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Milorde

O Milorde informa

Milorde, 25.11.22

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O coveiro aqui da vila diz que agora leva mais 50 euros para fazer um enterro devido à inflação. As pessoas tentaram convencê-lo de que o aumento era exagerado - aí uns 20 euros a mais, tudo bem, agora 50 é muito! -, que os materiais que ele utiliza são os mesmos, é mais um trabalho de mão-de-obra, etc. Porém ele está irredutível! Não quer saber do que dizem, fez o seu preço. Quem quiser contratá-lo para o serviço pois muito bem ele irá com prazer, quem achar caro e não quiser pois que arranjem um outro coveiro!

 

A greve dos miúdos

Milorde, 10.11.22

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"Mais de 50 alunos estão esta quinta-feira a bloquear todas as entradas da escola artística António Arroio, em Lisboa" - diz o site da SIC Notícias. "Os ativistas exigem o fim dos combustíveis fósseis e a demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, por já ter sido CEO de uma petrolífera". Reparem na palavra exigem.

Estava a almoçar com a minha mãe quando vi a reportagem na televisão e sinceramente aquilo pareceu-me mais uma festa de jovens que não querem ir para a escola do que uma manifestação séria. Os jovens ocupam uma instituição de ensino, não sei bem porquê, impedem a entrada de todo o pessoal, passam lá o dia entre gritos, música, danças e stories no Instagram, fazem as suas refeições e até dormem lá dentro em sacos-cama e colchões de ginástica. Querem lá vocês uma coisa mais divertida do que aquilo! Qual Sunset qual quê, o que está a bombar agora são as manifestações dentro da escola.

E agora eu pergunto: onde estão os pais deste bando de miúdos?! Eu não sou pai mas se o fosse certamente que não deixaria um filho meu fazer tal coisa, mas isto sou eu que tive uma educação talvez do século passado, penso que já esteja ultrapassado. No meu tempo se eu exigisse alguma coisa levava uma chapada que nunca mais me atreveria a fazê-lo. Eles exigem a demissão de um Ministro... mas está tudo bem ou quê!!

É preciso que estes jovens e toda a população em geral percebam que os produtores de petróleo e gás têm consciência do problema das energias fósseis e investem em energias renováveis mas esta mudança requer tempo senão vamos à destruição da economia mundial.

Resumindo, sou da opinião que toda a gente tem direito a manifestar-se quando assim o entender e com razões que o justifiquem, mas sejamos mais sérios e não ultrapassemos limites. A minha liberdade acaba quando eu invado o espaço do outro.

E agora, que comece o debate, que o circo vai pegar fogo!

O preço do açúcar

Milorde, 13.10.22

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Ontem fui surpreendido pelo preço do açúcar. Estava no Mercadona a fazer as minhas compras e qual não foi o meu espanto que reparei que o quilo do açúcar estava a 1,40€. Li a etiqueta do início ao fim para me assegurar que o produto estava bem etiquetado e, efetivamente, o preço correspondia. "Deve ter havido algum erro, isto não pode estar bem" - pensei eu.

Cheguei à caixa e perguntei ao rapaz que me atendeu se eventualmente não se tinham enganado a etiquetar o preço do açúcar ao qual me respondeu que não, o açúcar aumentou em todo o lado. E que aumento!

Recusei-me a acreditar que tal tivesse acontecido e então atravessei a rua e fui ao Lidl. O açúcar estava a 1,49€ o quilo. "Mas o que é isto?" - perguntei a mim mesmo perplexo. Fiz uma pesquisa no meu telemóvel e vi que o açúcar aumentou, sem que ninguém o prevenisse, assim de um dia para o outro de 0,89€ para 1,49€! Um aumento de quase 70%. Segundo o site Valor de Negócios: a pior seca em 500 anos está a afetar a produção de açúcar na Europa, cuja produção deve cair 6,9% em 2022/23, para 15,5 milhões de toneladas.

Porém no Pingo Doce, por enquanto, a coisa é diferente. Um quilo de açúcar de marca própria custa 1,30€ mas a embalagem de 2 quilos custa 1,69€, este valor dividido por 2 dá cerca de 85 cêntimos o quilo. Ou seja acabamos por pagar o preço anterior por cada quilo. Mas atenção, só pode comprar até 2 embalagens por cliente!

O Milorde da crise económica

Milorde, 05.10.22

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Estamos a passar por um período de crise económica. Os preços dos bens alimentares, do gás, da eletricidade e das taxas de juro dispararam tal como uma bala de canhão que atinge o navio mais debilitado, o povo.

No entanto, e pelo que vejo, a crise económica não afeta assim tanta gente como parece! Para lhes dar um exemplo em concreto, e falo com conhecimento de causa ou não seria uma fonte fidedigna ou até mesmo um género de câmara de vigilância que está sempre atenta a qualquer movimento, digo-vos que vivo perto de um restaurante que tem fama de servir boa comida e que aos domingos e feriados é um pandemónio de gente que vem cá almoçar que era capaz de encher meio estádio de futebol. Os empregados de mesa, pagos a um preço irrisório, não têm mãos a medir.

Os carros - grandes marcas, lustrosos, clássicos até - amontoam-se nos passeios, nos caminhos de terra, e até mesmo na minha garagem se eu deixar o portão aberto! As pessoas todas elegantes nos seus trajes domingueiros fazem uma fila que chega quase até à rua, entretidas nos seus smartphones, à espera de uma mesa.

Já sentados pedem como entrada uma tábua de presunto, enchidos e queijos. Logo depois é servida uma travessa de polvo à lagareiro a 30€ a dose, seguida de sobremesas, cafés e digestivos. Sacam dos seus cartões multibanco para pagar sem mesmo verificarem a conta.

Hoje vou fazer uma omelete de cogumelos e queijo para o meu almoço. Uma refeição simples, barata e rápida para não gastar muito gás.

A ajuda que vou receber do nosso governo este mês é a mesma ajuda que essas pessoas que gastam 50/60€ num almoço vão receber... não sei se estão a perceber o que quero dizer!

E assim vai o nosso país.

Milorde poupadinho

Milorde, 06.09.22

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António Costa anunciou ontem as novas medidas de apoio às famílias.

Estava a grelhar uns cogumelos para os inserir numa boa omelete quando o nosso primeiro ministro começou a falar. A minha mãe colocou o volume da televisão no número 22 para ouvir melhor.

A primeira medida anunciada foi o pagamento de 125 euros a cada cidadão com rendimentos até 2.700 euros mensais.

- Vamos receber este valor por mês até ao final do ano? - perguntou a minha mãe esperançosa.

- Não mãe, é um pagamento único!

- Bem, menos mal. Assim já dá para a ajuda da renda de casa. Mas porque é que ele não baixou o IVA dos produtos alimentares?

Uma boa questão que eu não soube nem sei responder. Não sou economista. Mas creio que faltou muito mais apoios, nomeadamente no gás de botija que muitos portugueses ainda utilizam, principalmente nas aldeias.

Já há alguns meses, depois que esta guerra rebentou e os preços dispararam, que tenho poupado ao máximo nas compras. Tenho me dedicado mais à comida vegetariana que considero mais em conta e melhor para a saúde. A carne e o peixe são vendidos a preço de ouro!

O preço da minha eletricidade não passa os 20 euros mensais, e não, não ando aqui às luz das velas como já me disseram, é uma questão de comprar os eletrodomésticos certos e lâmpadas LED por todo o lado.

Renegoceio o meu contrato de telecomunicações sempre que possível, pouco me importa a fidelização desde que pague o menor preço.

A água é o meu calcanhar de Aquiles. Posso dizer-vos que pago mais na fatura da água que na fatura de eletricidade, e isso não consigo compreender. Tomo duches rápidos, utilizo a água que se perde no duche para o autoclismo (já coloquei uma garrafa com pedras dentro do autoclismo) e mesmo assim a fatura não baixa.

Partilhem comigo também as vossas dicas de poupança porque estas medidas que, supostamente, iriam nos aliviar fazem-me apertar ainda mais o cinto.

Meu querido mês de Agosto

Milorde, 31.08.22

Hoje despedimo-nos de Agosto, um mês de folia. Férias, festas, concertos, celebrações, noitadas, restaurantes cheios, música alta e muito álcool. Que maravilha! (ironia)

Lembro-me de ir a Espinho num desses dias em que o calor era mais abafado que um quarto sem janela, de me dirigir a um restaurante para almoçar e ver uma fila de pessoas que aguardavam por mesa. O senhor que estava na grelha não tinha mãos a medir a tantos pedidos. Com a careca toda suada e um olhar cansado disse-me: people are crazy (as pessoas estão doidas)!

Amanhã começa Setembro, o mês em que se aperta o cinto. Já começo a ver as consequências do esbanjamento. O shopping onde fui ontem, que antes estava à pinha, encontrava-se quase deserto.

"Ai porque tudo está caro, o estado não nos ajuda o suficiente, como é que vamos viver..." Esta cena toda (chamo-lhe cena porque a mim parece-me um filme) faz-me lembrar uma fábula de Jean de La Fontaine que toda a gente conhece: a cigarra e a formiga.

Existem muitas versões mas aquela que mais gosto é:

- Ai senhora formiga ajude-me que eu tenho frio!

- Mas a senhora cigarra o que fez durante o verão? Não apanhou lenha para a fogueira?

- Não minha cara, estive o verão todo a cantar.

- Ai foi, olhe agora dance para se aquecer!

A máquina de café / O preço do café

Milorde, 04.03.22

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Comprei uma máquina de café, a crédito, para pagar em 3 vezes. Ai, o que seria da minha vida sem um cartão de crédito! Espantem-se, meus caros, eu vivi estes anos todos sem uma máquina de café em casa. De verdade.

Não pensem que é uma máquina de café qualquer. Esta não leva cápsulas mas sim café moído que coloco num manípulo tal e qual como aquelas que vemos na cafetaria mas em versão mini. Assim serei mais amigo do ambiente e pagarei muito menos pelo meu café. Sempre a pensar em economizar.

Já repararam no preço do quilo de café que vem em cápsulas? É mais do triplo. Reparei que algumas marcas, com aquelas cápsulas em alumínio de ouro com um café suave e blá blá blá, vendem a 60€ o quilo de café! Um absurdo.

Então, se eu compro uma embalagem de café moído de 250 gramas por menos de 2€, fazendo as contas pago pelo meu café cerca de 8€ o quilo. Uma grande diferença, não é?

Os meus conselhos para hoje: Leiam bem os rótulos, façam as contas, e economizem o mais que puderem, porque isto nao está para brincadeiras!

 

Frio

Milorde, 21.02.22

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Ao domingo a Maria diz que não quer cozinhar. É o seu dia de folga, diz ela e eu não poderia estar mais de acordo porque a mulher bem o merece. Então, como já é habito em todos os domingos, vamos almoçar a um restaurante e desta vez escolhemos um bufete a peso devido à variedade de comida que o restaurante oferece e assim cada um come o que quiser.

"E então, almoçaram bem?" - perguntam vocês. Para responder com sinceridade digo que: não muito bem. Como na maioria dos restaurantes que já frequentei, a comida é servida praticamente fria! É impressionante a quantidade de vezes em que isto me acontece em Portugal. Em países como a França, Bélgica, Suíça, etc., os pratos ou as travessas em que é servida a comida são devidamente aquecidos, para que quando o prato chega ao cliente o mesmo esteja quente. Já para não falar que estávamos com frio dentro do restaurante, a Maria nem sequer despiu o casaco para almoçar.

O mesmo acontece com as casas. Ainda no outro dia vi uma notícia na televisão que dizia: "morre-se de frio em Portugal". Isto é uma vergonha! Porquê? Porque as casas não estão devidamente isoladas, porque não é obrigatório pela lei que a casa tenha aquecimento, porque é permitido alugarem-se casas que não têm as mínimas condições. É o tal "quem está mal, muda-se!" Varremos os problemas para debaixo do tapete.

Eu tenho aquecimento em casa, aquecimento a gás, mas não me atrevo a ligá-lo! Iria consumir uma botija de gás por semana, e ao preço em que está cada botija... feitas as contas eu não ganho o suficiente para pagar o meu aquecimento.

Também tenho um pequeno aquecedor a eletricidade mas só o ligo quando está mesmo muito frio, por uns 15 minutos para ambientar um pouco, pois ainda me lembro quando o deixava ligado por mais tempo e tive que pagar 80€ na fatura no final do mês.

Sejamos fortes!