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Milorde

O Milorde e aquela tossezinha

Milorde, 22.10.22

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Chega o outono e apanho uma constipação, é tão certo como dois e dois serem quatro. Começo sempre por tomar um multivitamínico lá para meados de setembro mas mesmo assim o meu sistema imunitário deve ser tão fraquinho que basta as temperaturas baixarem um pouco e tenho logo o pingo no nariz e a garganta que arranha, acompanhado claro da nossa amiga tosse. Aquela tossezinha irritante que se aloja na nossa garganta e lhe faz cócegas só pelo prazer de nos ouvir a tossir a cada minuto que se passa.

E antes que vocês venham aqui falar-me da covid e que deveria fazer um teste só para despiste e bla bla bla, esqueçam! Eu recuso-me a enfiar aquela maldita zaragatoa pelo nariz adentro outra vez nas mãos de uma farmacêutica bruta que ainda tem o descaramento de me dizer "relaxe". Não aguento. Já me bastam os sprays nasais para a minha sinusite que também tenho que os enfiar quase até ao cérebro e sentir aquele jato de substância líquida e ardente que me faz chorar dos olhos.

Pela primeira vez na minha vida vou fazer uma canja de galinha para o almoço. Não deve ser difícil, basta seguir a receita... digo eu assim com uma autoconfiança um pouco duvidosa. Afinal é só cozer a galinha e meter massa lá para dentro, não é? Desejem-me sorte!

 

O Milorde cantante

Milorde, 21.09.22

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Quando era mais novo Milorde já participou em concursos de karaoke. Os troféus que fui ganhando nesta minha pequena caminhada de artista estão dispostos nas minhas estantes com um fina camada de pó que, por vezes, vou limpando e enquanto esfrego as memórias invadem-me e trazem-me sensações que não consigo explicar corretamente, ou não fosse eu uma pessoa complicada de compreender.

Foi devido a esta minha inclinação para o canto que certo dia recebi um convite - ou uma proposta, dependendo da interpretação - do qual não estava nada à espera. Participar no grupo coral da igreja.

Estávamos no inverno, às 19 horas era noite cerrada, quando meti a chave na fechadura da porta reparei que alguém estava à minha espera na penumbra e aproximava-se de mim. Pensei em fugir a gritar por socorro, imaginei aquelas mãos grossas a agarrarem-me e a porem-me no chão nas pedras frias da calçada enquanto me debatia, com dedos hábeis revistava-me à procura de objetos de valor e eu, impotente debaixo daquele homem, nada podia fazer para o impedir.

Todos esses pensamentos desvaneceram-se, como um nevoeiro que desaparece quando o vento sopra, no momento em que o homem, educadamente, pediu para falar comigo acerca de um convite que tinha para me fazer. Quando o convite me foi feito, de uma maneira persistente tenho a dizer muito embora as minhas escusas - o senhor não poupou os elogios acerca da minha pessoa e sobre o meu conhecimento de música (algo que não concordo) -, não sabia se devia rir ou chorar.

Não aceitei o convite. E não é porque tenho uma ideia errada sobre o grupo coral ou porque quero estar afastado da igreja ou até mesmo por não achar isso fixe. Não aceitei porque percebi que não tinha qualquer competência para a responsabilidade que me foi proposta.

O Milorde prefere cantar no chuveiro e mesmo assim tem que se calar porque a mãe quer ouvir a novela!

Falta de cheiro

Milorde, 17.01.22

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O teste antigénio feito na farmácia deu negativo, contudo passei o fim de semana com falta de cheiro e perda de paladar. A Maria está ótima e quando lhe digo que não sinto o sabor da comida ela responde-me que assim já não critico os seus cozinhados.

Vi na internet que para voltar a sentir o cheiro tenho que treinar o olfato. Então ando a cheirar todo o gel de banho, champô, detergentes e sabões que encontro para ver até que ponto estou congestionado. Os cheiros mais fortes consigo senti-los, ou seja, não é uma perda de olfato total o que me leva a duvidar se realmente estou infetado com a covid-19 ou não.

Ontem quando cheirei um gel de banho novo que a Maria tinha comprado e ela me disse que cheirava a maçã disse-lhe:

- Maria, não me pode dizer o cheiro, eu tenho que adivinha-lo, faz parte do treinamento que tenho que fazer.

A senhora não se fez rogada e então descalçou um sapato e estendendo-mo disse:

- Então diga-me, Milorde! Ao que lhe cheira?

Dei uma gargalhada tão grande que o Misha assustou-se e fugiu para debaixo do sofá.

A gelatina faz bem aos ossos

Milorde, 05.01.22

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Depois que a Maria viu na televisão o Dr. Almeida Nunes dizer que a gelatina faz bem aos ossos, agora todos os dias temos gelatina cá em casa como sobremesa. Existem vários sabores e desta vez compramos com 0% de açúcar. Eu até aprecio mas o problema é que tenho sensibilidade dentária e comer gelatina assim bem fresca causa-me um desconforto muito grande.

Quando lhe disse, a senhora respondeu-me:

- Então não coma! Mais sobra para mim.

 

O bloqueio criativo ainda continua, até estou a escrever sobre gelatina imaginem!

Irritação

Milorde, 04.01.22

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Ando numa fase da minha vida em que tudo me irrita. Já tentei escrever diversos textos que vão parar todos para o lixo porque não acho que são bons para serem publicados. Isso tem um nome que afeta muitos escritores, bloqueio criativo. E isso também me irrita.

Não sei se ainda estou em fase de ressaca das festas, provavelmente estou. A mudança de rotina também me irrita. Irrita-me o barulho dos vizinhos, irrita-me as notificações do telemóvel, irrita-me que a Nairobi na série Casa de Papel da Netflix tenha morrido, irrita-me o excel com todas as suas fórmulas que me dão um nó no cérebro... enfim!

Estou capaz de ir ao Facebook da Cristina Ferreira e começar a insulta-la e ao programa que ela apresentou só para ter o prazer de discutir com alguém, só para perceberem o estado em que me encontro. Alguém conhece umas técnicas de relaxamento? É urgente!

 

Notícia de última hora

Milorde, 04.12.21

A papelaria de Barbalimpa está fechada e assim vai continuar durante uns dias porque a dona está infetada com a covid-19. Ironia do destino ou não, pois ela sempre disse que isto do vírus era tudo uma farsa, que jamais iria ser vacinada com uma vacina que foi feita em tempo recorde, que a vacina não passa de uma água que nos injetam para futuramente poder controlar a nossa mente, entre outras coisas que leu na internet e que está comprovado por cientistas, dizia ela.

Agora quem quiser comprar uma resma de papel, uma caneta, ou até mesmo um saco de gomas, terá de se dirigir à cidade mais próxima.

 

Novas medidas

Milorde, 01.12.21

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Meus queridos,

Tenho adorado receber tantas visitas na minha humilde mansão para beber chá e conversar. Tenho conhecido dias felizes que me enchem o coração de alegria. Contudo, a partir de hoje, dia 1 de dezembro, todas as minhas visitas deverão apresentar o certificado de vacinação completa ou um teste negativo. Mas atenção, que apenas são válidos os testes PCR ou de antigénio, caso contrário serão submetidos ao teste aqui mesmo pelas mãos da Maria e acreditem que não será de todo agradável, a mulher é bruta!

 

Era o vinho, meu deus, era o vinho!

Milorde, 15.11.21

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Lembram-se da excursão que o Paulo das camionetas realizou? Pois eu ontem soube de algo que vou partilhar com vocês. Não é que eu queira saber da vida das outras pessoas, isso não me interessa para nada (que ideia!), mas os habitantes desta vila pacata insistem em vir cá a casa me contar as coisas e eu, mais por boa educação que outra coisa, escuto sempre com atenção!

Bem, voltando ao dia da excursão, chegou-me aos ouvidos que a Sra Almerinda encheu bem a pança de carne de leitão assado ali para os lados de Mealhada juntamente com uma caneca de vinho e que, já que a senhora tinha pago a caneca inteira, não iria deixar o resto para o restaurante. Que não me faça mal - dizia ela enquanto sorveu o vinho até à última gota.

Já na camioneta a senhora começou a sentir-se mal. Dizia que via tudo à roda tal como se ela se tivesse sentado num carrinho da montanha-russa.

- Parai a camioneta, parai! - diziam as pessoas.

- Mas eu não posso parar aqui no meio da auto-estrada - dizia o motorista - só na próxima área de serviço.

Mas já não foi a tempo. A senhora vomitou no chão do autocarro. Até as lembranças de Fátima ficaram manchadas de bordeaux. O motorista abriu as portas de trás em andamento para as pessoas apanharem ar pois o cheiro era nauseabundo. Quem olhasse para o chão do autocarro via todo o vinho desperdiçado de um lado para o outro ao sabor das curvas.

A Sra Almerinda ficou doente durante 3 dias e disse mesmo que nunca mais em toda a sua vida tocaria numa gota de álcool.

 

Mais uma rixa!

Milorde, 12.11.21

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Como já diz o ditado antigo: em dia de São Martinho come-se castanhas e bebe-se um bom vinho. E nisso os habitantes de Barbalimpa são fortes! O Jorge organizou uma pequena festa no seu café para comemorar o dia, ofereceu um pacotinho de castanhas assadas bem salgadas aos convidados (para puxar a pinga), e convidou até um grupo de cantares ao desafio.

Ao som das concertinas e de vozes bem altas e desafinadas (que cantavam uma série de parvoíces de cariz sexual), o pessoal dançava, cantava, gritava, davam murros na mesa e batiam o pé ao som da música.

Sou Gonçalo de Amarante

Está escrito na tabuleta

Quem tem mulher vai lá

Quem não tem bate à punheta.

Vocês já devem ter percebido. O Russo, que já tinha bebido pelo menos 4 taças de vinho tinto, lançou um piropo qualquer a uma mulher. O problema é que a mulher em questão estava acompanhada do marido que, obviamente, não gostou do comentário e partiu logo para a violência, desferiu-lhe um soco na boca. As pessoas que estavam perto logo foram acudir dizendo ao homem para ter calma, que aquilo era tudo uma brincadeira, mas o que é certo é que o Russo foi para casa com a boca a sangrar.

Depois do sucedido a festa esmoreceu. O grupo de cantares ao desafio deu por terminada a sua atuação e começaram a arrumar as ferramentas. Os restantes diziam que se fosse com eles a cena não se teria passado assim, comentários esses que só começaram quando o agressor se foi embora, claro está.

Bem faço eu que não frequento esse tipo de festas senão, com um pouco de azar, ainda sobrava para mim.

 

Número estrangeiro

Milorde, 08.11.21

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Esta manhã a Maria recebeu uma chamada de um número estrangeiro. Como é um smartphone que a criatura tem, os tais telefones inteligentes, apareceu no ecrã que a chamada provinha de Frankfurt.

- De onde, Milorde?? - perguntou ela.

- De Frankfurt! - respondi.

- De frango frito?!

Depois de espetar uma gargalhada claro que lhe expliquei que Frankfurt é uma grande cidade que se situa na Alemanha.

- ah tá bem... e porque é que me ligaram?

- Certamente que foi engano, não se preocupe.

- Espero bem que sim senão mando-os a todos darem uma curva!

- Mas você não fala alemão, criatura.

- Não faz mal, eles percebem na mesma!

Sem comentários.