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Milorde

O dia mais feliz com Ana de Deus

Milorde, 30.11.21

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A minha convidada desta semana é a Ana de Deus, autora dos blogues Busy as a bee on a rainy day e Os contos da abelha. Tal e qual como uma abelha a Ana foi entrando, com um ramo de flores nas mãos que eu não faço ideia onde ela foi arranja-las, e disse-me que também quer me contar os dias mais felizes da sua vida, sim ela escolheu dois! Pedi à Maria que nos servisse um chá de cidreira com uma colher de mel para que a minha convidada se sentisse em casa e, então, a Ana contou-me o seguinte...

Caro Milorde, estive a ler as participações da Cafeína, do Marco, da Peixe Frito, do João e da Luísa, neste projeto maravilhoso e só lhe posso dar os parabéns pela iniciativa. Adoro celebrar momentos felizes! No meu caso é mais um ano - 1996 - com dois dias muito especiais: o nascimento da minha sobrinha e ser selecionada, entre mais de dois mil candidatos, após meses de provas, para um curso de Jornalismo no CENJOR de Lisboa, e renascer para a vida na minha cidade natal.

Quando a minha sobrinha nasceu o sol voltou a brilhar nas nossas vidas e o Natal voltou a ser mágico. A minha irmã e o pai da minha sobrinha separaram-se quando ela tinha dois anos, mas nesse ano ele esteve presente na noite de Natal com a nossa família. Era suposto ela alternar a consoada entre as duas famílias, mas ela escolheu passar a noite de Natal com a nossa família e o dia de Natal com o pai. Porque nós brincávamos muito, fazíamos peças de teatro.

 

Éramos vinte e quatro abençoados, no curso de Jornalismo e ainda hoje mantemos contacto. Éramos muito unidos e, quando o curso terminou, decidimos encontrarmo-nos todas as primeiras sextas-feiras de cada mês, sempre no mesmo restaurante. E durante anos essa noite era só nossa. Alguns, entre nós, casaram ou vivem em união de facto. Relações felizes. Estivemos presentes nos casamentos uns dos outros. Uns foram padrinhos uns dos outros. Somos mesmo abençoados.

 

O dia mais feliz com o José

Milorde, 23.11.21

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O meu convidado desta semana é o José, autor dos blogues Cheia e Sociedade Perfeita. Gosto sempre de imaginar os poetas com um caderno ou um maço de folhas na mão e foi assim que vi o José entrar pelos portões adentro da minha mansão, contemplando o meu jardim para quiçá encontrar inspiração para mais um dos seus poemas, e num tom jovial deu-me um aperto de mão. Sentamo-nos no meu sofá para degustar um chá de camomila e, como não podia deixar de ser, leu-me um dos seus poemas.

Logo depois o José, perdido em memórias e pensamentos, contou-me um dos dias mais felizes da sua vida.

Sua alteza Milorde convidou-me para o seu salão, para bebermos um chá, e saber qual era o dia mais feliz da minha vida. Mas, fiquei um pouco nervoso, nunca tinha estado num cadeirão tão elegante e nobre.

Por mais que tentasse percorrer os meus muitos anos, não conseguia escolher um dia em que tivesse sido mais feliz que outro. Sempre que tentava selecionar um, outros se indignavam por serem preteridos com a escolha, porque acham que todos foram felizes. Portanto, acham que não devo escolher um, mas todos, porque todos se consideram muito felizes.

Fiz-lhes ver que assim não poderia cumprir com que me tinha sido pedido. Tivemos longas discussões, sem que conseguíssemos chegar a um acordo. Estava a ver que não conseguia sair daquele beco sem saída, até que me lembrei de lhes pedir se me deixavam escolher aquele em que despi a farda da tropa, uma vez que todos estavam de acordo que aqueles quatro anos tinham sido os piores da minha vida.

Parti um pé, com poucas semanas de recruta, faltavam poucos meses para o nascimento da minha filha mais velha. Nasceu, pouco depois de eu ter deixado as muletas (canadianas). Andei um ano a tentar livrar-me da tropa, ou ir para os auxiliares. Até que o médico disse que já chegava, mandou-me a uma junta médica, onde estava outro recruta, que parecia não ter nada, mas saiu com um papel carimbado: dizendo que estava inapto para o serviço militar.

A seguir um dos médicos agarrou no meu processo, já não me lembro se me perguntaram alguma coisa, um deles pegou noutro carimbo que dizia: apto para todo o serviço militar.

Embarquei para Angola, tinha 18 meses, ainda não falava, poucos dias depois estava com a mãe, num estabelecimento, quando entrou um soldado, e ela disse: "à pai”.

Ao fim de um ano, já não suportava as saudades delas, vim passar um mês de férias. Quando me despedi delas, a minha filha disse-me: “até logo”, naquele momento pensei: ou até nunca mais. Palavras, que me moeram o juízo, durante muitos meses!

No dia em que desembarquei, em Lisboa, já com 26 anos, em que arrumei a farda militar, para sempre, em que voltei a abraçar a minha família, depois de ter perdido os primeiros 4 anos da minha filha mais velha, foi um dia diferente.

Infelizmente, poucos dias depois, aquela felicidade foi ensombrada por um sonho, felizmente não passou de sonho: tinha sido mobilizado, novamente, para a guerra. Reagi muito mal, acordei a dizer que nunca mais iria para a guerra, porque antes matava-os, a todos.

 

O dia mais feliz com a Luísa

Milorde, 16.11.21

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A minha convidada desta semana é a Luísa de Sousa. Todos a conhecem não só pela sua simpatia aqui na blogosfera mas também pelos seus 4 blogues: Uma pepita de sucesso; Blog de Moda e Estilo; Guia do Envelhecimento Ativo; Mais boa forma.  Toda cheia de estilo e perfumada, de salto alto e sorriso rasgado avançou pelo meu soalho de braços abertos pronta para me dar um grande abraço. De seguida sentou-se no meu sofá, cruzou a perna, bebeu um gole do chá de erva-príncipe que lhe foi servido pela Maria de bom grado e com os olhos a brilhar contou-me os seus dias mais felizes!

O dia mais feliz da minha vida...

Foi quando tive consciência dos pais maravilhosos que tenho?

Foi quando reconheci a minha irmã como a melhor amiga de brincadeiras?

Foi quando conheci as pessoas que amei e que ainda amo tanto?

Foi quando me casei?

Foi quando acompanhei a construção da casa dos meus sonhos e que ainda vivo até hoje?

Foi quando soube que ia ser mãe pela primeira, segunda e terceira vez?

Foi quando as minhas filhas nasceram?

Foi quando lhes dava de mamar, de comer, o banho, vi o seu primeiro sorriso, ouvi a sua primeira palavra?

Foi enquanto as via crescer e a se tornarem as pessoas maravilhosas que são?

Foi quando terminei a minha licenciatura e mestrado depois dos 40 anos, com muito esforço e dedicação, apesar de trabalhar muito, ser mãe e esposa?

Foi quando, após tantas tentativas, tantos concursos públicos e pedidos de mobilidade, consegui o meu atual trabalho, que adoro?

Foi quando as minhas filhas acabaram o curso, tiveram o seu trabalho e a sua casa?

Foi quando soube que ia ser avó? Quando a Clarinha nasceu? Quando a Clarinha diz que me ama?

É quando sinto que sou a melhor mãe e avó do mundo?

Sim, sim, sim, sim... foram e são todos estes dias, nestes dias e nestes momentos ... que fui e sou muito feliz!

E noutros dias, noutras horas, noutros momentos ... que fui e sou muito feliz!

A lista seria infinita de dias e de momentos de felicidade!

Porque acordo todos os dias, sabendo que tudo farei para que aquele dia, seja o melhor e o mais feliz da minha vida!

 

O blogue da Maria

Milorde, 13.11.21

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Apanhei a Maria a mexer no meu computador e qual não foi o meu espanto quando a vi a escrever no meu blogue. Que grande lata! A senhora desfez-se em mil desculpas e como eu sou um coração mole lá a desculpei com a condição de ela não voltar a fazer o mesmo.

- Mas Milorde, sua senhoria, eu estou a adorar poder escrever e contar um pouco da minha história às pessoas!

Como eu a compreendo. Realmente poder sentar-me aqui em frente do computador, contar as minhas histórias, e saber que do lado de lá existem sempre leitores que gostam de ler os nossos textos e querem mais, dá-nos um alento que nos enche de orgulho de nos mesmos.

Então para não haver aqui mais misturas decidimos criar um blogue só para ela, com os textos dela, as histórias dela.

Maria dos Prazeres, a história de uma mulher igual a tantas outras. Porque acredito que muitas mulheres por esse mundo fora irão identificar-se com os seus relatos e emocionarem-se com as suas palavras.

 

O dia mais feliz com o João

Milorde, 09.11.21

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O meu convidado desta semana é o João Silva do blogue O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista. Como todos sabemos o João é um grande maratonista mas hoje ele está aqui bem quieto, sentado no meu sofá, a tomar um chá de Lúcia-lima para contar-me um dos dias mais felizes da sua vida.

Não estava à espera mas lá recebi um pedido especial vindo da bela (e fictícia) terra Barbalimpa. Se não for uma nova Atlântida, um dia lá irei. Gosto de famílias reais.
 
Indo ao que interessa, o pedido queria que falasse sobre o dia mais feliz da minha vida. Ora bem, mesmo uma pessoa amarga como eu tem dias felizes. Ou momentos, pelo menos. Antes de aceitar, vasculhei no meu portfólio móvel, também chamado de cérebro, não fosse não ter nada de palpável para animar o Milorde.
 
Até tinha. Primeiro, pensei no dia do nascimento do meu filho. Era óbvio e altruísta. Mas vejamos: passei o dia sem ter notícias da minha grávida, a chorar, fui proibido pela maternidade de entrar na sala de partos por causa de um desgraçado de um vírus novo que assolou o planeta e só ao fim de três dias pude ter o meu filho nos braços. Eh pá, o momento foi o melhor da minha vida, mas não estive presente nesse dia. Portanto, tinha de escolher outro: podia ser o dia em que comecei a namorar com a minha esposa ou o do nosso casamento, mas são coisas que não diferem daquelas sessões de fotos que fazemos para mostrar (aborrecer?) os nossos amigos com sentimentos e sensações muito pessoais.
 
Spoiler Alert: ninguém nos vai dizer que o nosso filho é feio ou que o destino de lua de mel que escolhemos foi uma porcaria.
 
O da minha formação académica também não suscitava interesse. Olha, sobrava um, aquele que consumou uma grande mudança na minha vida. Claro está, falo da minha primeira maratona. No Porto, em 2018. Não tivesse o meu corpo dado de si e teria feito mais uma naquela cidade há dois dias. Resumindo, aquele dia foi uma espécie de experiência fora do corpo (olha que clichê maravilhoso!). Porém, foi mesmo muito mais do que esperava.
 
Saímos de Condeixa perto das cinco da manhã com uma pessoa muito especial (o grande Zé Carlos), que nos levou ao Porto (onde também ele correu). Fomos presenteados com chuvinha da boa. Era ótima, na verdade. Caía e fazia doer, tal era a sua frieza e grandeza. Por causa do tempo, esperava pouco apoio. Mas não. Estava tão errado! Mas antes da simbiose que senti com o público, revelo que tive o prazer mágico de entrar numa casa de banho própria para este tipo de eventos. Já tinha usado uma na primeira vez em que fui a uma Queima das fitas. Tirando as bebedeiras com pernas, não havia diferenças, devo dizer. Os estados das ditas casas de banho eram similares. 
 
Portanto, narizes apurados para começar a prova. Ainda houve tempo para tirar umas fotos no palanque dos vencedores. Sim, depois disso vinham lá os etíopes ou os quenianos e queriam o pódio só para eles. Chuva, mais chuva, tanta chuva. Ainda hoje penso que alguém foi buscar a água do mar de Matosinhos, ali ao lado, para nos dar um banho. A hidratação é muito importante nas corridas.
 
Ainda antes do começo da dita prova, "rapinei" uma bandana da EDP que estava num separador físico da estrada. Mas estavam a dar aos atletas na zona de partida! Nunca tinha corrido de bandana. Parecia que ia para a guerra. E ainda hoje sei que fui. Era a minha guerra. A materialização daquilo para que trabalhei durante tanto tempo.
 
Não vos interessa que explique a evolução da prova. Digo-vos apenas que me senti nas nuvens. Nunca fumei nem consumi drogas, mas aqueles chamares da multidão nas ruas fez-me sentir lá em cima, intocável e invencível.
 
A dada altura, já pedia com os braços que viessem comigo, que me apoiassem. Precisava daquilo, daqueles incentivos, daquele impulso. E ver a minha esposa com um impermeável permeável no meio da multidão a chamar por mim aos 15 km/20 km? Nunca tinha sentido nada assim no corpo. Tive a desfaçatez de fechar os olhos, de me deixar guiar pelos gritos, pelos incentivos.
 
Quando cheguei à meta, eu sabia o que estava a sentir. Sabem aquilo que os jogadores da bola dizem, aquilo de ainda nem terem percebido o que lhes aconteceu? Não me aconteceu nada disso. Só lágrimas. Tantas! Mesmo para mim que sou uma "Maria Amélia" (porquê Maria Amélia? Não sei!). Lágrimas e dores. Nas pernas. Desgraçadas das cãibras! E também senti atordoamento, já agora. Então estavam a dar as camisolas de finisher e eu não sabia onde? E se não me dessem uma? Drama disfarçado de calma. E muita chuva. Tanta chuva. Raio da chuva!
 
Terminada a "atuação", era hora de comer para depois seguir viagem. O meu colega Zé Carlos tinha a tradição das Francesinhas depois de cada maratona no Porto. O que fiz eu? O que faço sempre... chonesices e comi um húmus de grão e uma bela salada no Vitaminas. Sim, foi assim que celebrei aquele dia mágico. Assim e com uma taçona de aveia e banana e batatas doces quando cheguei a casa.
 
Agora que penso nisso, nunca se aplicou tanto o nome de "boner killer" à minha pessoa. Sim, sou o João, o boner killer. Mas um que se tornou maratonista em novembro de 2018.
 

O dia mais feliz com a Peixe Frito

Milorde, 02.11.21

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A convidada desta semana da minha recente rubrica é a Peixe Frito. Todos a conhecem aqui no Sapo Blogs e conhecem os seus textos sempre cheios de humor, é impossível não ler os seus escritos sem uma gargalhada! Por mais pessoas assim, por favor. Hoje ela está aqui, sentada no meu sofá a tomar uma chávena de chá, e a contar-me um dos dias mais felizes da sua vida.

O dia mais feliz da minha vida. Ora aí está uma tarefa praticamente impossível, não de ser realizada mas sim de condecorar um dia de toda a minha vida em que a percentagem de euforia bateu os 100% ou andou lá a roçar perto - muito grata por me relembrares que estou a ficar carcaça, querido Milorde. A quantidade de tempo que eu tive ali assim a olhar para a morte da bezerra a ver a minha vida a passar à frente dos meus olhos, só a ver se me recordava de algum dia digno da medalha e o assustador não foi o quase não encontrar o dito mas sim a quantidade de memórias armazenadas que tenho, eu já ali quase a adormecer tal a exorbitância de horas e ainda com direito ao director’s cut, as cenas por detrás dos bastidores (ou pela frente) além das cenas repetidas (a dada altura, acho que fiz como a sardinha e passei pelas brasas), que era cada cavadela cada minhoca, algumas ainda em disquete! Tive de passar tudo para a Cloud, catalogando por ano e categoria, para posterior mais fácil acesso. Uma trabalheira terrível - e após ter gasto resmas de post it’s às cores a marcar episódios e referências em toda a minha vida, mandei tudo às urtigas. Ah pois é. Já vivi muita coisa linda, conheci pessoas e sítios maravilhosos, sei que ainda muito mais a vida me irá prendar e enriquecer.

Não querendo ser a gaja do cliché armada em hippie a dizer “todos os dias são dias lindos e maravilhosos, sou todos os dias feliz e mesmo quando estou em baixo, tento encontrar algo que me aqueça o coração, nem que seja o sol quentinho ou o ouvir os passarinhos chilrearem” - o que, de facto, para mim é verdade. Tento sempre encontrar algo que me alegre e deixe as nuvens negras para trás. É o meu sistema de segurança integrado, senão passo-me e viro furacão, arraso tudo, arranco árvores do chão, ladro a gatinhos e faço olhar matador a toda a gente - todos os dias têm algo especial. Podia partilhar “n” histórias da minha vida mas decidi pela mais simples de todas: o dia em que criei o meu blog. Sim, foi um dos dias da minha vida, em que a lucidez não estava em alta - e falo a sério, estava a viver uma fase conturbada na vida pessoal - mas que ainda assim, arrisquei.

Como se criar um blog fosse algo mega hiper super barbatana. Na altura, para mim era. Senti uma enorme alegria por ter criado o meu espaço e é ele que, de forma consistente, me dá pedaços de alegria diária. Seja porque sempre adorei escrever e finalmente dei a cara - com nick, está certo, mas de certa maneira expus-me - deixando fluir o meu sentido de humor, um pouco comedido mas a fluir, me permitindo a mim ser ainda mais eu própria, seja pelo factor de que adoro interagir com os leitores e amigos bloggers, seja porque conheci a minha melhor amiga através do blog, uma das pessoas que mais amo na minha vida. Por si só, como dá para observar, é um dia ao qual devo imensa gratidão e me dá felicidade. Não necessariamente pelo dia em si, pelo que vivi nele na íntegra, mas porque ele foi um “pressure point” para muitas alegrias de futuro, entre elas, uma amizade como nunca tive e certamente, nenhuma se igualará. Por isso, é isso mesmo. (um dos) dia mais feliz da minha vida foi o dia em que decidi fazer parte da blogosfera, espalhando o terror ciberneticamente (como se o pessoalmente não bastasse), angariando assim uma panóplia de mundos (o dos leitores e amigos), experiências, confidências e amizades que valem o seu peso em ouro (pena que a minha amiga é magra, senão já a tinha rifado por camelos). Todos os pedaços juntos, fazem um dia a bater os 100%, passam até ao infinito e mais além. E melhor que isso, dificilmente - bem, quer dizer... se calhaaaaar... 😉"

 

O dia mais feliz com a Cafeína

Milorde, 19.10.21

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Hoje inicio um novo projeto que espero que gostem. Na verdade a ideia surgiu quando vi uma série na Netflix na qual um grupo de pessoas reunidas numa sala falaram sobre o dia mais importante das suas vidas. Achei comovente e pensei que essa ideia seria excelente aqui nos blogues para que todos se conheçam um pouco melhor e para que mais pessoas se sintam cativadas pela nossa escrita e não somente pelas publicações e fotos das redes sociais.

A primeira convidada é a Cafeína. Não me perguntem porquê, apenas senti que ela seria a primeira, que fazia sentido que assim fosse e não me enganei! Ao longo deste texto escrito pela própria podemos ver que apesar de todas as situações pela qual a Cafeína passa e que nos escreve, ela não perde o sentido de humor e isso, meus leitores, é algo que considero uma arma eficaz para a vida.

Sem mais delongas, este foi o dia mais importante da nossa Cafeína.

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Bom dia!

Antes de mais quero agradecer ao Milorde pelo seu gracioso convite e desejar muito sucesso para esta rubrica que agora estreia.

Vou falar e contar a história de um dos dias mais felizes da minha vida que foi o dia em que descobri que me tornaria mãe pela primeira vez.

Corria o ano 2012, era o dia do meu aniversário e, estranhamente, sentia-me muito cansada, ensonada e mal disposta e confesso que estava longe de pensar que tinha um puto aos saltos no interior do meu ser. Tentei desvalorizar a indisposição e passar um dia de anos dentro do normal, mas havia cheiros... cheiros que revolviam as minhas entranhas a ponto de ter que ir chamar o bom do gregório. Mas, como sou uma pessoa determinada e persistente (ahahahahahah 😆) e que por sinal até já me estava a sentir melhor, fui jantar fora.

Chegada ao restaurante, onde estavam a assar frangos, senti o meu estômago a revolver-se e deu-me tanta vontade de fugir dali porque o jantar tinha tudo para correr mal pelo incómodo que os cheiros me causavam. Queridos(as) sapinhos(as), a boa da Cafeína pediu uma posta de perca do Nilo grelhada e marchou, marchou todinha. Até aí tudo bem. A dada altura virei-me para o culpado de todos estes sintomas e disse: "eu preciso de ir para casa dormir!" Ele esbugalhou os olhos e disse que eu só poderia estar doente, que eu estava muito branca. E fomos embora.

Cheguei a casa e voltaram os enjoos (eu estava plenamente convencida que não passava de uma virose) e com os enjoos chegaram os sonos súbitos e com os sonos súbitos chegaram as loucas vontades de comer a meio daquela noite. Bem, posto isto aguardei pelo dia seguinte.

Seis da manhã. Estava mole mas tinha planeado ir laurear a pevide com o homem e fomos. O passeio correu bem até à hora de ir para o restaurante e aquela indisposição voltar a aparecer e fazer cair a ficha. Meu Deus, eu estou grávida!" - Pensei.

Engoli o almoço como quem come ensopado de borrego por delicadeza (detesto carne de borrego) e no regresso a casa passei pela farmácia no intuito de comprar um teste de gravidez. Comprei o teste e assim que cheguei enfiei-me na casa de banho e no teste fui avaliada com dois risquinhos positivos com direito a um menino nos braços em Junho de 2013. E foi assim. Hoje o puto já tem oito aninhos e um mano mais novo.

Espero que tenham gostado da minha história e mais uma vez obrigada ao Milorde pelo qual tenho muito apreço.

 

Queres fazer parte deste projeto? Escreve-me e conta-me o dia mais importante da tua vida!

A bebedeira do Chico

Milorde, 07.10.21

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O Chico ontem à noite já estava com uma bebedeira tamanha que ao falar babava-se todo, como se a sua língua fosse grande demais para a sua boca. O filho dele pediu ao Jorge, dono do café restaurante, para lhe preparar um prato de frango de churrasco para o jantar mas o Chico pouco comeu, a caneca de vinho tinto essa foi esvaziada em poucos minutos.

- Ó Fernando, é melhor levares o teu pai para casa - alguém lhe disse - senão ele ainda vai se sentir mal de tanto vinho que está a beber.

O Fernando bem queria levar o pai para casa mas o Chico debatia-se, dizia que não queria ir, que queria ver o jogo do Porto até ao fim, até ao ponto em que a certa altura o homem caiu no chão a espernear as pernas e a babar-se da boca.

- Chamem os bombeiros! - Berrou o Zé, também ele já a balançar-se, que o "vento" era muito!

Os bombeiros chegaram com os faróis acesos e a sirene a tocar e eu só queria que vocês vissem a cara deles quando o Chico se levantou do chão e disse que estava bem, mas o "vento" era tanto que o homem balançava como varas verdes.

- Eu não sei se devemos levá-lo ao hospital ou não - disse a bombeira mas, após uma chamada telefónica para uma médica, lá decidiram levar o Chico ao hospital. O Fernando não seguiu com ele, pediu para lhe ligaram quando o pai estivesse pronto (como se o senhor fosse a uma consulta e não a uma urgência hospitalar) e pediu mais uma cerveja ao Jorge.

No dia a seguir a Maria perguntou ao Fernando se o seu pai já estava melhor e ele respondeu que sim, já estava em casa a curar.

- E sabes o que ele disse no hospital? Que eu lhe tinha batido! Agora tenho que ir ao posto da GNR prestar declarações.

 

Um escândalo!

Milorde, 04.10.21

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O Artur, mais conhecido por ganso por ter um pescoço comprido que levanta sempre que passa um carro pela rua para ver quem é, foi apanhado pelo seu amigo e companheiro de casa a ter sexo com a mulher dele. Foi um escândalo enorme aqui na vila de Barbalimpa com direito a espetáculo do bom em praça pública, e não foi preciso comprar bilhete para assistir! Houve ameaças de morte com armas brancas, choro, gritos, tentativa de suicídio e a presença da GNR para aclamar os ânimos, não vá o diabo tece-las.

A Carla só chorava e a certa altura gritou ao seu marido que ele não a satisfazia na cama e ela teve que se desenrascar! O marido, coitado!, tentava a todo o custo ver-se livre dos homens que o agarravam para deitar as mãos ao pescoço do ganso para o esfolar.

Ao que a Maria conseguiu apurar mais tarde, o marido chegou a casa mais cedo do trabalho e ouviu uns gemidos estranhos. A princípio pensava que era o gato deles que estava com o cio mas depois percebeu que o cio era outro! O ganso voou pela janela fora ainda com as calças na mão e só parou no café do Jorge para beber uma mini fresquinha, assim para despistar, mas não adiantou. O marido pegou na foice de cortar a erva e dirigiu-se furioso para lá com a mulher aos gritos atrás: chamem a GNR, chamem, que o meu marido vai cometer uma desgraça!

A GNR lá veio e tomou conta da ocorrência e se o marido não tivesse escondido a foice ia passar uma noite na esquadra para pensar na vida. Quanto ao ganso, veio pedir asilo na minha casa, mas eu logo lhe disse que não tinha uma capoeira e ele foi-se embora a abanar a cabeça e a fumar o seu cigarro deixando um rasto de fumo pelo ar.

 

A Branca

Milorde, 02.10.21

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Depois da publicação de quinta-feira, que gerou um grande debate por estas bandas, decidi hoje escrever sobre outra situação algo parecida mas com um toque de humor, que é para isso que cá estou e não para lançar a discórdia como se isto fosse o Facebook da Cristina Ferreira.

Ora aqui há uns anos saí à noite com uns amigos para beber um copo num bar. Entre os meus amigos estava a Branca, uma mulher muito simpática e doce que tenho o prazer de chamar de amiga. A certa altura, um homem africano aproximou-se de nós e dirigiu-se a essa minha amiga com a intenção de conhecê-la, oferecendo-lhe uma bebida. Quando ele lhe perguntou o nome, ela respondeu:

- Branca.

O homem africano olhou muito surpreendido para ela e logo depois respondeu-lhe com cara de poucos amigos:

- Também não precisas de falar assim - e foi-se embora.

A Branca ficou tão constrangida e perturbada que eu tive que a convencer de que ela não tinha culpa e nada do que se envergonhar, apenas se tratava do próprio nome dela.