Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Milorde

O Milorde aniversariante

Milorde, 11.10.22

cake-g9336b50a9_1920.jpg

Faz 3 anos que iniciei este projeto bonito do qual me orgulho cada dia que passa.

Inicialmente o Milorde era apenas uma personagem por mim criada num mundo totalmente imaginário e rodeado de outras personagens inventadas, uma história doida que a minha imaginação teimava a não abandonar. Com o tempo percebi que a minha escrita tinha melhorado consideravelmente e toda aquela história começou a não fazer sentido. Precisei de uma pausa para colocar as ideias em ordem. Sentia-me perdido porque o Milorde era muito mais que uma comédia, uma fantochada, o que ele tinha para oferecer ultrapassava toda aquela imaginação inicial. Ele impôs-se, disse-me "basta! eu não quero ser assim", eu deixei-me levar por ele e agora chegamos juntos a um caminho que me parece ser prometedor.

Chegou a hora de deixar o Milorde brilhar!

Ao longo desta jornada fomos criando raízes numa equipa que nos acolheu de braços abertos, que nos deu espaço para crescer e dar frutos, e por isso serei grato a todos vocês - seguidores e equipa do Sapo Blogs - que me acompanham e me incentivam a escrever mais e melhor. Obrigado, este projeto também é vosso.

O dia mais feliz com Ana de Deus

Milorde, 30.11.21

O dia mais feliz.png

A minha convidada desta semana é a Ana de Deus, autora dos blogues Busy as a bee on a rainy day e Os contos da abelha. Tal e qual como uma abelha a Ana foi entrando, com um ramo de flores nas mãos que eu não faço ideia onde ela foi arranja-las, e disse-me que também quer me contar os dias mais felizes da sua vida, sim ela escolheu dois! Pedi à Maria que nos servisse um chá de cidreira com uma colher de mel para que a minha convidada se sentisse em casa e, então, a Ana contou-me o seguinte...

Caro Milorde, estive a ler as participações da Cafeína, do Marco, da Peixe Frito, do João e da Luísa, neste projeto maravilhoso e só lhe posso dar os parabéns pela iniciativa. Adoro celebrar momentos felizes! No meu caso é mais um ano - 1996 - com dois dias muito especiais: o nascimento da minha sobrinha e ser selecionada, entre mais de dois mil candidatos, após meses de provas, para um curso de Jornalismo no CENJOR de Lisboa, e renascer para a vida na minha cidade natal.

Quando a minha sobrinha nasceu o sol voltou a brilhar nas nossas vidas e o Natal voltou a ser mágico. A minha irmã e o pai da minha sobrinha separaram-se quando ela tinha dois anos, mas nesse ano ele esteve presente na noite de Natal com a nossa família. Era suposto ela alternar a consoada entre as duas famílias, mas ela escolheu passar a noite de Natal com a nossa família e o dia de Natal com o pai. Porque nós brincávamos muito, fazíamos peças de teatro.

 

Éramos vinte e quatro abençoados, no curso de Jornalismo e ainda hoje mantemos contacto. Éramos muito unidos e, quando o curso terminou, decidimos encontrarmo-nos todas as primeiras sextas-feiras de cada mês, sempre no mesmo restaurante. E durante anos essa noite era só nossa. Alguns, entre nós, casaram ou vivem em união de facto. Relações felizes. Estivemos presentes nos casamentos uns dos outros. Uns foram padrinhos uns dos outros. Somos mesmo abençoados.

 

O dia mais feliz com o José

Milorde, 23.11.21

O dia mais feliz.png

O meu convidado desta semana é o José, autor dos blogues Cheia e Sociedade Perfeita. Gosto sempre de imaginar os poetas com um caderno ou um maço de folhas na mão e foi assim que vi o José entrar pelos portões adentro da minha mansão, contemplando o meu jardim para quiçá encontrar inspiração para mais um dos seus poemas, e num tom jovial deu-me um aperto de mão. Sentamo-nos no meu sofá para degustar um chá de camomila e, como não podia deixar de ser, leu-me um dos seus poemas.

Logo depois o José, perdido em memórias e pensamentos, contou-me um dos dias mais felizes da sua vida.

Sua alteza Milorde convidou-me para o seu salão, para bebermos um chá, e saber qual era o dia mais feliz da minha vida. Mas, fiquei um pouco nervoso, nunca tinha estado num cadeirão tão elegante e nobre.

Por mais que tentasse percorrer os meus muitos anos, não conseguia escolher um dia em que tivesse sido mais feliz que outro. Sempre que tentava selecionar um, outros se indignavam por serem preteridos com a escolha, porque acham que todos foram felizes. Portanto, acham que não devo escolher um, mas todos, porque todos se consideram muito felizes.

Fiz-lhes ver que assim não poderia cumprir com que me tinha sido pedido. Tivemos longas discussões, sem que conseguíssemos chegar a um acordo. Estava a ver que não conseguia sair daquele beco sem saída, até que me lembrei de lhes pedir se me deixavam escolher aquele em que despi a farda da tropa, uma vez que todos estavam de acordo que aqueles quatro anos tinham sido os piores da minha vida.

Parti um pé, com poucas semanas de recruta, faltavam poucos meses para o nascimento da minha filha mais velha. Nasceu, pouco depois de eu ter deixado as muletas (canadianas). Andei um ano a tentar livrar-me da tropa, ou ir para os auxiliares. Até que o médico disse que já chegava, mandou-me a uma junta médica, onde estava outro recruta, que parecia não ter nada, mas saiu com um papel carimbado: dizendo que estava inapto para o serviço militar.

A seguir um dos médicos agarrou no meu processo, já não me lembro se me perguntaram alguma coisa, um deles pegou noutro carimbo que dizia: apto para todo o serviço militar.

Embarquei para Angola, tinha 18 meses, ainda não falava, poucos dias depois estava com a mãe, num estabelecimento, quando entrou um soldado, e ela disse: "à pai”.

Ao fim de um ano, já não suportava as saudades delas, vim passar um mês de férias. Quando me despedi delas, a minha filha disse-me: “até logo”, naquele momento pensei: ou até nunca mais. Palavras, que me moeram o juízo, durante muitos meses!

No dia em que desembarquei, em Lisboa, já com 26 anos, em que arrumei a farda militar, para sempre, em que voltei a abraçar a minha família, depois de ter perdido os primeiros 4 anos da minha filha mais velha, foi um dia diferente.

Infelizmente, poucos dias depois, aquela felicidade foi ensombrada por um sonho, felizmente não passou de sonho: tinha sido mobilizado, novamente, para a guerra. Reagi muito mal, acordei a dizer que nunca mais iria para a guerra, porque antes matava-os, a todos.

 

O dia mais feliz com a Luísa

Milorde, 16.11.21

O dia mais feliz.png

A minha convidada desta semana é a Luísa de Sousa. Todos a conhecem não só pela sua simpatia aqui na blogosfera mas também pelos seus 4 blogues: Uma pepita de sucesso; Blog de Moda e Estilo; Guia do Envelhecimento Ativo; Mais boa forma.  Toda cheia de estilo e perfumada, de salto alto e sorriso rasgado avançou pelo meu soalho de braços abertos pronta para me dar um grande abraço. De seguida sentou-se no meu sofá, cruzou a perna, bebeu um gole do chá de erva-príncipe que lhe foi servido pela Maria de bom grado e com os olhos a brilhar contou-me os seus dias mais felizes!

O dia mais feliz da minha vida...

Foi quando tive consciência dos pais maravilhosos que tenho?

Foi quando reconheci a minha irmã como a melhor amiga de brincadeiras?

Foi quando conheci as pessoas que amei e que ainda amo tanto?

Foi quando me casei?

Foi quando acompanhei a construção da casa dos meus sonhos e que ainda vivo até hoje?

Foi quando soube que ia ser mãe pela primeira, segunda e terceira vez?

Foi quando as minhas filhas nasceram?

Foi quando lhes dava de mamar, de comer, o banho, vi o seu primeiro sorriso, ouvi a sua primeira palavra?

Foi enquanto as via crescer e a se tornarem as pessoas maravilhosas que são?

Foi quando terminei a minha licenciatura e mestrado depois dos 40 anos, com muito esforço e dedicação, apesar de trabalhar muito, ser mãe e esposa?

Foi quando, após tantas tentativas, tantos concursos públicos e pedidos de mobilidade, consegui o meu atual trabalho, que adoro?

Foi quando as minhas filhas acabaram o curso, tiveram o seu trabalho e a sua casa?

Foi quando soube que ia ser avó? Quando a Clarinha nasceu? Quando a Clarinha diz que me ama?

É quando sinto que sou a melhor mãe e avó do mundo?

Sim, sim, sim, sim... foram e são todos estes dias, nestes dias e nestes momentos ... que fui e sou muito feliz!

E noutros dias, noutras horas, noutros momentos ... que fui e sou muito feliz!

A lista seria infinita de dias e de momentos de felicidade!

Porque acordo todos os dias, sabendo que tudo farei para que aquele dia, seja o melhor e o mais feliz da minha vida!

 

A Branca

Milorde, 02.10.21

woman-ge9873041a_1920.jpg

 

Depois da publicação de quinta-feira, que gerou um grande debate por estas bandas, decidi hoje escrever sobre outra situação algo parecida mas com um toque de humor, que é para isso que cá estou e não para lançar a discórdia como se isto fosse o Facebook da Cristina Ferreira.

Ora aqui há uns anos saí à noite com uns amigos para beber um copo num bar. Entre os meus amigos estava a Branca, uma mulher muito simpática e doce que tenho o prazer de chamar de amiga. A certa altura, um homem africano aproximou-se de nós e dirigiu-se a essa minha amiga com a intenção de conhecê-la, oferecendo-lhe uma bebida. Quando ele lhe perguntou o nome, ela respondeu:

- Branca.

O homem africano olhou muito surpreendido para ela e logo depois respondeu-lhe com cara de poucos amigos:

- Também não precisas de falar assim - e foi-se embora.

A Branca ficou tão constrangida e perturbada que eu tive que a convencer de que ela não tinha culpa e nada do que se envergonhar, apenas se tratava do próprio nome dela.

 

E a Condessa partiu!

Milorde, 15.09.21

Ah esperem... deixem-me só limpar algumas teias de aranha que se instalaram aqui.

- Maria, traga-me cá uma vassoura, por favor!

Ai que horror! Uma pessoa deixa de vir cá por uns tempos e as aranhas tratam logo de tecer as suas teias para apanharem as moscas que, coitadas!, andam aqui a voar de um lado para o outro como bestas.

Bem, agora parece-me bastante melhor!

 

Caríssimos,

Voltei aqui para vos dar uma excelente notícia... a Condessa partiu! É verdade, esta manhã a senhora fez as suas malas e, de cabeça erguida, partiu para terras francesas. Dizia ela que lhe faltava o seu fromage camembert, o seu foie gras, os escargots de Bourgogne, e claro o seu Champagne Français.

Já vais tarde! - apeteceu-me dizer-lhe mas também eu mantive a classe que a situação exigia.

 

Agora somos apenas três; eu, a Maria e o Sebastião. Ah, e o misha! Ia me esquecendo do raio do gato!

E atenção, porque estou aqui com umas ideias novas para este meu estaminet que espero que vão gostar. Fiquem desse lado, eu volto amanhã, prometo!

9440.jpg

 

O Milord do quotidiano

Milorde, 02.09.20

esta.jpg

Santo António com o Menino Jesus em pintura de Stephan Kessler

 

A Maria colocou uma jarra de sumo arroxeado em cima da mesa para o pequeno-almoço. Olhei-a interrogativamente.

- É sumo de ameixa, Milord. Ajuda a melhorar a sua prisão de ventre - esclareceu-me - e, antes que pergunte, não as comprei. Roubei algumas do quintal da vizinha.

- Maria, começo a gostar cada vez mais de si!

A fruta está caríssima! Até eu, quando vou fazer as minhas caminhadas, roubo (ou melhor dizendo, pego!) alguns pêssegos do quintal do Sr. Abílio. Bolinhas, a sua cadela de estimação, já é velha e não consegue correr atrás de mim, então limita-se a fitar-me com aqueles olhos mortiços, abre a boca de sono e deita o focinho nas patas dianteiras, fazendo de conta que não me vê. É tão fácil!

Todos descem a escadaria da minha mansão que range sob o peso dos seus pés para se sentarem à mesa. Sebastião é o primeiro a servir-se. Lá diz a música: "Sebastião come tudo, tudo, tudo...".

O burburinho instala-se, já não consigo ouvir os acordes de Vivaldi do rádio que me relaxam, um outro dia que começa. No entanto, a emissão é interrompida para uma notícia de última hora:

"Continuam os roubos de arte sacra na nossa aldeia, e desta vez foi na igreja. Mais imagens de santos foram roubadas, unclusive a do Santo padroeiro da nossa aldei, o Santo António e, ao que consegui apurar, também desapareceram uns ténis de marca que pertenciam ao sr. Padre e umas moedas que o próprio deixou na sacristia para no dia seguinte comprar pão. O sr. Padre está transtornado porque, ao que parece, não ouviu um único som devido à telenovela que estava a assistir na televisão."

Logo depois ouviu-se a voz do padre:

"Eu coloco o volume da televisão no 50 sabe, a minha audição já não é o que era, e estava a prestar muita atenção porque era no episódio de ontem que se ia descobrir que a mulher estava a cometer um adultério com o melhor amigo do marido, e olhe não dei por nada!"

A voz da jornalista voltou a ouvir-se:

"A população está indignada! Ainda no dia de hoje vai haver uma manifestação à porta da GNR da aldeia que, segundo os habitantes, vai acontecer entre as 18 e as 19 horas, porque a seguir é hora do jantar e no restaurante do Matias vai haver porco no espeto".

A emissão foi retomada mas com outra música diferente, desta vez a Ágata cantava que prefere estar sozinha. A Maria ficou com um ar triste.

- Roubaram a imagem de Santo António. E agora, a quem vou eu pedir um novo marido?

- Ó mãe, sinceramente, não acha que já está um pouco velha para isso? - perguntou o Sebastião.

A Maria deu-lhe uma sapatada na nuca que o rapaz quase batia com o nariz no prato.

- Tu cala-te, que a conversa ainda não chegou ao galinheiro!

A Condessa, que até então estivera muda, deu o ar de sua graça:

- Eu vou dar uma pequena doação à igreja, e acho que deveria fazer o mesmo, mon cher Milord.

Todos os olhares se puseram em mim. Engasguei-me com um pedaço de pão e, se não fosse a Maria a bater-me nas costas, estava a ver que morria sufocado. Esta mulher endoideceu!

- Ça va, Milord?

- Ah oui, madame! Tout va bien. Eu vou pensar no assunto com carinho, prometo - disse para terminar o assunto.

A Maria deu uma gargalhada e disse bem alto, a caminho da cozinha: desista senhora, esse aí não abre a mão nem para dizer adeus!

 

Milord observa a arte

Milorde, 26.08.20

David - Florença

Davi - Galleria dell'Accademia, Florença

Nestes dias de calor só me apetece andar assim pela casa. Obviamente que não tenho o mesmo corpo que essa escultura que eu, muito gentilmente, partilho hoje com vocês para que a possam observar e tirar as vossas conclusões acerca do tamanho da "arte"! No entanto, posso afirmar que Milord nasceu com... outros atributos, digamos assim.

Milord não gosta do calor, é verdade! É ver as temperaturas a subir e o meu humor a descer. Se pudesse fazer como os ursos, mas no sentido contrário da coisa, hibernava durante todo o verão e só voltaria ao ativo no outono. Posso me comparar a um bombom da Ferrero Rocher, passo a publicidade, que sai de circulação em Maio/Junho e regressa em Outubro para não perder a sua qualidade.

E agora vocês perguntam: então Milord, hoje não há nenhuma história engraçada com as suas personagens?

E eu respondo: Não! Que eu também estou aqui para falar de coisas sérias.