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Milorde

O dia mais feliz com a LadyVih

Milorde, 21.12.21

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A minha convidada desta semana é a LadyVih, autora do blog A Duquesa e o Gato. A Lady chegou acompanhada pelo seu gato, vestida com um casaco de pelo fofo que lhe chegava até aos joelhos, saltitou por entre as pedras colocadas ao longo do meu jardim para não molhar as suas botas de camurça, e com uma gentileza que só ela tem deu-me um abraço apertado e agradeceu de imediato o convite que lhe fiz, pois diz que o 21 é um número muito especial para ela. E já vão perceber porquê.

O Misha quando viu o acompanhante da Lady ficou logo com um ar de desconfiado e, como dois cavaleiros que se preparam para um duelo, ficaram bastante tempo a olhar-se mas depois o Misha deu meia volta e desapareceu. Rimos os dois pelo sucedido e convidei a Lady a entrar e sentar-se no meu sofá. Pedi à Maria que nos servisse um chá de maçã e canela estava pronto para ouvir o dia mais feliz da Lady.

Ora bons dias ou boas tardes (depende das horas em que estarão a ler isto).

Foi com muito carinho que recebi este convite do Milorde para a sua rubrica. Com mais carinho ainda, pois o mesmo referiu que seria publicada no dia 21 e é um número que tem, para mim, um simbolismo carregado de muito Amor. Como é uma rubrica feliz e em tempo de Natal, é mesmo sobre isso também que eu venho falar.

Nada melhor do que esta época para falar sobre isso, pois o Natal é Família, Amor, Paz, Bondade...

O meu número, como lhe chamo, foi a minha primeira morada - na casa dos meus avós. E foi a morada que escolhi para todas as minhas férias (Verão, Natal, Carnaval...). Costumo dizer que fui nascida e criada no 21. Foi lá que dei os meus primeiros passos, que balbuciei as minhas primeiras palavras, que fiz os meus primeiros amigos, que me escondi com a minha melhor amiga para falar do meu primeiro amor, que aprendi o que era certo e errado... Também foi lá que tive os meus medos pela primeira vez (os incêndios, as cobras, etc), que tive as minhas primeiras quedas, as primeiras cicatrizes...

Fui crescendo, mas o 21 continuava sempre a ser morada dos nossos Natais, dos feriados e dos domingos em família. O 21 era Casa, era Carinho, era Amor. O meu 21 é isso mesmo: Família. É a minha Avó, o meu Avô e o meu Padrinho.

Andei anos a ganhar coragem para tatuar um 21 na minha pele em forma de homenagem. Demorei uma eternidade por medo das amigas agulhas... Mas, há 3 anos atrás, decidi fazer três tatuagens e duas delas em homenagem. Foi a primeira. O meu 21 está agora no meu pulso marcado a tinta, e no meu coração gravado permanentemente, floreado com carinho, cuidado e amor.

A tatuagem, vocês nem sonham a felicidade, o orgulho e emoção que me deu olhar para ela (ainda me dá!). E um dia marcado também por ter conhecido também a minha tatuadora, que é uma das pessoas mais lindas do mundo. Nada é por acaso, acredito. O meu 21 tinha de ser com ela! Não foi num dia 21, mas foi um dia que me encheu a alma!

Obrigada Milorde, pela oportunidade de homenagear, mais um bocadinho, quem me ajudou a ter uma infância feliz. Há sinais que a vida nos dá. E este, nesta época do ano, fez tanto sentido. Obrigada!

 

O dia mais feliz com o Corvo

Milorde, 14.12.21

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O meu convidado desta semana é o Corvo, autor do blogue O Sítio do Corvo. Vestido de fato e gravata e bem penteado, o Corvo entrou pelos meus portões com um grande sorriso, satisfeito com o meu convite. Começamos por falar das minhas laranjeiras que oferecem lindas laranjas e um perfume inebriante e logo depois sentamo-nos em frente à lareira onde um fogo crepitava. O Corvo tem sempre muitas histórias para contar que eu fui ouvindo deliciado enquanto degustávamos uma chávena de chá de hortelã e uns biscoitos de gengibre e canela.

No entanto a história principal ainda estava por contar e o Corvo não se fez rogado e então contou-me aquele dia mais feliz.

Muito honrado pelo convite do Milorde para dissertar sobre o dia mais feliz da minha vida, apraz-me confessar com toda a sinceridade que foi aquele em que a periquita me disse sim ao meu pedido de casamento. Depois tive mais dias muito felizes mas esse foi o mais feliz, sobretudo porque não esperava que ela aceitasse devido à feroz e acesa concorrência de que era vítima.

Quando lhe perguntei se casava comigo, conhecia-a há seis dias, apenas, quando ali chegara enviado pela minha empresa empregadora, JAEA a fim de realizar um trabalho previsto para dez dias. Fui habitar um quarto de uma casa muito grande, dispensado por uma família composta de um rapaz, esposa e duas irmãs dele que a habitava.

Entrava-se para essa casa diretamente por uma varanda a todo o comprimento da casa, e nas extremidades dela as entradas para a casa propriamente dita. Sobre o lado esquerdo era a entrada para o meu quarto e na parte direita a entrada da dita família. A parte que me fora dispensada além de quarto tinha casa de banho privativa, sala e uma pequena cozinha, que pouca falta me fazia pois desde logo fiz tenção de nunca utilizar tirando, obviamente, o café pela manhã.

Cheguei, instalei-me fui tomar banho e vestir roupa limpa e pensei dar uma volta pela vila a ver aonde podia ir jantar e comer durante os dias que ali estivesse. Nestes preparos saio porta fora para a varanda e deparo-me com uma rapariga que entrava pela porta dela para dentro da sua casa. Achei-a muito bonita e agradável mas não mais que isso. O tal clic não ligou. Saí e encontrei uma pensão, jantei, sentia-me cansado da longa e fatigante viagem, e resolvi ir dormir.

Chego, entro para a varanda já nossa conhecida e reparo em quatro poltronas a todo o comprimento da varanda que antes não vira. Sento-me numa, acendo um cigarro e ponho-me a pensar na melhor maneira de iniciar o trabalho que ali me levara. Subitamente pela porta meio aberta da família moradora, tenho uma visão de sonho envelopada num bonito vestido amarelo clarinho a movimentar-se dentro de casa. Imediatamente todas as preocupações sobre o trabalho se eclipsaram e levantei-me de um salto. Os nossos olhos cruzaram-se e soube imediatamente que encontrara a mulher da minha vida.

Nessa noite pouco ou nada dormi e foi em muito mau estado, físico e racional, que dei início ao trabalho e durante ele só pensava em voltar rapidamente para casa para confirmar se sonhara ou se vivia uma realidade. Voltei, tratei de mim como de véspera, com apenas uma maior atenção. Barbeie-me pela segunda vez nesse dia, coisa que nunca fizera e fui sentar-me na varanda na esperança de a ver outra vez e pus-me a pensar na minha vida. Nunca conjeturei que ela podia ser a mulher do rapaz dono da casa, nem a primeira rapariga que vira. Instintivamente soube com maior clareza do que a do cristal reflete que elas eram as irmãs. Como de facto eram.

Algum tempo depois a família veio cá para fora, o rapaz, a esposa e a irmã mais nova - a primeira rapariga que vira na noite anterior -, sentaram-se cada um numa poltrona, mas ela não. A senhora dona dos meus pensamentos não veio. Fiquei muito triste e infeliz e recriminei-me que a culpa era minha por ter ocupado um lugar que logicamente era dela visto as poltronas serem só quatro.

Apresentámos-nos, conversámos, bebemos conhaque que amável e gentilmente a mulher do rapaz foi buscar lá dentro e por ela soube que a irmã mais nova, essa que ali se encontrava, viera para Angola para se casar com um primo em segundo grau. Ouvi desinteressado porque o que eu queria saber era sobre a outra irmã e por desgraça minha em tanto paleio nem uma palavra sobre ela foi dita.

Como ela não aparecia levantei-me para ir jantar e eles fizeram o mesmo. Levantaram-se e entraram em casa, eu fui jantar, mas como estava por de mais assoberbado pela imagem que me preenchia o todo, nada comi e voltei rapidamente para a varanda. Abençoada intuição. As duas irmãs e a cunhada delas também vieram e pude finalmente conhecê-la. Chamava-se Maria do ... e eu fui o rapaz mais feliz do mundo e cercanias por o saber pela sua boca. Durante quatro dias a cena repetiu-se; eu vinha para a varanda e ela também, às vezes a irmã fazia-lhe companhia, mas era por pouco tempo porque quase sempre lembrava-se que se esquecera disto ou daquilo por arrumar na cozinha e eu ficava sozinho ali com ela e desfrutava do Céu. E foi assim que quatro ou cinco dias depois lhe perguntei se casava comigo.

Ficou muito admirada, respondeu-me que nem sequer nos conhecíamos e eu disse-lhe que a minha alma a conhecia de toda a vida.

- Casas comigo, Maria? Juro amar-te e fazer-te feliz toda a vida.

E ela disse sim, casava mas pedia-me para lhe dar alguns dias de namoro porque nunca namorara na sua vida, e não queria ser a primeira mulher no mundo a casar primeiro e namorar depois.

Aceitei imediatamente. Estar e falar com ela e ouvi-la falar comigo era toda a minha realização. Namoros do meu tempo. Mãozinha dada, às vezes mais ousada, um beijo furtado aqui, outro oferecido ali, realização de duas almas em comunhão. Dois meses depois era e seria sempre a minha adorada mulher até trinta e sete anos depois Deus me dizer que ela já não era minha.

Amei-te quando te vi, e nos teus olhos eternamente me perdi.

 

O dia mais feliz com a Ana D.

Milorde, 07.12.21

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A minha convidada desta semana é a Ana D. autora do blogue Green Ideas. Apaixonada pela escrita a Ana partilha com os seus leitores todos os momentos do seu mundo green. Mal entrou pelos meus portões ficou maravilhada com o jardim que, mesmo com este tempo um pouco cinzento, não perde a sua beleza.

A Maria serviu-nos um chá verde e a Ana estava prontíssima para partilhar comigo o seu dia mais feliz.

Convidou-me Milorde a falar sobre os meus dias felizes. Assim sendo, aqui estou para lhe contar como fui feliz em todos os dias da minha vida com o meu querido Pai, que inesperadamente perdi em março e de quem tenho a maior das saudades.

O meu Pai era um homem extraordinário. Um homem de caráter e de grande resiliência. Sempre afável. Sempre disposto a ajudar. Um apaixonado por História. Um bom conversador. Tínhamos uma cumplicidade sem igual e por isso, quero deixar-lhe aqui nota de quão felizes foram os nossos dias.

 

Meu Pai,
 
Foi feliz cada dia
Em que contigo vivia
E que contigo sorria
Dia após dia!
 
Foram felizes e cheios de alegrias
Todos esses dias
Que caminhámos, lado a lado
Que caminhámos, de braço dado
 
Foram felizes e cheios de alegrias
Todos esses dias
Entre conversas e risadas
Leituras e caminhadas
Com tamanha cumplicidade
E tanto amor e amizade
 
Foram felizes todos os dias 
Que contigo vivi
Desde que nasci
Até que contigo, morri!

São Nicolau

Milorde, 06.12.21

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Tournai - Bélgica, 6 de dezembro de 1978

Daniel acordou mais cedo esta manhã. É o dia de São Nicolau! Depressa se levantou da cama, olhou pela janela e viu que a neve cobriu toda a paisagem com um manto branco, e dirigiu-se até à sala com um misto de ansiedade e alegria para ver o que o esperava.

A cenoura, o nabo e a couve verde que deixara na véspera para o burro que acompanha o São Nicolau comer estavam pela metade, e ao lado, ao pé do sapatinho que deixara na lareira, estavam os presentes! Este ano recebeu um carro telecomandado com uma pista e tudo!

No entanto, Daniel não tinha muito tempo para brincar com o seu novo presente porque tinha que se preparar para ir para a escola, neste dia tão especial em que o próprio São Nicolau iria visitar todos os meninos da sua escola.

Quando chegou à sua sala de aula todos falavam ao mesmo tempo para contar os presentes que receberam nessa manhã. Nem a professora conseguia pôr ordem na classe tal era a azáfama. Mas, de repente, alguém bateu à porta. Um breve silêncio abateu-se sobre a sala, todos de boca aberta de espanto.

- É o São Nicolau!! - gritaram todos ao mesmo tempo.

E era mesmo. E trouxe um saco cheio de presentes para distribuir por todos. E todos cantaram:

 

Ô grand Saint Nicolas,

Patron des écoliers,

Apporte-moi des pommes

Dans mon petit panier.

Je serai toujours sage

Comme une petite image.

J'apprendrai mes leçons

Pour avoir des bonbons.

 

Venez, venez, Saint Nicolas,

Venez, venez, Saint Nicolas,

Venez, venez, Saint Nicolas, et tra la la...

O dia mais feliz com Ana de Deus

Milorde, 30.11.21

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A minha convidada desta semana é a Ana de Deus, autora dos blogues Busy as a bee on a rainy day e Os contos da abelha. Tal e qual como uma abelha a Ana foi entrando, com um ramo de flores nas mãos que eu não faço ideia onde ela foi arranja-las, e disse-me que também quer me contar os dias mais felizes da sua vida, sim ela escolheu dois! Pedi à Maria que nos servisse um chá de cidreira com uma colher de mel para que a minha convidada se sentisse em casa e, então, a Ana contou-me o seguinte...

Caro Milorde, estive a ler as participações da Cafeína, do Marco, da Peixe Frito, do João e da Luísa, neste projeto maravilhoso e só lhe posso dar os parabéns pela iniciativa. Adoro celebrar momentos felizes! No meu caso é mais um ano - 1996 - com dois dias muito especiais: o nascimento da minha sobrinha e ser selecionada, entre mais de dois mil candidatos, após meses de provas, para um curso de Jornalismo no CENJOR de Lisboa, e renascer para a vida na minha cidade natal.

Quando a minha sobrinha nasceu o sol voltou a brilhar nas nossas vidas e o Natal voltou a ser mágico. A minha irmã e o pai da minha sobrinha separaram-se quando ela tinha dois anos, mas nesse ano ele esteve presente na noite de Natal com a nossa família. Era suposto ela alternar a consoada entre as duas famílias, mas ela escolheu passar a noite de Natal com a nossa família e o dia de Natal com o pai. Porque nós brincávamos muito, fazíamos peças de teatro.

 

Éramos vinte e quatro abençoados, no curso de Jornalismo e ainda hoje mantemos contacto. Éramos muito unidos e, quando o curso terminou, decidimos encontrarmo-nos todas as primeiras sextas-feiras de cada mês, sempre no mesmo restaurante. E durante anos essa noite era só nossa. Alguns, entre nós, casaram ou vivem em união de facto. Relações felizes. Estivemos presentes nos casamentos uns dos outros. Uns foram padrinhos uns dos outros. Somos mesmo abençoados.

 

O dia mais feliz com o José

Milorde, 23.11.21

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O meu convidado desta semana é o José, autor dos blogues Cheia e Sociedade Perfeita. Gosto sempre de imaginar os poetas com um caderno ou um maço de folhas na mão e foi assim que vi o José entrar pelos portões adentro da minha mansão, contemplando o meu jardim para quiçá encontrar inspiração para mais um dos seus poemas, e num tom jovial deu-me um aperto de mão. Sentamo-nos no meu sofá para degustar um chá de camomila e, como não podia deixar de ser, leu-me um dos seus poemas.

Logo depois o José, perdido em memórias e pensamentos, contou-me um dos dias mais felizes da sua vida.

Sua alteza Milorde convidou-me para o seu salão, para bebermos um chá, e saber qual era o dia mais feliz da minha vida. Mas, fiquei um pouco nervoso, nunca tinha estado num cadeirão tão elegante e nobre.

Por mais que tentasse percorrer os meus muitos anos, não conseguia escolher um dia em que tivesse sido mais feliz que outro. Sempre que tentava selecionar um, outros se indignavam por serem preteridos com a escolha, porque acham que todos foram felizes. Portanto, acham que não devo escolher um, mas todos, porque todos se consideram muito felizes.

Fiz-lhes ver que assim não poderia cumprir com que me tinha sido pedido. Tivemos longas discussões, sem que conseguíssemos chegar a um acordo. Estava a ver que não conseguia sair daquele beco sem saída, até que me lembrei de lhes pedir se me deixavam escolher aquele em que despi a farda da tropa, uma vez que todos estavam de acordo que aqueles quatro anos tinham sido os piores da minha vida.

Parti um pé, com poucas semanas de recruta, faltavam poucos meses para o nascimento da minha filha mais velha. Nasceu, pouco depois de eu ter deixado as muletas (canadianas). Andei um ano a tentar livrar-me da tropa, ou ir para os auxiliares. Até que o médico disse que já chegava, mandou-me a uma junta médica, onde estava outro recruta, que parecia não ter nada, mas saiu com um papel carimbado: dizendo que estava inapto para o serviço militar.

A seguir um dos médicos agarrou no meu processo, já não me lembro se me perguntaram alguma coisa, um deles pegou noutro carimbo que dizia: apto para todo o serviço militar.

Embarquei para Angola, tinha 18 meses, ainda não falava, poucos dias depois estava com a mãe, num estabelecimento, quando entrou um soldado, e ela disse: "à pai”.

Ao fim de um ano, já não suportava as saudades delas, vim passar um mês de férias. Quando me despedi delas, a minha filha disse-me: “até logo”, naquele momento pensei: ou até nunca mais. Palavras, que me moeram o juízo, durante muitos meses!

No dia em que desembarquei, em Lisboa, já com 26 anos, em que arrumei a farda militar, para sempre, em que voltei a abraçar a minha família, depois de ter perdido os primeiros 4 anos da minha filha mais velha, foi um dia diferente.

Infelizmente, poucos dias depois, aquela felicidade foi ensombrada por um sonho, felizmente não passou de sonho: tinha sido mobilizado, novamente, para a guerra. Reagi muito mal, acordei a dizer que nunca mais iria para a guerra, porque antes matava-os, a todos.

 

O dia mais feliz com a Luísa

Milorde, 16.11.21

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A minha convidada desta semana é a Luísa de Sousa. Todos a conhecem não só pela sua simpatia aqui na blogosfera mas também pelos seus 4 blogues: Uma pepita de sucesso; Blog de Moda e Estilo; Guia do Envelhecimento Ativo; Mais boa forma.  Toda cheia de estilo e perfumada, de salto alto e sorriso rasgado avançou pelo meu soalho de braços abertos pronta para me dar um grande abraço. De seguida sentou-se no meu sofá, cruzou a perna, bebeu um gole do chá de erva-príncipe que lhe foi servido pela Maria de bom grado e com os olhos a brilhar contou-me os seus dias mais felizes!

O dia mais feliz da minha vida...

Foi quando tive consciência dos pais maravilhosos que tenho?

Foi quando reconheci a minha irmã como a melhor amiga de brincadeiras?

Foi quando conheci as pessoas que amei e que ainda amo tanto?

Foi quando me casei?

Foi quando acompanhei a construção da casa dos meus sonhos e que ainda vivo até hoje?

Foi quando soube que ia ser mãe pela primeira, segunda e terceira vez?

Foi quando as minhas filhas nasceram?

Foi quando lhes dava de mamar, de comer, o banho, vi o seu primeiro sorriso, ouvi a sua primeira palavra?

Foi enquanto as via crescer e a se tornarem as pessoas maravilhosas que são?

Foi quando terminei a minha licenciatura e mestrado depois dos 40 anos, com muito esforço e dedicação, apesar de trabalhar muito, ser mãe e esposa?

Foi quando, após tantas tentativas, tantos concursos públicos e pedidos de mobilidade, consegui o meu atual trabalho, que adoro?

Foi quando as minhas filhas acabaram o curso, tiveram o seu trabalho e a sua casa?

Foi quando soube que ia ser avó? Quando a Clarinha nasceu? Quando a Clarinha diz que me ama?

É quando sinto que sou a melhor mãe e avó do mundo?

Sim, sim, sim, sim... foram e são todos estes dias, nestes dias e nestes momentos ... que fui e sou muito feliz!

E noutros dias, noutras horas, noutros momentos ... que fui e sou muito feliz!

A lista seria infinita de dias e de momentos de felicidade!

Porque acordo todos os dias, sabendo que tudo farei para que aquele dia, seja o melhor e o mais feliz da minha vida!

 

O dia mais feliz com o João

Milorde, 09.11.21

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O meu convidado desta semana é o João Silva do blogue O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista. Como todos sabemos o João é um grande maratonista mas hoje ele está aqui bem quieto, sentado no meu sofá, a tomar um chá de Lúcia-lima para contar-me um dos dias mais felizes da sua vida.

Não estava à espera mas lá recebi um pedido especial vindo da bela (e fictícia) terra Barbalimpa. Se não for uma nova Atlântida, um dia lá irei. Gosto de famílias reais.
 
Indo ao que interessa, o pedido queria que falasse sobre o dia mais feliz da minha vida. Ora bem, mesmo uma pessoa amarga como eu tem dias felizes. Ou momentos, pelo menos. Antes de aceitar, vasculhei no meu portfólio móvel, também chamado de cérebro, não fosse não ter nada de palpável para animar o Milorde.
 
Até tinha. Primeiro, pensei no dia do nascimento do meu filho. Era óbvio e altruísta. Mas vejamos: passei o dia sem ter notícias da minha grávida, a chorar, fui proibido pela maternidade de entrar na sala de partos por causa de um desgraçado de um vírus novo que assolou o planeta e só ao fim de três dias pude ter o meu filho nos braços. Eh pá, o momento foi o melhor da minha vida, mas não estive presente nesse dia. Portanto, tinha de escolher outro: podia ser o dia em que comecei a namorar com a minha esposa ou o do nosso casamento, mas são coisas que não diferem daquelas sessões de fotos que fazemos para mostrar (aborrecer?) os nossos amigos com sentimentos e sensações muito pessoais.
 
Spoiler Alert: ninguém nos vai dizer que o nosso filho é feio ou que o destino de lua de mel que escolhemos foi uma porcaria.
 
O da minha formação académica também não suscitava interesse. Olha, sobrava um, aquele que consumou uma grande mudança na minha vida. Claro está, falo da minha primeira maratona. No Porto, em 2018. Não tivesse o meu corpo dado de si e teria feito mais uma naquela cidade há dois dias. Resumindo, aquele dia foi uma espécie de experiência fora do corpo (olha que clichê maravilhoso!). Porém, foi mesmo muito mais do que esperava.
 
Saímos de Condeixa perto das cinco da manhã com uma pessoa muito especial (o grande Zé Carlos), que nos levou ao Porto (onde também ele correu). Fomos presenteados com chuvinha da boa. Era ótima, na verdade. Caía e fazia doer, tal era a sua frieza e grandeza. Por causa do tempo, esperava pouco apoio. Mas não. Estava tão errado! Mas antes da simbiose que senti com o público, revelo que tive o prazer mágico de entrar numa casa de banho própria para este tipo de eventos. Já tinha usado uma na primeira vez em que fui a uma Queima das fitas. Tirando as bebedeiras com pernas, não havia diferenças, devo dizer. Os estados das ditas casas de banho eram similares. 
 
Portanto, narizes apurados para começar a prova. Ainda houve tempo para tirar umas fotos no palanque dos vencedores. Sim, depois disso vinham lá os etíopes ou os quenianos e queriam o pódio só para eles. Chuva, mais chuva, tanta chuva. Ainda hoje penso que alguém foi buscar a água do mar de Matosinhos, ali ao lado, para nos dar um banho. A hidratação é muito importante nas corridas.
 
Ainda antes do começo da dita prova, "rapinei" uma bandana da EDP que estava num separador físico da estrada. Mas estavam a dar aos atletas na zona de partida! Nunca tinha corrido de bandana. Parecia que ia para a guerra. E ainda hoje sei que fui. Era a minha guerra. A materialização daquilo para que trabalhei durante tanto tempo.
 
Não vos interessa que explique a evolução da prova. Digo-vos apenas que me senti nas nuvens. Nunca fumei nem consumi drogas, mas aqueles chamares da multidão nas ruas fez-me sentir lá em cima, intocável e invencível.
 
A dada altura, já pedia com os braços que viessem comigo, que me apoiassem. Precisava daquilo, daqueles incentivos, daquele impulso. E ver a minha esposa com um impermeável permeável no meio da multidão a chamar por mim aos 15 km/20 km? Nunca tinha sentido nada assim no corpo. Tive a desfaçatez de fechar os olhos, de me deixar guiar pelos gritos, pelos incentivos.
 
Quando cheguei à meta, eu sabia o que estava a sentir. Sabem aquilo que os jogadores da bola dizem, aquilo de ainda nem terem percebido o que lhes aconteceu? Não me aconteceu nada disso. Só lágrimas. Tantas! Mesmo para mim que sou uma "Maria Amélia" (porquê Maria Amélia? Não sei!). Lágrimas e dores. Nas pernas. Desgraçadas das cãibras! E também senti atordoamento, já agora. Então estavam a dar as camisolas de finisher e eu não sabia onde? E se não me dessem uma? Drama disfarçado de calma. E muita chuva. Tanta chuva. Raio da chuva!
 
Terminada a "atuação", era hora de comer para depois seguir viagem. O meu colega Zé Carlos tinha a tradição das Francesinhas depois de cada maratona no Porto. O que fiz eu? O que faço sempre... chonesices e comi um húmus de grão e uma bela salada no Vitaminas. Sim, foi assim que celebrei aquele dia mágico. Assim e com uma taçona de aveia e banana e batatas doces quando cheguei a casa.
 
Agora que penso nisso, nunca se aplicou tanto o nome de "boner killer" à minha pessoa. Sim, sou o João, o boner killer. Mas um que se tornou maratonista em novembro de 2018.
 

O dia mais feliz com a Peixe Frito

Milorde, 02.11.21

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A convidada desta semana da minha recente rubrica é a Peixe Frito. Todos a conhecem aqui no Sapo Blogs e conhecem os seus textos sempre cheios de humor, é impossível não ler os seus escritos sem uma gargalhada! Por mais pessoas assim, por favor. Hoje ela está aqui, sentada no meu sofá a tomar uma chávena de chá, e a contar-me um dos dias mais felizes da sua vida.

O dia mais feliz da minha vida. Ora aí está uma tarefa praticamente impossível, não de ser realizada mas sim de condecorar um dia de toda a minha vida em que a percentagem de euforia bateu os 100% ou andou lá a roçar perto - muito grata por me relembrares que estou a ficar carcaça, querido Milorde. A quantidade de tempo que eu tive ali assim a olhar para a morte da bezerra a ver a minha vida a passar à frente dos meus olhos, só a ver se me recordava de algum dia digno da medalha e o assustador não foi o quase não encontrar o dito mas sim a quantidade de memórias armazenadas que tenho, eu já ali quase a adormecer tal a exorbitância de horas e ainda com direito ao director’s cut, as cenas por detrás dos bastidores (ou pela frente) além das cenas repetidas (a dada altura, acho que fiz como a sardinha e passei pelas brasas), que era cada cavadela cada minhoca, algumas ainda em disquete! Tive de passar tudo para a Cloud, catalogando por ano e categoria, para posterior mais fácil acesso. Uma trabalheira terrível - e após ter gasto resmas de post it’s às cores a marcar episódios e referências em toda a minha vida, mandei tudo às urtigas. Ah pois é. Já vivi muita coisa linda, conheci pessoas e sítios maravilhosos, sei que ainda muito mais a vida me irá prendar e enriquecer.

Não querendo ser a gaja do cliché armada em hippie a dizer “todos os dias são dias lindos e maravilhosos, sou todos os dias feliz e mesmo quando estou em baixo, tento encontrar algo que me aqueça o coração, nem que seja o sol quentinho ou o ouvir os passarinhos chilrearem” - o que, de facto, para mim é verdade. Tento sempre encontrar algo que me alegre e deixe as nuvens negras para trás. É o meu sistema de segurança integrado, senão passo-me e viro furacão, arraso tudo, arranco árvores do chão, ladro a gatinhos e faço olhar matador a toda a gente - todos os dias têm algo especial. Podia partilhar “n” histórias da minha vida mas decidi pela mais simples de todas: o dia em que criei o meu blog. Sim, foi um dos dias da minha vida, em que a lucidez não estava em alta - e falo a sério, estava a viver uma fase conturbada na vida pessoal - mas que ainda assim, arrisquei.

Como se criar um blog fosse algo mega hiper super barbatana. Na altura, para mim era. Senti uma enorme alegria por ter criado o meu espaço e é ele que, de forma consistente, me dá pedaços de alegria diária. Seja porque sempre adorei escrever e finalmente dei a cara - com nick, está certo, mas de certa maneira expus-me - deixando fluir o meu sentido de humor, um pouco comedido mas a fluir, me permitindo a mim ser ainda mais eu própria, seja pelo factor de que adoro interagir com os leitores e amigos bloggers, seja porque conheci a minha melhor amiga através do blog, uma das pessoas que mais amo na minha vida. Por si só, como dá para observar, é um dia ao qual devo imensa gratidão e me dá felicidade. Não necessariamente pelo dia em si, pelo que vivi nele na íntegra, mas porque ele foi um “pressure point” para muitas alegrias de futuro, entre elas, uma amizade como nunca tive e certamente, nenhuma se igualará. Por isso, é isso mesmo. (um dos) dia mais feliz da minha vida foi o dia em que decidi fazer parte da blogosfera, espalhando o terror ciberneticamente (como se o pessoalmente não bastasse), angariando assim uma panóplia de mundos (o dos leitores e amigos), experiências, confidências e amizades que valem o seu peso em ouro (pena que a minha amiga é magra, senão já a tinha rifado por camelos). Todos os pedaços juntos, fazem um dia a bater os 100%, passam até ao infinito e mais além. E melhor que isso, dificilmente - bem, quer dizer... se calhaaaaar... 😉"

 

O dia mais feliz com o Marco

Milorde, 26.10.21

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O segundo convidado desta rubrica é o Marco. Dono de uma escrita peculiar acompanhada sempre com um desenho colorido, o Marco já conquistou muitos leitores pelos blogues. Por vezes está no Sardinha sem Lata mas hoje ele é o meu convidado de honra para nos contar o dia mais feliz da sua vida.

Por vezes é difícil responder a esta pergunta, porque são vários e como eleger um? Vou escolher um da minha infância.

Dia de Natal

Devo ter uns 8 anos e como tradição na minha família, na noite de Natal eu e minha irmã e os meus primos íamos todos à casa dos meus avôs, deixar lá um sapatinho. Era tradição, não sei quem começou, mas fomos educados assim.

Depois ficamos a jogar às cartas e ao loto, os meus avós eram pessoas muito simples do campo e não davam importância a essas coisas era o que tínhamos para distrair nas noites que passávamos lá na casa deles. Naquele tempo não havia telemóveis e os programas de televisão eram de Natal ou estava a dar o “Sozinho em casa” (devo ter visto umas 20 vezes) e para passar o tempo preferíamos jogar.

Quando fomos embora passávamos sempre pelo madeiro para aquecer, porque as noites no interior são geladas , mas a noite ia ser longa para mim, porque estava ansioso pelas prendas, porque só recebia prendas pelo Natal.

Na manhã de Natal tinha que ir à Missa de Natal, e lembro-me que demorava tanto que e era uma seca e não se podia fazer nada senão estar lá parado, depois havia sempre o convívio depois da missa, mas eu já estava em pulgas para ir abrir as prendas, mas tinha que esperar, porque não estava lá ninguém para abrir a porta, quando fomos a casa dos meus avós, fomos todos ver as prendas, a minha era uma caixa grande, que nem cabia no sapato. Quando abri era um camião dos bombeiros telecomandado, com fio claro.

Simplesmente era o melhor presente que tinha recebido e acho que até hoje deve ser o melhor presente que recebi ou que teve mais significado.

O resto do dia já sabem como se passou, foi brincar, brincar, brincar, claro que as pilhas não aguentaram nada, mas brinquei com ele mesmo sem pilhas. Ainda o tenho, tem algumas peças partidas, mas acho que isso faz parte de brincar.

 

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