saúde e quando o comentou com uma vizinha nossa na altura, a senhora disse:

- Não se preocupe. O seu filho precisa de ir ver uma senhora que eu conheço que tem morada aberta. Ela faz-lhe umas benzas e de certeza que depois disso ele vai dormir melhor.

Sabem que na altura a doença mental era algo do qual não se falava. Quem visitava um psiquiatra ou até mesmo um psicólogo eram os malucos e como eu não era maculo - e também porque jamais aceitaria me consultar com um médico de saúde mental devido a todo esse estereótipo - nunca passou pela cabeça da minha mãe levar-me ao médico por ter problemas em dormir.

Assim, num sábado à tarde em que o céu se pintou de cinzento, a minha mãe meteu-me uma nota de 5 euros no bolso e um saco com três cuecas minhas para benzer e fui com a minha vizinha à casa da tal senhora curandeira que levava apenas o que as pessoas podiam dar. Chegamos a uma casa com a tinta desbotada e algumas ervas daninhas enfeitavam um jardim que não tinha mais de 6 metros quadrados. Subimos as escadas e fiquei à espera num Hall com azulejos pretos e brancos numa ilusão de ótica enquanto a minha vizinha falava com a senhora sobre o meu problema.

Até então a senhora comia a sua sopa com os olhos postos numa tigela fumegante e, de repente, ergueu o seu olhar na minha direção e observou-me de alto a baixo. Senti-me totalmente exposto.

- Ele que se sente ali - ordenou apontando um dedo ossudo na direção de uma cadeira de madeira encostada a um canto.

Sentei-me e esperei que ela acabasse de comer a sua sopa. De seguida a senhora levantou-se, pegou numa pequena cruz de madeira que estava pousada numa mesinha cheia de santas de barro e velas ardidas - uma espécie de altar -, e dirigiu-se a mim. De pé à minha frente e com um uma mão nas costas da cadeira onde estava sentado, com os olhos fechados e com uma voz embargada, começou por dizer:

- Palhas, alhos e alecrim. Que tudo seja assim.

Enquanto dizia a suas rezas balançava a pequena cruz para trás e para a frente numa espécie de transe. Fez o mesmo a cada cueca minha e ordenou-me que vestisse uma por dia depois de lavar bem a minha zona genital apenas com água morna e sabão rosa.

Disse à minha vizinha que eu tinha muito ar que ela eficientemente talhou, como se eu não estivesse ali para ouvir. Estendi-lhe a nota de 5 euros que a minha mãe me tinha dado para o pagamento do serviço que ela recusou dizendo que não podia tocar em dinheiro depois de ter feito tais rezas contra uma força malévola maior. Disse-me para pousar o dinheiro numa caixinha ao pé do altar improvisado dela. Saímos enquanto a senhora fechava uma porta de rua perra com força para ir à missa.

Fiz tudo direitinho como ela mandou nos dias seguintes. Os pesadelos não desapareceram. Acompanham-me ainda hoje.

 

O Milorde escandalizado

Milorde, 17.11.22

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Há mais um escândalo que ocorreu nesta vila pacata recentemente e que vou partilhar, ou não fossem vocês leitores ávidos por mexericos, principalmente daqueles bem intrigantes. Sabem bem que Milorde não perde uma oportunidade para vos pôr a par de todos os acontecimentos desta vila.

Acontece que uma professora, aqui há cerca de quatro anos atrás, decidiu abrir um centro de explicações aqui na vila não só para as crianças que tinham dificuldade em aprender mas também para aqueles pais que não têm onde deixar os filhos. Segundo alguns pais - e segundo o relato das próprias crianças -, a docente limitava-se apenas a fazer os trabalhos de casa, dando literalmente as respostas aos exercícios, e depois a meio da tarde faziam um lanche comum, onde as crianças juntavam o lanche que traziam de casa e cada um comia o que quiser, inclusive a professora que não trazia o seu próprio lanche e comias as bolachas quase todas, a gulosa!

Mas esperem, que a história não acaba aqui.

Com a inflação, esta maldita palavra que tem povoado a nossa vida desde o início da guerra, a renda do seu espaço aumentou. A professora não teve outro remédio senão aceitar. Deu a entender aos pais que provavelmente iria tentar arranjar um outro espaço mais barato mas que não se preocupassem, ela iria continuar a fazer tudo igual.

Os pais foram pagando a mensalidade sempre antecipadamente, até ao dia 8 de cada mês, incluindo o corrente mês de novembro. Depois desse pagamento, a professora mandou mensagens aos pais a dizer que não levassem os filhos no dia seguinte pois ela estaria ocupada em arranjar um outro espaço para as suas explicações. Nisto o tempo foi passando, e ela quando contactada dizia dava sempre a desculpa da lentidão das burocracias. Segunda-feira passada os pais encontraram o espaço completamente vazio! A professora tinha retirado tudo do espaço sem dar conhecimento a ninguém e ao contacta-la os pais dão de caras com o voice-mail da própria. A professora simplesmente desapareceu com o dinheiro das mensalidades do mês do novembro.

Os pais estão todo revoltados. Anda aqui uma espécie de caça à professora que está em parte incerta. Ninguém sabe de nada.

 

Sobre o caso Miguel Alves...

Milorde, 15.11.22

... e sobre esta notícia do JN que diz:

«Há mais uma polémica que envolve Miguel Alves e, agora também, António Costa. Enquanto presidente da Câmara de Lisboa, em 2010, o atual primeiro-ministro ter-lhe-á pago mais de 80 mil euros em três ajustes diretos para serviços de consultadoria naquela autarquia, segundo noticiou a TVI/CNN. Os contratos terão sido realizados no mesmo dia, num montante total que obrigaria a lançar um concurso público, se não fosse dividido.»

 

Deram a maioria absoluta ao PS em janeiro, não deram?

 

A greve dos miúdos

Milorde, 10.11.22

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"Mais de 50 alunos estão esta quinta-feira a bloquear todas as entradas da escola artística António Arroio, em Lisboa" - diz o site da SIC Notícias. "Os ativistas exigem o fim dos combustíveis fósseis e a demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, por já ter sido CEO de uma petrolífera". Reparem na palavra exigem.

Estava a almoçar com a minha mãe quando vi a reportagem na televisão e sinceramente aquilo pareceu-me mais uma festa de jovens que não querem ir para a escola do que uma manifestação séria. Os jovens ocupam uma instituição de ensino, não sei bem porquê, impedem a entrada de todo o pessoal, passam lá o dia entre gritos, música, danças e stories no Instagram, fazem as suas refeições e até dormem lá dentro em sacos-cama e colchões de ginástica. Querem lá vocês uma coisa mais divertida do que aquilo! Qual Sunset qual quê, o que está a bombar agora são as manifestações dentro da escola.

E agora eu pergunto: onde estão os pais deste bando de miúdos?! Eu não sou pai mas se o fosse certamente que não deixaria um filho meu fazer tal coisa, mas isto sou eu que tive uma educação talvez do século passado, penso que já esteja ultrapassado. No meu tempo se eu exigisse alguma coisa levava uma chapada que nunca mais me atreveria a fazê-lo. Eles exigem a demissão de um Ministro... mas está tudo bem ou quê!!

É preciso que estes jovens e toda a população em geral percebam que os produtores de petróleo e gás têm consciência do problema das energias fósseis e investem em energias renováveis mas esta mudança requer tempo senão vamos à destruição da economia mundial.

Resumindo, sou da opinião que toda a gente tem direito a manifestar-se quando assim o entender e com razões que o justifiquem, mas sejamos mais sérios e não ultrapassemos limites. A minha liberdade acaba quando eu invado o espaço do outro.

E agora, que comece o debate, que o circo vai pegar fogo!

O Milorde cinematográfico

Milorde, 09.11.22

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A 5ª temporada da série The Crown já está disponível na Netflix e eu não poderia estar mais contente pelo seu tão aguardado regresso!

Comecei a revê-la há umas semanas atrás porque já não me lembrava muito bem de tudo e não deixo de dizer que para mim, esta série que retrata a vida da rainha Elizabeth II, é a melhor de todas. É aquela série que me deixa colado ao ecrã porque tudo é tão bonito, a história tão bem contada (e que história!), os figurinos, os atores, as paisagens... é magnífico! Falo mesmo dela com paixão.

Agora a espera acabou e as portas do Palácio de Buckingham voltam a abrir para o grande público e eu estarei na primeira fila do meu quarto.

O Milorde apressado

Milorde, 04.11.22

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Era uma manhã em que o céu se pintou de um cinzento escuro de onde caía uma chuva fina que nos lambia de cima abaixo. Saí de casa já atrasado para a minha consulta no hospital que estava marcada para as 11:30 e, a não ser que eu tivesse um jato particular, nunca conseguiria chegar lá a tempo. Há uma coisa sobre mim que vocês ainda não sabem: eu chego sempre atrasado! Não há hipótese. Eu bem tento programar as coisas com tempo, organizar tudo antes, contar todos os minutos, etc., mas mesmo assim há sempre alguma coisa que me atrasa.

Cheguei ao hospital depois de uma condução desenfreada e com o vidro do carro todo embaciado que quase não conseguia ver a estrada. Obviamente não havia um único lugar livre no estacionamento - às vezes até penso que existem pessoas que deixam lá os carros toda a noite ou então chegam às 5 da manhã só para poderem estacionar e complicar a vida aos outros - então tive que estacionar a cerca de 1 km de distância. Tenho sempre um guarda-chuva de reserva na mala do carro mas nesse dia, o dia em que mais precisei dele depois de tantos meses sem chover uma gota neste país, o guarda-chuva tinha desaparecido!

- Este dia tem tudo para correr bem! - disse eu em voz alta.

Corri pelas pedras da calçada dispostas geometricamente no passeio, tal como o meu caro João faz nas maratonas, para ver se não me molhava tanto e quando cheguei ao edifício, ofegante e com o cabelo colado à testa, a fila para o atendimento chegava à porta.

Fantástico. Não tive opção senão aguardar pela minha vez. De repente apareceu uma senhora que dizia querer apenas fazer uma pergunta. As pessoas, na sua boa vontade, deixaram-na passar e quando ela se dirigiu à receção já com o cartão de cidadão na mão para dar entrada no sistema dos seus dados, as pessoas começaram a reclamar. Foi como se ela tivesse colocado um fósforo numa moreia de palha!

- Ó minha senhora, era só uma pergunta!

- Tem que aguardar a sua vez na fila!

A mulher que estava na receção com cara de poucos amigos atrás de um vidro cheio de perdigotos lá lhe disse que tinha que, devido às reclamações, tinha que esperar pela sua vez. A senhora, a reclamar sobre a falta de respeito das pessoas como se ela própria não tivesse faltado ao respeito aos demais, foi para o fim da fila e uma outra, que também dizia querer fazer uma pergunta - pessoas curiosas! - seguiu-lhe o exemplo.

Finalmente chegou a minha vez. Disse à rececionista que estava um pouco atrasado com um sorriso envergonhado que mereceu, nada mais nada menos, um revirar de olhos de uma funcionária já cansada de um dia de trabalho que mal tinha começado. Tinha uns auscultadores com um microfone para onde confirmou o meu nome e o meu número de telefone assim em alto e bom som para o caso de alguém naquela fila interminável me quiser contactar para o que for. Querem privacidade? Não vão ao hospital público.

Quando cheguei a casa tinha uma dor de cabeça descomunal. Coloquei duas aspirinas num copo com água e enquanto as via a desfazerem-se numa espuma branca com bolhinhas pensava em como o tempo passa depressa e nem o sentimos.

O Milorde conta um conto e acrescenta um ponto

Milorde, 24.10.22

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O Maurício é um colega brasileiro que está em Portugal há 3 anos. Quando chegou cá a primeira coisa que fez, depois de ter tratado de toda a burocracia necessária para ficar, foi procurar um imóvel para comprar com as economias que conseguiu juntar. Através de uma busca pela internet encontrou uma casa que lhe pareceu perfeita para ele e para a sua família habitarem num site de uma agência imobiliária muito conhecida que não vou dizer o nome (apenas digo que começa com R e acaba em X).

Ligou para a agência a manifestar o interesse na habitação e recebeu a seguinte resposta do outro lado da linha: "Os bancos portugueses estão a emprestar dinheiro para os brasileiros?". Assim de rompante. O Maurício desligou o telefone na cara do interlocutor e no dia seguinte dirigiu-se à agência imobiliária pessoalmente para perguntar ao senhor se era assim que ele falava com um cliente. "Ah sabe nós estamos a fazer o nosso trabalho... peço desculpa mas realmente a situação não está fácil...". O Maurício respondeu que tinha dinheiro para pagar aquele imóvel mas pelo atendimento que lhe foi prestado já não o queria mais.

Isto levanta várias questões que se fosse a enumerá-las tínhamos aqui texto para ler durante dias a fio. O que eu queria mesmo realçar contando esta história é o mau atendimento ao público que verificamos cada vez mais no nosso dia a dia. Longe vai o tempo em que para trabalhar no atendimento ao público o requisito mínimo seria ser simpático para o cliente.

O mesmo acontece numa loja de eletrodomésticos - muito conhecida também - em que ninguém está disponível! Quase que temos que andar atrás deles para pedir uma informação, um aconselhamento. Já me aconteceu estar dentro de uma Worten Mobile durante um bom período de tempo em que estavam 4 pessoas atrás do balcão e ninguém se dignou a aproximar-se de mim perguntando se precisava de ajuda.

Nas lojas de roupa somos atendidos por miúdas carregadas de maquilhagem que nos dizem apenas "bom dia, obrigado, o próximo" sem mesmo nos olhar e por cima de uma música ensurdecedora que quase nem as ouvimos. Nos supermercados nem vou falar! Deseja fatura com número de contribuinte?

Na minha opinião todas estas pessoas deveriam ser submetidas a uma formação básica sobre um atendimento ao público. Já trabalhei na mesma área por diversas vezes e em momento algum, e por qualquer razão que seja, deixei de ser simpático e prestável para um cliente, nem faz parte da minha educação não sê-lo.

Sejamos mais gentis e deixemos de tratar as pessoas como números mas sim como humanos.

A semeadora de intrigas

Milorde, 18.10.22

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A mulher tem cabelo preto ondulado que amarra num rabo de cavalo quando está a trabalhar. Usa um rímel excessivamente carregado que adorna o seu olhar de serpente numa pele baça e mal nutrida. Veste-se de uma forma provocadora com calças justas e camisolas decotadas para atrair mais clientes para o seu negócio sem muito sucesso. É oportunista, não perde uma oportunidade para seu benefício mesmo que para isso tenha que invadir o espaço do outro, faz os preços que lhe convém. Diz muitas vezes a tão conhecida expressão que "Deus não dorme" quando algo não corre como ela previu, como se a sua desgraça seja culpa de alguém.

A mulher cheia de brio na cara não se preocupa em limpar o seu próprio espaço, o mesmo que partilha com os seus clientes, que chegou ao ponto de os mesmos verem ratos a passearem perto das chávenas de café. Prefere passar o seu tempo cada vez mais livre a contar histórias sobre as pessoas da aldeia.

Por isso optei por lhe chamar a semeadora de intrigas porque sempre que falo com ela a conversa gira em torno de "fulano tal falou mal deste e daquele", "tem cuidado com o que podem dizer sobre ti", "o Cristiano Ronaldo separou-se da mulher porque já não havia cumplicidade"... é um poço de conhecimento sobre a vida alheia. Os clientes ao saberem que a mulher de cabelos pretos ondulados falou algo sobre a vida privada deles, não voltam mais e dizem aos amigos para deixarem de frequentar aquele antro de maldizer.

E ela continua a dizer: "Deus não dorme".

 

O Milorde nada festeiro

Milorde, 15.10.22

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Esta noite, numa zona perto de minha casa, vai haver uma festa em honra de São Miguel Arcanjo em que a partir da meia noite e meia vai atuar um DJ assim ao ar livre no recinto da capela e dizem os jovens que vai ser música até de manhã!

E eu pergunto: isto é legal?

Vivo num meio rural - em que lhe dei o nome de Barbalimpa - onde as pessoas trabalham duro nos campos e fazem criação de gado, pessoas humildes e trabalhadoras que vivem uma vida tranquila. Esta noite, segundo o que se espalha por aí, essas pessoas não vão descansar porque alguém teve a brilhante ideia de contratar um DJ que irá passar música a altos berros para jovens que vão dançar, gritar e beber até vomitarem.

Obviamente deverá existir uma licença para tal aceite pela Câmara Municipal e mais uma vez eu pergunto: e o direito ao silêncio das pessoas que vivem perto do recinto e arredores? Não terão elas direito ao respeito por parte das entidades municipais? Isto é legal?

Os jovens dizem que "esta noite é que vai ser fixe", certas pessoas dizem "esta noite vai haver problemas". E assim se irá celebrar a festa em honra de São Miguel Arcanjo.

 

O preço do açúcar

Milorde, 13.10.22

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Ontem fui surpreendido pelo preço do açúcar. Estava no Mercadona a fazer as minhas compras e qual não foi o meu espanto que reparei que o quilo do açúcar estava a 1,40€. Li a etiqueta do início ao fim para me assegurar que o produto estava bem etiquetado e, efetivamente, o preço correspondia. "Deve ter havido algum erro, isto não pode estar bem" - pensei eu.

Cheguei à caixa e perguntei ao rapaz que me atendeu se eventualmente não se tinham enganado a etiquetar o preço do açúcar ao qual me respondeu que não, o açúcar aumentou em todo o lado. E que aumento!

Recusei-me a acreditar que tal tivesse acontecido e então atravessei a rua e fui ao Lidl. O açúcar estava a 1,49€ o quilo. "Mas o que é isto?" - perguntei a mim mesmo perplexo. Fiz uma pesquisa no meu telemóvel e vi que o açúcar aumentou, sem que ninguém o prevenisse, assim de um dia para o outro de 0,89€ para 1,49€! Um aumento de quase 70%. Segundo o site Valor de Negócios: a pior seca em 500 anos está a afetar a produção de açúcar na Europa, cuja produção deve cair 6,9% em 2022/23, para 15,5 milhões de toneladas.

Porém no Pingo Doce, por enquanto, a coisa é diferente. Um quilo de açúcar de marca própria custa 1,30€ mas a embalagem de 2 quilos custa 1,69€, este valor dividido por 2 dá cerca de 85 cêntimos o quilo. Ou seja acabamos por pagar o preço anterior por cada quilo. Mas atenção, só pode comprar até 2 embalagens por cliente!