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Milorde

O Milorde e a corrupção

Milorde, 12.01.23

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O meu carro não passou na inspeção periódica devido a vários problemas que o inspetor tão bem descreveu numa carta vermelha que me estendeu enquanto me disse "tenha um bom dia". Que lata!

Vim para casa chateado como se o mundo todo tivesse culpa de eu ter uma lata velha à qual chamo de carro que as minhas pequenas poupanças me permitiram comprar. Porém nada mais havia a fazer a não ser levá-lo a uma oficina para o arranjar e o preparar para refazer uma nova inspeção. Quando estamos doentes, vamos ao médico; quando o carro não está bem, vamos ao mecânico; é assim a lei da vida.

Liguei para o meu mecânico e a resposta dele à minha situação foi curta: passa por cá quando puderes para nós falarmos. Achei esta resposta estranha. Esperava ouvir um "temos que ver isso" pelo menos.

Quando lá cheguei e lhe mostrei a carta vermelha ele simplesmente me disse em voz baixa: isto vai te ficar muito caro, o melhor a fazer é tu dares-me 65€ e eu vou com o carro a outro centro de inspeções e ele passa.

- 65€ para quê? - perguntei.

- São 30 para a inspeção, 20 para o gajo e 15 para mim para o meu trabalho.

- Qual trabalho? - voltei a perguntar pensando eu que ele iria arranjar alguma coisa.

- O de o levar lá.

Foi esta a nossa conversa, sem tirar nem pôr. Insisti com ele para, no mínimo, fazer um orçamento para ver quanto ficava o conserto do carro e assim tomar uma decisão. Recusou-se a fazê-lo indicando sempre que seria muito caro. Dirigi-me depois a outro mecânico para obter uma segunda opinião e a resposta foi exatamente a mesma. Não vale a pena arranjar, o melhor é dar o dinheiro e o carro fica aprovado.

Claro que eu não sou inocente e sei perfeitamente que estas situações acontecem. Vários amigos me disseram que eu era burro, bastava colocar uma nota de 10€ na mão do inspetor aquando da inspeção e o carro passava com uma folha verde limpa de imperfeições. Eu apenas procurava uma alma caridosa, como se procurasse uma agulha no palheiro, que pegasse no meu carro e me dissesse quanto custava o reparo.

Após algumas tentativas lá encontrei um senhor, que esse sim posso chamar de mecânico, que fez o seu trabalho. O conserto do meu carro ficava por volta dos 120€. Aceitei o orçamento e o senhor reparou o meu carro. Voltei ao centro de inspeções e o meu carro passou sem nenhum problema apontado.

O Milorde é contra e recusa-se a ser conivente com qualquer tipo de corrupção.

O Milorde informa

Milorde, 25.11.22

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O coveiro aqui da vila diz que agora leva mais 50 euros para fazer um enterro devido à inflação. As pessoas tentaram convencê-lo de que o aumento era exagerado - aí uns 20 euros a mais, tudo bem, agora 50 é muito! -, que os materiais que ele utiliza são os mesmos, é mais um trabalho de mão-de-obra, etc. Porém ele está irredutível! Não quer saber do que dizem, fez o seu preço. Quem quiser contratá-lo para o serviço pois muito bem ele irá com prazer, quem achar caro e não quiser pois que arranjem um outro coveiro!

 

O Milorde escandalizado

Milorde, 17.11.22

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Há mais um escândalo que ocorreu nesta vila pacata recentemente e que vou partilhar, ou não fossem vocês leitores ávidos por mexericos, principalmente daqueles bem intrigantes. Sabem bem que Milorde não perde uma oportunidade para vos pôr a par de todos os acontecimentos desta vila.

Acontece que uma professora, aqui há cerca de quatro anos atrás, decidiu abrir um centro de explicações aqui na vila não só para as crianças que tinham dificuldade em aprender mas também para aqueles pais que não têm onde deixar os filhos. Segundo alguns pais - e segundo o relato das próprias crianças -, a docente limitava-se apenas a fazer os trabalhos de casa, dando literalmente as respostas aos exercícios, e depois a meio da tarde faziam um lanche comum, onde as crianças juntavam o lanche que traziam de casa e cada um comia o que quiser, inclusive a professora que não trazia o seu próprio lanche e comias as bolachas quase todas, a gulosa!

Mas esperem, que a história não acaba aqui.

Com a inflação, esta maldita palavra que tem povoado a nossa vida desde o início da guerra, a renda do seu espaço aumentou. A professora não teve outro remédio senão aceitar. Deu a entender aos pais que provavelmente iria tentar arranjar um outro espaço mais barato mas que não se preocupassem, ela iria continuar a fazer tudo igual.

Os pais foram pagando a mensalidade sempre antecipadamente, até ao dia 8 de cada mês, incluindo o corrente mês de novembro. Depois desse pagamento, a professora mandou mensagens aos pais a dizer que não levassem os filhos no dia seguinte pois ela estaria ocupada em arranjar um outro espaço para as suas explicações. Nisto o tempo foi passando, e ela quando contactada dizia dava sempre a desculpa da lentidão das burocracias. Segunda-feira passada os pais encontraram o espaço completamente vazio! A professora tinha retirado tudo do espaço sem dar conhecimento a ninguém e ao contacta-la os pais dão de caras com o voice-mail da própria. A professora simplesmente desapareceu com o dinheiro das mensalidades do mês do novembro.

Os pais estão todo revoltados. Anda aqui uma espécie de caça à professora que está em parte incerta. Ninguém sabe de nada.

 

O preço do açúcar

Milorde, 13.10.22

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Ontem fui surpreendido pelo preço do açúcar. Estava no Mercadona a fazer as minhas compras e qual não foi o meu espanto que reparei que o quilo do açúcar estava a 1,40€. Li a etiqueta do início ao fim para me assegurar que o produto estava bem etiquetado e, efetivamente, o preço correspondia. "Deve ter havido algum erro, isto não pode estar bem" - pensei eu.

Cheguei à caixa e perguntei ao rapaz que me atendeu se eventualmente não se tinham enganado a etiquetar o preço do açúcar ao qual me respondeu que não, o açúcar aumentou em todo o lado. E que aumento!

Recusei-me a acreditar que tal tivesse acontecido e então atravessei a rua e fui ao Lidl. O açúcar estava a 1,49€ o quilo. "Mas o que é isto?" - perguntei a mim mesmo perplexo. Fiz uma pesquisa no meu telemóvel e vi que o açúcar aumentou, sem que ninguém o prevenisse, assim de um dia para o outro de 0,89€ para 1,49€! Um aumento de quase 70%. Segundo o site Valor de Negócios: a pior seca em 500 anos está a afetar a produção de açúcar na Europa, cuja produção deve cair 6,9% em 2022/23, para 15,5 milhões de toneladas.

Porém no Pingo Doce, por enquanto, a coisa é diferente. Um quilo de açúcar de marca própria custa 1,30€ mas a embalagem de 2 quilos custa 1,69€, este valor dividido por 2 dá cerca de 85 cêntimos o quilo. Ou seja acabamos por pagar o preço anterior por cada quilo. Mas atenção, só pode comprar até 2 embalagens por cliente!

O Milorde da crise económica

Milorde, 05.10.22

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Estamos a passar por um período de crise económica. Os preços dos bens alimentares, do gás, da eletricidade e das taxas de juro dispararam tal como uma bala de canhão que atinge o navio mais debilitado, o povo.

No entanto, e pelo que vejo, a crise económica não afeta assim tanta gente como parece! Para lhes dar um exemplo em concreto, e falo com conhecimento de causa ou não seria uma fonte fidedigna ou até mesmo um género de câmara de vigilância que está sempre atenta a qualquer movimento, digo-vos que vivo perto de um restaurante que tem fama de servir boa comida e que aos domingos e feriados é um pandemónio de gente que vem cá almoçar que era capaz de encher meio estádio de futebol. Os empregados de mesa, pagos a um preço irrisório, não têm mãos a medir.

Os carros - grandes marcas, lustrosos, clássicos até - amontoam-se nos passeios, nos caminhos de terra, e até mesmo na minha garagem se eu deixar o portão aberto! As pessoas todas elegantes nos seus trajes domingueiros fazem uma fila que chega quase até à rua, entretidas nos seus smartphones, à espera de uma mesa.

Já sentados pedem como entrada uma tábua de presunto, enchidos e queijos. Logo depois é servida uma travessa de polvo à lagareiro a 30€ a dose, seguida de sobremesas, cafés e digestivos. Sacam dos seus cartões multibanco para pagar sem mesmo verificarem a conta.

Hoje vou fazer uma omelete de cogumelos e queijo para o meu almoço. Uma refeição simples, barata e rápida para não gastar muito gás.

A ajuda que vou receber do nosso governo este mês é a mesma ajuda que essas pessoas que gastam 50/60€ num almoço vão receber... não sei se estão a perceber o que quero dizer!

E assim vai o nosso país.

Milorde poupadinho

Milorde, 06.09.22

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António Costa anunciou ontem as novas medidas de apoio às famílias.

Estava a grelhar uns cogumelos para os inserir numa boa omelete quando o nosso primeiro ministro começou a falar. A minha mãe colocou o volume da televisão no número 22 para ouvir melhor.

A primeira medida anunciada foi o pagamento de 125 euros a cada cidadão com rendimentos até 2.700 euros mensais.

- Vamos receber este valor por mês até ao final do ano? - perguntou a minha mãe esperançosa.

- Não mãe, é um pagamento único!

- Bem, menos mal. Assim já dá para a ajuda da renda de casa. Mas porque é que ele não baixou o IVA dos produtos alimentares?

Uma boa questão que eu não soube nem sei responder. Não sou economista. Mas creio que faltou muito mais apoios, nomeadamente no gás de botija que muitos portugueses ainda utilizam, principalmente nas aldeias.

Já há alguns meses, depois que esta guerra rebentou e os preços dispararam, que tenho poupado ao máximo nas compras. Tenho me dedicado mais à comida vegetariana que considero mais em conta e melhor para a saúde. A carne e o peixe são vendidos a preço de ouro!

O preço da minha eletricidade não passa os 20 euros mensais, e não, não ando aqui às luz das velas como já me disseram, é uma questão de comprar os eletrodomésticos certos e lâmpadas LED por todo o lado.

Renegoceio o meu contrato de telecomunicações sempre que possível, pouco me importa a fidelização desde que pague o menor preço.

A água é o meu calcanhar de Aquiles. Posso dizer-vos que pago mais na fatura da água que na fatura de eletricidade, e isso não consigo compreender. Tomo duches rápidos, utilizo a água que se perde no duche para o autoclismo (já coloquei uma garrafa com pedras dentro do autoclismo) e mesmo assim a fatura não baixa.

Partilhem comigo também as vossas dicas de poupança porque estas medidas que, supostamente, iriam nos aliviar fazem-me apertar ainda mais o cinto.