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Milorde

O dia mais feliz com a LadyVih

Milorde, 21.12.21

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A minha convidada desta semana é a LadyVih, autora do blog A Duquesa e o Gato. A Lady chegou acompanhada pelo seu gato, vestida com um casaco de pelo fofo que lhe chegava até aos joelhos, saltitou por entre as pedras colocadas ao longo do meu jardim para não molhar as suas botas de camurça, e com uma gentileza que só ela tem deu-me um abraço apertado e agradeceu de imediato o convite que lhe fiz, pois diz que o 21 é um número muito especial para ela. E já vão perceber porquê.

O Misha quando viu o acompanhante da Lady ficou logo com um ar de desconfiado e, como dois cavaleiros que se preparam para um duelo, ficaram bastante tempo a olhar-se mas depois o Misha deu meia volta e desapareceu. Rimos os dois pelo sucedido e convidei a Lady a entrar e sentar-se no meu sofá. Pedi à Maria que nos servisse um chá de maçã e canela estava pronto para ouvir o dia mais feliz da Lady.

Ora bons dias ou boas tardes (depende das horas em que estarão a ler isto).

Foi com muito carinho que recebi este convite do Milorde para a sua rubrica. Com mais carinho ainda, pois o mesmo referiu que seria publicada no dia 21 e é um número que tem, para mim, um simbolismo carregado de muito Amor. Como é uma rubrica feliz e em tempo de Natal, é mesmo sobre isso também que eu venho falar.

Nada melhor do que esta época para falar sobre isso, pois o Natal é Família, Amor, Paz, Bondade...

O meu número, como lhe chamo, foi a minha primeira morada - na casa dos meus avós. E foi a morada que escolhi para todas as minhas férias (Verão, Natal, Carnaval...). Costumo dizer que fui nascida e criada no 21. Foi lá que dei os meus primeiros passos, que balbuciei as minhas primeiras palavras, que fiz os meus primeiros amigos, que me escondi com a minha melhor amiga para falar do meu primeiro amor, que aprendi o que era certo e errado... Também foi lá que tive os meus medos pela primeira vez (os incêndios, as cobras, etc), que tive as minhas primeiras quedas, as primeiras cicatrizes...

Fui crescendo, mas o 21 continuava sempre a ser morada dos nossos Natais, dos feriados e dos domingos em família. O 21 era Casa, era Carinho, era Amor. O meu 21 é isso mesmo: Família. É a minha Avó, o meu Avô e o meu Padrinho.

Andei anos a ganhar coragem para tatuar um 21 na minha pele em forma de homenagem. Demorei uma eternidade por medo das amigas agulhas... Mas, há 3 anos atrás, decidi fazer três tatuagens e duas delas em homenagem. Foi a primeira. O meu 21 está agora no meu pulso marcado a tinta, e no meu coração gravado permanentemente, floreado com carinho, cuidado e amor.

A tatuagem, vocês nem sonham a felicidade, o orgulho e emoção que me deu olhar para ela (ainda me dá!). E um dia marcado também por ter conhecido também a minha tatuadora, que é uma das pessoas mais lindas do mundo. Nada é por acaso, acredito. O meu 21 tinha de ser com ela! Não foi num dia 21, mas foi um dia que me encheu a alma!

Obrigada Milorde, pela oportunidade de homenagear, mais um bocadinho, quem me ajudou a ter uma infância feliz. Há sinais que a vida nos dá. E este, nesta época do ano, fez tanto sentido. Obrigada!

 

O dia mais feliz com a Ana D.

Milorde, 07.12.21

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A minha convidada desta semana é a Ana D. autora do blogue Green Ideas. Apaixonada pela escrita a Ana partilha com os seus leitores todos os momentos do seu mundo green. Mal entrou pelos meus portões ficou maravilhada com o jardim que, mesmo com este tempo um pouco cinzento, não perde a sua beleza.

A Maria serviu-nos um chá verde e a Ana estava prontíssima para partilhar comigo o seu dia mais feliz.

Convidou-me Milorde a falar sobre os meus dias felizes. Assim sendo, aqui estou para lhe contar como fui feliz em todos os dias da minha vida com o meu querido Pai, que inesperadamente perdi em março e de quem tenho a maior das saudades.

O meu Pai era um homem extraordinário. Um homem de caráter e de grande resiliência. Sempre afável. Sempre disposto a ajudar. Um apaixonado por História. Um bom conversador. Tínhamos uma cumplicidade sem igual e por isso, quero deixar-lhe aqui nota de quão felizes foram os nossos dias.

 

Meu Pai,
 
Foi feliz cada dia
Em que contigo vivia
E que contigo sorria
Dia após dia!
 
Foram felizes e cheios de alegrias
Todos esses dias
Que caminhámos, lado a lado
Que caminhámos, de braço dado
 
Foram felizes e cheios de alegrias
Todos esses dias
Entre conversas e risadas
Leituras e caminhadas
Com tamanha cumplicidade
E tanto amor e amizade
 
Foram felizes todos os dias 
Que contigo vivi
Desde que nasci
Até que contigo, morri!

O dia mais feliz com Ana de Deus

Milorde, 30.11.21

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A minha convidada desta semana é a Ana de Deus, autora dos blogues Busy as a bee on a rainy day e Os contos da abelha. Tal e qual como uma abelha a Ana foi entrando, com um ramo de flores nas mãos que eu não faço ideia onde ela foi arranja-las, e disse-me que também quer me contar os dias mais felizes da sua vida, sim ela escolheu dois! Pedi à Maria que nos servisse um chá de cidreira com uma colher de mel para que a minha convidada se sentisse em casa e, então, a Ana contou-me o seguinte...

Caro Milorde, estive a ler as participações da Cafeína, do Marco, da Peixe Frito, do João e da Luísa, neste projeto maravilhoso e só lhe posso dar os parabéns pela iniciativa. Adoro celebrar momentos felizes! No meu caso é mais um ano - 1996 - com dois dias muito especiais: o nascimento da minha sobrinha e ser selecionada, entre mais de dois mil candidatos, após meses de provas, para um curso de Jornalismo no CENJOR de Lisboa, e renascer para a vida na minha cidade natal.

Quando a minha sobrinha nasceu o sol voltou a brilhar nas nossas vidas e o Natal voltou a ser mágico. A minha irmã e o pai da minha sobrinha separaram-se quando ela tinha dois anos, mas nesse ano ele esteve presente na noite de Natal com a nossa família. Era suposto ela alternar a consoada entre as duas famílias, mas ela escolheu passar a noite de Natal com a nossa família e o dia de Natal com o pai. Porque nós brincávamos muito, fazíamos peças de teatro.

 

Éramos vinte e quatro abençoados, no curso de Jornalismo e ainda hoje mantemos contacto. Éramos muito unidos e, quando o curso terminou, decidimos encontrarmo-nos todas as primeiras sextas-feiras de cada mês, sempre no mesmo restaurante. E durante anos essa noite era só nossa. Alguns, entre nós, casaram ou vivem em união de facto. Relações felizes. Estivemos presentes nos casamentos uns dos outros. Uns foram padrinhos uns dos outros. Somos mesmo abençoados.

 

O dia mais feliz com o José

Milorde, 23.11.21

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O meu convidado desta semana é o José, autor dos blogues Cheia e Sociedade Perfeita. Gosto sempre de imaginar os poetas com um caderno ou um maço de folhas na mão e foi assim que vi o José entrar pelos portões adentro da minha mansão, contemplando o meu jardim para quiçá encontrar inspiração para mais um dos seus poemas, e num tom jovial deu-me um aperto de mão. Sentamo-nos no meu sofá para degustar um chá de camomila e, como não podia deixar de ser, leu-me um dos seus poemas.

Logo depois o José, perdido em memórias e pensamentos, contou-me um dos dias mais felizes da sua vida.

Sua alteza Milorde convidou-me para o seu salão, para bebermos um chá, e saber qual era o dia mais feliz da minha vida. Mas, fiquei um pouco nervoso, nunca tinha estado num cadeirão tão elegante e nobre.

Por mais que tentasse percorrer os meus muitos anos, não conseguia escolher um dia em que tivesse sido mais feliz que outro. Sempre que tentava selecionar um, outros se indignavam por serem preteridos com a escolha, porque acham que todos foram felizes. Portanto, acham que não devo escolher um, mas todos, porque todos se consideram muito felizes.

Fiz-lhes ver que assim não poderia cumprir com que me tinha sido pedido. Tivemos longas discussões, sem que conseguíssemos chegar a um acordo. Estava a ver que não conseguia sair daquele beco sem saída, até que me lembrei de lhes pedir se me deixavam escolher aquele em que despi a farda da tropa, uma vez que todos estavam de acordo que aqueles quatro anos tinham sido os piores da minha vida.

Parti um pé, com poucas semanas de recruta, faltavam poucos meses para o nascimento da minha filha mais velha. Nasceu, pouco depois de eu ter deixado as muletas (canadianas). Andei um ano a tentar livrar-me da tropa, ou ir para os auxiliares. Até que o médico disse que já chegava, mandou-me a uma junta médica, onde estava outro recruta, que parecia não ter nada, mas saiu com um papel carimbado: dizendo que estava inapto para o serviço militar.

A seguir um dos médicos agarrou no meu processo, já não me lembro se me perguntaram alguma coisa, um deles pegou noutro carimbo que dizia: apto para todo o serviço militar.

Embarquei para Angola, tinha 18 meses, ainda não falava, poucos dias depois estava com a mãe, num estabelecimento, quando entrou um soldado, e ela disse: "à pai”.

Ao fim de um ano, já não suportava as saudades delas, vim passar um mês de férias. Quando me despedi delas, a minha filha disse-me: “até logo”, naquele momento pensei: ou até nunca mais. Palavras, que me moeram o juízo, durante muitos meses!

No dia em que desembarquei, em Lisboa, já com 26 anos, em que arrumei a farda militar, para sempre, em que voltei a abraçar a minha família, depois de ter perdido os primeiros 4 anos da minha filha mais velha, foi um dia diferente.

Infelizmente, poucos dias depois, aquela felicidade foi ensombrada por um sonho, felizmente não passou de sonho: tinha sido mobilizado, novamente, para a guerra. Reagi muito mal, acordei a dizer que nunca mais iria para a guerra, porque antes matava-os, a todos.

 

O dia mais feliz com a Luísa

Milorde, 16.11.21

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A minha convidada desta semana é a Luísa de Sousa. Todos a conhecem não só pela sua simpatia aqui na blogosfera mas também pelos seus 4 blogues: Uma pepita de sucesso; Blog de Moda e Estilo; Guia do Envelhecimento Ativo; Mais boa forma.  Toda cheia de estilo e perfumada, de salto alto e sorriso rasgado avançou pelo meu soalho de braços abertos pronta para me dar um grande abraço. De seguida sentou-se no meu sofá, cruzou a perna, bebeu um gole do chá de erva-príncipe que lhe foi servido pela Maria de bom grado e com os olhos a brilhar contou-me os seus dias mais felizes!

O dia mais feliz da minha vida...

Foi quando tive consciência dos pais maravilhosos que tenho?

Foi quando reconheci a minha irmã como a melhor amiga de brincadeiras?

Foi quando conheci as pessoas que amei e que ainda amo tanto?

Foi quando me casei?

Foi quando acompanhei a construção da casa dos meus sonhos e que ainda vivo até hoje?

Foi quando soube que ia ser mãe pela primeira, segunda e terceira vez?

Foi quando as minhas filhas nasceram?

Foi quando lhes dava de mamar, de comer, o banho, vi o seu primeiro sorriso, ouvi a sua primeira palavra?

Foi enquanto as via crescer e a se tornarem as pessoas maravilhosas que são?

Foi quando terminei a minha licenciatura e mestrado depois dos 40 anos, com muito esforço e dedicação, apesar de trabalhar muito, ser mãe e esposa?

Foi quando, após tantas tentativas, tantos concursos públicos e pedidos de mobilidade, consegui o meu atual trabalho, que adoro?

Foi quando as minhas filhas acabaram o curso, tiveram o seu trabalho e a sua casa?

Foi quando soube que ia ser avó? Quando a Clarinha nasceu? Quando a Clarinha diz que me ama?

É quando sinto que sou a melhor mãe e avó do mundo?

Sim, sim, sim, sim... foram e são todos estes dias, nestes dias e nestes momentos ... que fui e sou muito feliz!

E noutros dias, noutras horas, noutros momentos ... que fui e sou muito feliz!

A lista seria infinita de dias e de momentos de felicidade!

Porque acordo todos os dias, sabendo que tudo farei para que aquele dia, seja o melhor e o mais feliz da minha vida!