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Milorde

Racismo

Milorde, 30.09.21

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Não sou muito de escrever sobre este assunto porque quero acreditar que aquilo que presenciei hoje seja uma situação que acontece com menos frequência, e ainda bem que assim é, mas infelizmente ainda acontece!

Hoje fui almoçar a um restaurante que serve diárias a um preço acessível e onde a maioria dos trabalhadores da zona vão lá almoçar. O restaurante estava cheio, era uma azáfama lá dentro onde os empregados corriam de um lado para o outro para servir o maior número de clientes possível.

Foi pedida uma sopa a uma funcionária atarefada. Ela disse "trago já" e continuou o seu trajeto. Com a confusão, e eu percebo isso muito bem até porque já fui empregado de mesa, a funcionária esqueceu-se da sopa. O trabalhador e cliente ficou com cara de poucos amigos. Levantou-se, disse aos seus colegas que já não lhe apetecia a sopa, e dirigiu-se ao balcão. Quando viu a funcionária disse bem alto:

Ó preta tira-me um café!

A funcionária olhou muito séria para o rapaz e não teve coragem, ou não quis, de lhe responder e continuou a sua vida. Estava imensa gente naquela sala e todos fizeram ar de não ter ouvido absolutamente nada. Eu, sozinho, também não tive coragem de o abordar. Se tive medo, tal como os outros? Talvez sim. A verdade é que também me calei e fui para casa com o coração angustiado por saber que ainda existem pessoas capazes de tamanha falta de respeito.

3 comentários

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    João 01.10.2021

    Nem mais! O termo "preta" não é insultuoso como também o não é "mulher". Depende do contexto. Hoje, os histéricos da geração mais aselha da História querem ver racismo ou insultos em tudo. Eu já fui insultado por gente que estava atrás de mim numa fila numa bomba de gasolina para pagar o consumo feito quando o meu filho, na altura com uns 7 anos, trouxe-me uma revista para crianças para juntar à compra. Não é que fui ameaçado por "monstro" de 2x2m2, daqueles carecas que estão sempre a resfolgar que nem touros e cujo cérebro compete com uma ervilha e deve tudo à inteligência agindo sempre como um animal irracional, atrás de mim porque "entendeu" ele que eu deveria ter pedido licença para pagar a dita revista junto com a gasolina? Ainda por cima teve a "ajuda" de uma histérica que dizia que eu não estava ali para fazer compras!!! Ele, a dita mulherzinha _ vêm o desprezo como digo isto? - mais um tipo armado em pacóvio - lá está -, entendiam que eu deveria ter pedido licença aos que estavam atrás de mim, quando eu já ali estava há uns 20 minutos e estava precisamente na minha vez de pagar. Veio atrás de mim até ao meu carro abriu a porta - coisa que nem reparei na altura tais eram os insultos que as criaturas me dirigiam. Vejam só o horror a tragédia o inferno, pagar uma revista com a gasolina de 1,90€. A minha esposa estava dentro da viatura com nauseada e tonta devido ao tratamento de um segundo cancro, trazia uma "pera" relativa à quimioterapia que fazia na altura peito -. íamos para radioterapia. Acham que aquelas bestas quiseram saber disso para alguma coisa? Claro que não. Lá me defendi, não saí sequer machucado - fui fuzileiro, assusto-me com pouca - depois fui eu quem foi atrás do troll, a perguntar-lhe aonde estão tipos como ele quando as coisas correm mesmo mal? Nunca vi esses "cromos de cave da mãe" em lado algum muito menos em tropas especiais. Eu que desde tenra idade acompanhei o meu pai nas suas comissões por África, onde esteve toda a guerra que os terroristas internacionais promoveram contra Portugal. Por falar de ultramar, sabiam que por sinal eramos ensinados na escola a dizer "pessoa de cor" e não negro ou preto? Pois é, hoje só ouço brutamontes de esquerda e direita a classificar as pessoas por qualquer diferença, até pelo tamanho do nariz, sobretudo quando se trata de um básico imbecil e troglodita que vive de costas curvadas ao serviço de um dono qualquer que age sempre como um animal seja a pessoa seja preta, branca, amarela, azul ou às bolinhas. Tal como esse indivíduo com que se cruzou, são bestas irracionais incapazes de qualquer empatia com o "outro", isso designa-as desde logo: Quanto a esses não me contenho, porque infelizmente nascem "coisas" dessas todos os dias e existem em todo lado e em todas as sensibilidades, não me venham para cá com sermões de moralidade bacoca ou fingimentos de muito "choque", hoje há gente sempre muito chocada, mas que se enfiam muito fundo no seu buraco. E, não, não somos iguais e ainda bem.
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    João Marcelino 02.10.2021

    O termo "preta" não é insultuoso como também o não é "mulher".
    Quando li o seu texto, lembrei-me de uma visita que fiz a amigos no interior do Nordeste brasileiro. Lá em casa, tinham uma funcionária que tratavam como se fosse familia, mas a quem tratavam por "preta". Eu não me senti á vontade por chamar assim a senhora, perguntei-lhe o nome, e ela respondeu, "é preta mêmo".
    Não duvido que há gente que se orgulha da cor que têm, enquanto outros, infelizmente, a usam como pretexto para ofender. O que realmente conta, e define o grau de civilidade de cada um de nós, é o respeito (ou falta dele), que temos pelos outros,e a forma como o manifestamos.
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