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Milorde

A greve dos miúdos

Milorde, 10.11.22

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"Mais de 50 alunos estão esta quinta-feira a bloquear todas as entradas da escola artística António Arroio, em Lisboa" - diz o site da SIC Notícias. "Os ativistas exigem o fim dos combustíveis fósseis e a demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, por já ter sido CEO de uma petrolífera". Reparem na palavra exigem.

Estava a almoçar com a minha mãe quando vi a reportagem na televisão e sinceramente aquilo pareceu-me mais uma festa de jovens que não querem ir para a escola do que uma manifestação séria. Os jovens ocupam uma instituição de ensino, não sei bem porquê, impedem a entrada de todo o pessoal, passam lá o dia entre gritos, música, danças e stories no Instagram, fazem as suas refeições e até dormem lá dentro em sacos-cama e colchões de ginástica. Querem lá vocês uma coisa mais divertida do que aquilo! Qual Sunset qual quê, o que está a bombar agora são as manifestações dentro da escola.

E agora eu pergunto: onde estão os pais deste bando de miúdos?! Eu não sou pai mas se o fosse certamente que não deixaria um filho meu fazer tal coisa, mas isto sou eu que tive uma educação talvez do século passado, penso que já esteja ultrapassado. No meu tempo se eu exigisse alguma coisa levava uma chapada que nunca mais me atreveria a fazê-lo. Eles exigem a demissão de um Ministro... mas está tudo bem ou quê!!

É preciso que estes jovens e toda a população em geral percebam que os produtores de petróleo e gás têm consciência do problema das energias fósseis e investem em energias renováveis mas esta mudança requer tempo senão vamos à destruição da economia mundial.

Resumindo, sou da opinião que toda a gente tem direito a manifestar-se quando assim o entender e com razões que o justifiquem, mas sejamos mais sérios e não ultrapassemos limites. A minha liberdade acaba quando eu invado o espaço do outro.

E agora, que comece o debate, que o circo vai pegar fogo!

O dia mais feliz com Ana de Deus

Milorde, 30.11.21

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A minha convidada desta semana é a Ana de Deus, autora dos blogues Busy as a bee on a rainy day e Os contos da abelha. Tal e qual como uma abelha a Ana foi entrando, com um ramo de flores nas mãos que eu não faço ideia onde ela foi arranja-las, e disse-me que também quer me contar os dias mais felizes da sua vida, sim ela escolheu dois! Pedi à Maria que nos servisse um chá de cidreira com uma colher de mel para que a minha convidada se sentisse em casa e, então, a Ana contou-me o seguinte...

Caro Milorde, estive a ler as participações da Cafeína, do Marco, da Peixe Frito, do João e da Luísa, neste projeto maravilhoso e só lhe posso dar os parabéns pela iniciativa. Adoro celebrar momentos felizes! No meu caso é mais um ano - 1996 - com dois dias muito especiais: o nascimento da minha sobrinha e ser selecionada, entre mais de dois mil candidatos, após meses de provas, para um curso de Jornalismo no CENJOR de Lisboa, e renascer para a vida na minha cidade natal.

Quando a minha sobrinha nasceu o sol voltou a brilhar nas nossas vidas e o Natal voltou a ser mágico. A minha irmã e o pai da minha sobrinha separaram-se quando ela tinha dois anos, mas nesse ano ele esteve presente na noite de Natal com a nossa família. Era suposto ela alternar a consoada entre as duas famílias, mas ela escolheu passar a noite de Natal com a nossa família e o dia de Natal com o pai. Porque nós brincávamos muito, fazíamos peças de teatro.

 

Éramos vinte e quatro abençoados, no curso de Jornalismo e ainda hoje mantemos contacto. Éramos muito unidos e, quando o curso terminou, decidimos encontrarmo-nos todas as primeiras sextas-feiras de cada mês, sempre no mesmo restaurante. E durante anos essa noite era só nossa. Alguns, entre nós, casaram ou vivem em união de facto. Relações felizes. Estivemos presentes nos casamentos uns dos outros. Uns foram padrinhos uns dos outros. Somos mesmo abençoados.