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Milorde

A limusina

Milorde, 18.02.22

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Deveria ter os meus 10 anos quando o meu tio comprou uma Peugeot 505. A carrinha era comprida e sempre que ia dar um passeio com ele imaginava-me dentro de uma limusina tal como a princesa Diana. Fazia questão de me sentar nos bancos de trás e acenava às pessoas que encontrava na rua enquanto o vento revolvia os meus cabelos, ao som de músicas portuguesas das cassetes que ele tinha.

O mais engraçado é que a carrinha tinha alguma proteção contra as crianças e as portas de trás não abriam por dentro, era o meu tio que tinha de as abrir, tal e qual como se ele fosse um chofer e eu uma pessoa de alta sociedade.

Sempre que jantávamos com ele eu vestia a minha melhor roupa e no restaurante pedia um prego no prato porque sabia que trazia sempre uma fatia de queijo e outra de fiambre, uma regalia que raramente tinha em casa.

Já não sei o que aconteceu a essa carrinha, provavelmente deve estar numa sucata ou simplesmente destruída numa pilha de metal compactado, mas as memórias que tenho dela ainda estão dentro da minha cabeça tão vivas que certo dia cruzei-me com um modelo parecido e lembrei-me de tudo isto.

 

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