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Milorde

O Milorde informa

Milorde, 25.11.22

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O coveiro aqui da vila diz que agora leva mais 50 euros para fazer um enterro devido à inflação. As pessoas tentaram convencê-lo de que o aumento era exagerado - aí uns 20 euros a mais, tudo bem, agora 50 é muito! -, que os materiais que ele utiliza são os mesmos, é mais um trabalho de mão-de-obra, etc. Porém ele está irredutível! Não quer saber do que dizem, fez o seu preço. Quem quiser contratá-lo para o serviço pois muito bem ele irá com prazer, quem achar caro e não quiser pois que arranjem um outro coveiro!

 

O Milorde escandalizado

Milorde, 17.11.22

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Há mais um escândalo que ocorreu nesta vila pacata recentemente e que vou partilhar, ou não fossem vocês leitores ávidos por mexericos, principalmente daqueles bem intrigantes. Sabem bem que Milorde não perde uma oportunidade para vos pôr a par de todos os acontecimentos desta vila.

Acontece que uma professora, aqui há cerca de quatro anos atrás, decidiu abrir um centro de explicações aqui na vila não só para as crianças que tinham dificuldade em aprender mas também para aqueles pais que não têm onde deixar os filhos. Segundo alguns pais - e segundo o relato das próprias crianças -, a docente limitava-se apenas a fazer os trabalhos de casa, dando literalmente as respostas aos exercícios, e depois a meio da tarde faziam um lanche comum, onde as crianças juntavam o lanche que traziam de casa e cada um comia o que quiser, inclusive a professora que não trazia o seu próprio lanche e comias as bolachas quase todas, a gulosa!

Mas esperem, que a história não acaba aqui.

Com a inflação, esta maldita palavra que tem povoado a nossa vida desde o início da guerra, a renda do seu espaço aumentou. A professora não teve outro remédio senão aceitar. Deu a entender aos pais que provavelmente iria tentar arranjar um outro espaço mais barato mas que não se preocupassem, ela iria continuar a fazer tudo igual.

Os pais foram pagando a mensalidade sempre antecipadamente, até ao dia 8 de cada mês, incluindo o corrente mês de novembro. Depois desse pagamento, a professora mandou mensagens aos pais a dizer que não levassem os filhos no dia seguinte pois ela estaria ocupada em arranjar um outro espaço para as suas explicações. Nisto o tempo foi passando, e ela quando contactada dizia dava sempre a desculpa da lentidão das burocracias. Segunda-feira passada os pais encontraram o espaço completamente vazio! A professora tinha retirado tudo do espaço sem dar conhecimento a ninguém e ao contacta-la os pais dão de caras com o voice-mail da própria. A professora simplesmente desapareceu com o dinheiro das mensalidades do mês do novembro.

Os pais estão todo revoltados. Anda aqui uma espécie de caça à professora que está em parte incerta. Ninguém sabe de nada.

 

A greve dos miúdos

Milorde, 10.11.22

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"Mais de 50 alunos estão esta quinta-feira a bloquear todas as entradas da escola artística António Arroio, em Lisboa" - diz o site da SIC Notícias. "Os ativistas exigem o fim dos combustíveis fósseis e a demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, por já ter sido CEO de uma petrolífera". Reparem na palavra exigem.

Estava a almoçar com a minha mãe quando vi a reportagem na televisão e sinceramente aquilo pareceu-me mais uma festa de jovens que não querem ir para a escola do que uma manifestação séria. Os jovens ocupam uma instituição de ensino, não sei bem porquê, impedem a entrada de todo o pessoal, passam lá o dia entre gritos, música, danças e stories no Instagram, fazem as suas refeições e até dormem lá dentro em sacos-cama e colchões de ginástica. Querem lá vocês uma coisa mais divertida do que aquilo! Qual Sunset qual quê, o que está a bombar agora são as manifestações dentro da escola.

E agora eu pergunto: onde estão os pais deste bando de miúdos?! Eu não sou pai mas se o fosse certamente que não deixaria um filho meu fazer tal coisa, mas isto sou eu que tive uma educação talvez do século passado, penso que já esteja ultrapassado. No meu tempo se eu exigisse alguma coisa levava uma chapada que nunca mais me atreveria a fazê-lo. Eles exigem a demissão de um Ministro... mas está tudo bem ou quê!!

É preciso que estes jovens e toda a população em geral percebam que os produtores de petróleo e gás têm consciência do problema das energias fósseis e investem em energias renováveis mas esta mudança requer tempo senão vamos à destruição da economia mundial.

Resumindo, sou da opinião que toda a gente tem direito a manifestar-se quando assim o entender e com razões que o justifiquem, mas sejamos mais sérios e não ultrapassemos limites. A minha liberdade acaba quando eu invado o espaço do outro.

E agora, que comece o debate, que o circo vai pegar fogo!

O Milorde apressado

Milorde, 04.11.22

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Era uma manhã em que o céu se pintou de um cinzento escuro de onde caía uma chuva fina que nos lambia de cima abaixo. Saí de casa já atrasado para a minha consulta no hospital que estava marcada para as 11:30 e, a não ser que eu tivesse um jato particular, nunca conseguiria chegar lá a tempo. Há uma coisa sobre mim que vocês ainda não sabem: eu chego sempre atrasado! Não há hipótese. Eu bem tento programar as coisas com tempo, organizar tudo antes, contar todos os minutos, etc., mas mesmo assim há sempre alguma coisa que me atrasa.

Cheguei ao hospital depois de uma condução desenfreada e com o vidro do carro todo embaciado que quase não conseguia ver a estrada. Obviamente não havia um único lugar livre no estacionamento - às vezes até penso que existem pessoas que deixam lá os carros toda a noite ou então chegam às 5 da manhã só para poderem estacionar e complicar a vida aos outros - então tive que estacionar a cerca de 1 km de distância. Tenho sempre um guarda-chuva de reserva na mala do carro mas nesse dia, o dia em que mais precisei dele depois de tantos meses sem chover uma gota neste país, o guarda-chuva tinha desaparecido!

- Este dia tem tudo para correr bem! - disse eu em voz alta.

Corri pelas pedras da calçada dispostas geometricamente no passeio, tal como o meu caro João faz nas maratonas, para ver se não me molhava tanto e quando cheguei ao edifício, ofegante e com o cabelo colado à testa, a fila para o atendimento chegava à porta.

Fantástico. Não tive opção senão aguardar pela minha vez. De repente apareceu uma senhora que dizia querer apenas fazer uma pergunta. As pessoas, na sua boa vontade, deixaram-na passar e quando ela se dirigiu à receção já com o cartão de cidadão na mão para dar entrada no sistema dos seus dados, as pessoas começaram a reclamar. Foi como se ela tivesse colocado um fósforo numa moreia de palha!

- Ó minha senhora, era só uma pergunta!

- Tem que aguardar a sua vez na fila!

A mulher que estava na receção com cara de poucos amigos atrás de um vidro cheio de perdigotos lá lhe disse que tinha que, devido às reclamações, tinha que esperar pela sua vez. A senhora, a reclamar sobre a falta de respeito das pessoas como se ela própria não tivesse faltado ao respeito aos demais, foi para o fim da fila e uma outra, que também dizia querer fazer uma pergunta - pessoas curiosas! - seguiu-lhe o exemplo.

Finalmente chegou a minha vez. Disse à rececionista que estava um pouco atrasado com um sorriso envergonhado que mereceu, nada mais nada menos, um revirar de olhos de uma funcionária já cansada de um dia de trabalho que mal tinha começado. Tinha uns auscultadores com um microfone para onde confirmou o meu nome e o meu número de telefone assim em alto e bom som para o caso de alguém naquela fila interminável me quiser contactar para o que for. Querem privacidade? Não vão ao hospital público.

Quando cheguei a casa tinha uma dor de cabeça descomunal. Coloquei duas aspirinas num copo com água e enquanto as via a desfazerem-se numa espuma branca com bolhinhas pensava em como o tempo passa depressa e nem o sentimos.

O Milorde informático

Milorde, 03.11.22

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O Milorde admite que pouco ou nada sabe de informática.

Estes aparelhos que utilizamos quase todos os dias seja para o que for - no meu caso para escrever estas linhas que hoje vos deixo - e que estão prontos a serem utilizados mal os retiramos da caixa possuem uma complexidade de componentes, letras e números que uma pessoa dita normal nem sabe de sua existência e quando tenta explorar o assunto como quem não quer a coisa, o cérebro começa a dar um alerta que é melhor fugir dali enquanto é tempo.

Pois que Milorde decidiu inscrever-se numa formação para aprender todo este mundo magnífico da informática, pensando que iria se dar bem e quiçá trabalhar numa empresa como Técnico de Informática - um nome já de si deveras importante - com um bom salário que pudesse pagar todos os seus caprichos, sentado numa cadeira confortável em frente de um ecrã apenas a dar um cliques aqui e acolá... só que não!

Após umas aulas em que Milorde basicamente esteve no meio de jovens todos apetrechados de conhecimentos e gadgets, que percebem mais disto do que eu alguma vez percebi da burguesia, a aprender sobre Algoritmos e lógicas matemáticas para a programação das máquinas que têm à vossa frente, sentiu-se tão perdido como Alice no país das maravilhas sem direito a um coelho falante que lhe pudesse dar indicações e, então, percebeu que afinal o caminho que lhe está destinado não é por aqui.

Milorde não gosta de desistir de um desafio mas este, meus caros, é um passo maior do que a perna e não vejo outra opção senão virar costas, acelerar o passo e procurar um outro caminho menos tumultuoso.

Porque é que eu não posso ganhar a vida simplesmente a dar o ar da minha graça?

O Milorde e aquela tossezinha

Milorde, 22.10.22

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Chega o outono e apanho uma constipação, é tão certo como dois e dois serem quatro. Começo sempre por tomar um multivitamínico lá para meados de setembro mas mesmo assim o meu sistema imunitário deve ser tão fraquinho que basta as temperaturas baixarem um pouco e tenho logo o pingo no nariz e a garganta que arranha, acompanhado claro da nossa amiga tosse. Aquela tossezinha irritante que se aloja na nossa garganta e lhe faz cócegas só pelo prazer de nos ouvir a tossir a cada minuto que se passa.

E antes que vocês venham aqui falar-me da covid e que deveria fazer um teste só para despiste e bla bla bla, esqueçam! Eu recuso-me a enfiar aquela maldita zaragatoa pelo nariz adentro outra vez nas mãos de uma farmacêutica bruta que ainda tem o descaramento de me dizer "relaxe". Não aguento. Já me bastam os sprays nasais para a minha sinusite que também tenho que os enfiar quase até ao cérebro e sentir aquele jato de substância líquida e ardente que me faz chorar dos olhos.

Pela primeira vez na minha vida vou fazer uma canja de galinha para o almoço. Não deve ser difícil, basta seguir a receita... digo eu assim com uma autoconfiança um pouco duvidosa. Afinal é só cozer a galinha e meter massa lá para dentro, não é? Desejem-me sorte!

 

O Milorde cantante

Milorde, 21.09.22

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Quando era mais novo Milorde já participou em concursos de karaoke. Os troféus que fui ganhando nesta minha pequena caminhada de artista estão dispostos nas minhas estantes com um fina camada de pó que, por vezes, vou limpando e enquanto esfrego as memórias invadem-me e trazem-me sensações que não consigo explicar corretamente, ou não fosse eu uma pessoa complicada de compreender.

Foi devido a esta minha inclinação para o canto que certo dia recebi um convite - ou uma proposta, dependendo da interpretação - do qual não estava nada à espera. Participar no grupo coral da igreja.

Estávamos no inverno, às 19 horas era noite cerrada, quando meti a chave na fechadura da porta reparei que alguém estava à minha espera na penumbra e aproximava-se de mim. Pensei em fugir a gritar por socorro, imaginei aquelas mãos grossas a agarrarem-me e a porem-me no chão nas pedras frias da calçada enquanto me debatia, com dedos hábeis revistava-me à procura de objetos de valor e eu, impotente debaixo daquele homem, nada podia fazer para o impedir.

Todos esses pensamentos desvaneceram-se, como um nevoeiro que desaparece quando o vento sopra, no momento em que o homem, educadamente, pediu para falar comigo acerca de um convite que tinha para me fazer. Quando o convite me foi feito, de uma maneira persistente tenho a dizer muito embora as minhas escusas - o senhor não poupou os elogios acerca da minha pessoa e sobre o meu conhecimento de música (algo que não concordo) -, não sabia se devia rir ou chorar.

Não aceitei o convite. E não é porque tenho uma ideia errada sobre o grupo coral ou porque quero estar afastado da igreja ou até mesmo por não achar isso fixe. Não aceitei porque percebi que não tinha qualquer competência para a responsabilidade que me foi proposta.

O Milorde prefere cantar no chuveiro e mesmo assim tem que se calar porque a mãe quer ouvir a novela!

Falta de cheiro

Milorde, 17.01.22

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O teste antigénio feito na farmácia deu negativo, contudo passei o fim de semana com falta de cheiro e perda de paladar. A Maria está ótima e quando lhe digo que não sinto o sabor da comida ela responde-me que assim já não critico os seus cozinhados.

Vi na internet que para voltar a sentir o cheiro tenho que treinar o olfato. Então ando a cheirar todo o gel de banho, champô, detergentes e sabões que encontro para ver até que ponto estou congestionado. Os cheiros mais fortes consigo senti-los, ou seja, não é uma perda de olfato total o que me leva a duvidar se realmente estou infetado com a covid-19 ou não.

Ontem quando cheirei um gel de banho novo que a Maria tinha comprado e ela me disse que cheirava a maçã disse-lhe:

- Maria, não me pode dizer o cheiro, eu tenho que adivinha-lo, faz parte do treinamento que tenho que fazer.

A senhora não se fez rogada e então descalçou um sapato e estendendo-mo disse:

- Então diga-me, Milorde! Ao que lhe cheira?

Dei uma gargalhada tão grande que o Misha assustou-se e fugiu para debaixo do sofá.

A gelatina faz bem aos ossos

Milorde, 05.01.22

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Depois que a Maria viu na televisão o Dr. Almeida Nunes dizer que a gelatina faz bem aos ossos, agora todos os dias temos gelatina cá em casa como sobremesa. Existem vários sabores e desta vez compramos com 0% de açúcar. Eu até aprecio mas o problema é que tenho sensibilidade dentária e comer gelatina assim bem fresca causa-me um desconforto muito grande.

Quando lhe disse, a senhora respondeu-me:

- Então não coma! Mais sobra para mim.

 

O bloqueio criativo ainda continua, até estou a escrever sobre gelatina imaginem!

Irritação

Milorde, 04.01.22

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Ando numa fase da minha vida em que tudo me irrita. Já tentei escrever diversos textos que vão parar todos para o lixo porque não acho que são bons para serem publicados. Isso tem um nome que afeta muitos escritores, bloqueio criativo. E isso também me irrita.

Não sei se ainda estou em fase de ressaca das festas, provavelmente estou. A mudança de rotina também me irrita. Irrita-me o barulho dos vizinhos, irrita-me as notificações do telemóvel, irrita-me que a Nairobi na série Casa de Papel da Netflix tenha morrido, irrita-me o excel com todas as suas fórmulas que me dão um nó no cérebro... enfim!

Estou capaz de ir ao Facebook da Cristina Ferreira e começar a insulta-la e ao programa que ela apresentou só para ter o prazer de discutir com alguém, só para perceberem o estado em que me encontro. Alguém conhece umas técnicas de relaxamento? É urgente!