Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Milorde

O dia mais feliz com a Cafeína

Milorde, 19.10.21

O dia mais feliz.png

Hoje inicio um novo projeto que espero que gostem. Na verdade a ideia surgiu quando vi uma série na Netflix na qual um grupo de pessoas reunidas numa sala falaram sobre o dia mais importante das suas vidas. Achei comovente e pensei que essa ideia seria excelente aqui nos blogues para que todos se conheçam um pouco melhor e para que mais pessoas se sintam cativadas pela nossa escrita e não somente pelas publicações e fotos das redes sociais.

A primeira convidada é a Cafeína. Não me perguntem porquê, apenas senti que ela seria a primeira, que fazia sentido que assim fosse e não me enganei! Ao longo deste texto escrito pela própria podemos ver que apesar de todas as situações pela qual a Cafeína passa e que nos escreve, ela não perde o sentido de humor e isso, meus leitores, é algo que considero uma arma eficaz para a vida.

Sem mais delongas, este foi o dia mais importante da nossa Cafeína.

____________________________________________

Bom dia!

Antes de mais quero agradecer ao Milorde pelo seu gracioso convite e desejar muito sucesso para esta rubrica que agora estreia.

Vou falar e contar a história de um dos dias mais felizes da minha vida que foi o dia em que descobri que me tornaria mãe pela primeira vez.

Corria o ano 2012, era o dia do meu aniversário e, estranhamente, sentia-me muito cansada, ensonada e mal disposta e confesso que estava longe de pensar que tinha um puto aos saltos no interior do meu ser. Tentei desvalorizar a indisposição e passar um dia de anos dentro do normal, mas havia cheiros... cheiros que revolviam as minhas entranhas a ponto de ter que ir chamar o bom do gregório. Mas, como sou uma pessoa determinada e persistente (ahahahahahah 😆) e que por sinal até já me estava a sentir melhor, fui jantar fora.

Chegada ao restaurante, onde estavam a assar frangos, senti o meu estômago a revolver-se e deu-me tanta vontade de fugir dali porque o jantar tinha tudo para correr mal pelo incómodo que os cheiros me causavam. Queridos(as) sapinhos(as), a boa da Cafeína pediu uma posta de perca do Nilo grelhada e marchou, marchou todinha. Até aí tudo bem. A dada altura virei-me para o culpado de todos estes sintomas e disse: "eu preciso de ir para casa dormir!" Ele esbugalhou os olhos e disse que eu só poderia estar doente, que eu estava muito branca. E fomos embora.

Cheguei a casa e voltaram os enjoos (eu estava plenamente convencida que não passava de uma virose) e com os enjoos chegaram os sonos súbitos e com os sonos súbitos chegaram as loucas vontades de comer a meio daquela noite. Bem, posto isto aguardei pelo dia seguinte.

Seis da manhã. Estava mole mas tinha planeado ir laurear a pevide com o homem e fomos. O passeio correu bem até à hora de ir para o restaurante e aquela indisposição voltar a aparecer e fazer cair a ficha. Meu Deus, eu estou grávida!" - Pensei.

Engoli o almoço como quem come ensopado de borrego por delicadeza (detesto carne de borrego) e no regresso a casa passei pela farmácia no intuito de comprar um teste de gravidez. Comprei o teste e assim que cheguei enfiei-me na casa de banho e no teste fui avaliada com dois risquinhos positivos com direito a um menino nos braços em Junho de 2013. E foi assim. Hoje o puto já tem oito aninhos e um mano mais novo.

Espero que tenham gostado da minha história e mais uma vez obrigada ao Milorde pelo qual tenho muito apreço.

 

Queres fazer parte deste projeto? Escreve-me e conta-me o dia mais importante da tua vida!

E a Condessa partiu!

Milorde, 15.09.21

Ah esperem... deixem-me só limpar algumas teias de aranha que se instalaram aqui.

- Maria, traga-me cá uma vassoura, por favor!

Ai que horror! Uma pessoa deixa de vir cá por uns tempos e as aranhas tratam logo de tecer as suas teias para apanharem as moscas que, coitadas!, andam aqui a voar de um lado para o outro como bestas.

Bem, agora parece-me bastante melhor!

 

Caríssimos,

Voltei aqui para vos dar uma excelente notícia... a Condessa partiu! É verdade, esta manhã a senhora fez as suas malas e, de cabeça erguida, partiu para terras francesas. Dizia ela que lhe faltava o seu fromage camembert, o seu foie gras, os escargots de Bourgogne, e claro o seu Champagne Français.

Já vais tarde! - apeteceu-me dizer-lhe mas também eu mantive a classe que a situação exigia.

 

Agora somos apenas três; eu, a Maria e o Sebastião. Ah, e o misha! Ia me esquecendo do raio do gato!

E atenção, porque estou aqui com umas ideias novas para este meu estaminet que espero que vão gostar. Fiquem desse lado, eu volto amanhã, prometo!

9440.jpg

 

Desabafos

Milorde, 13.12.19

Depois que a Condessa chegou nunca mais tive oportunidade de me sentar na minha poltrona de sala a apreciar um bom livro enquanto a chuva tamborilava na minha janela. Agora, para mal dos meus pecados, todos os dias a Condessa se senta lá com o seu romance erótico e consegue passar lá horas, interrompendo a leitura ocasionalmente apenas para fazer algum comentário depreciativo. Ora tem frio, ora tem calor; dói-lhe os joelhos de estar tanto tempo sentada ou então dói-lhe as costas; a graduação dos óculos já não é suficiente; sente-se aborrecida com o tempo; etc, etc e etc.

Eu a Maria dobramos-nos em trabalhos para a agradar mas tem sido difícil. Creio que o seu problema de saúde não se estenda somente a uma pneumonia mas também a um grave problema de saúde mental. Sei que não é bonito dizer isto mas também sei que posso contar com a vossa confiança e pelos comentários que tenho recebido, sei que estão do meu lado da barcaça contra esta intrusa que se veio instalar na minha mansão, aproveitando-se da minha boa vontade.

Quanto a Pauline, a sua neta, mal damos por ela, coitada! Sempre muito reservada, talvez por falar mal a nossa língua, passa os seus dias a bordar juntamente com a Maria e a ajuda-la na cozinha no que pode, para não se sentir tão entediada confessou-me ela certo dia. Uma vez, ao jantar, disse-nos que tinha sido ela a preparar a sopa sozinha sem ajuda. A sopa estava muito salgada mas nenhum de nós ousou dizer o que quer que fosse para não a desmotivar. Sebastião até disse que nunca tinha comido uma sopa tão boa, fazendo-a corar como um tomate. Bebi tanta água depois que passei quase a noite toda na casa de banho, temi encher a sanita toda.

Esta noite tive um pesadelo horrível. Sonhei que quando cheguei à minha mansão depois de uma caminhada, a Condessa tinha-se evaporado e com ela todos os meus pertences. A mansão estava vazia! O pior de tudo é que ela também tinha levado consigo a Maria e o Sebastião.

A carta

Milorde, 22.10.19

Os dias vão passando sem que nada aconteça. Dou por mim sentado em frente à janela a ver a "banda" a passar com o Misha no meu colo a ronronar. As folhas vão caindo das árvores e ouço a toda a hora a Maria a resmungar que já está farta de apanhar tanta folha do chão. O anjo de pedra que faz xixi para a minha fonte tem uma folha na cabeça à qual ela não chega e por vezes ela põe-se a saltitar para tentar apanha-la de uma forma tão cómica que me rio como um perdido sozinho. Ela pragueja entredentes e lá acaba por desistir.

Entretanto, um senhor que deve andar na casa dos 60 anos, assobia-lhe através das grades e grita-lhe alguns piropos. Ao início ela ignora-o, mas depois farta-se e diz-lhe:

- Vai-te embora seu guarda-chuva sem cabo!

- Anda aqui ver se eu tenho um cabo ou não - respondeu-lhe de volta.

- Se não te pões a andar quem te mostra o meu cabo sou eu, o cabo da vassoura, seu imbecil!

Pergunto-me como é que esta mulher de modos tão rudes foi casada com um homem durante quinze anos e ao fim deixou que ele a pusesse fora de casa. É uma história que vou ter que averiguar mais tarde.

Quando ela entra digo-lhe para nos preparar um chá de camomila porque ela ficou muito nervosa com o sucedido.

- EU NÃO ESTOU NERVOSA, SENHOR! - Grita-me e eu tenho de esconder a cara com as mãos para me proteger dos perdigotos que ela soltou. Contudo, dirige-se para a cozinha e ouço-a a encher água para a chaleira.

Entretanto alguém bate à porta. Que mania que esta mulher tem de deixar o portão fechado só com o trinque. As pessoas entram e batem diretamente à porta e eu não gosto nem um pouco dessa intimidade! Dirijo-me eu próprio à porta e, quando a abro, vejo que é o carteiro.

- Carta para Milord - anuncia.

Agradeço-lhe e vejo que a carta vem de França! Cheiro-a para ver se consigo sentir algum aroma que me faça lembrar do país que tanto amo mas só cheira a papel e a tabaco. Abro-a e, surpresa das surpresas, é uma carta da minha amiga Condessa Bernadette.

 

Meu querido Milord.

Espero que se encontre bem e de saúde. O mesmo não posso dizer de minha pessoa. Aqui em França já faz tanto frio que apanhei uma profunda pneumonia! Ai eu tenho tanta tosse, Milord, e quando respiro os meus pulmões miam tanto que parecem a minha gata quando anda com o cio. Estou tão mal que o meu médico aconselhou-me a sair deste país e procurar outro lugar mais ameno.

Claro que pensei logo na minha mansão na Madeira, mas Milord, eu detesto andar de avião, detesto mesmo! Causa-me urticária só de pensar em entrar num pássaro grande daqueles cheio de pessoas que respiram o mesmo ar que eu, e eu não posso deixar me contaminar mais.

Por isso, pensei em si, meu querido e amado amigo. Pensei na sua enorme mansão e pensei também que não ia se importar minimamente se passasse um mês na sua companhia. Um mês será suficiente para me recuperar e aí já poderei voltar para este país que mais parece um frigorífico na potência máxima.

Espero que não lhe vá causar nenhum transtorno. Parto daqui a cinco dias.

 

Atenciosamente,

Bernadette Croquette

Condessa de Champignon

 

Meu Deus! A Condessa vem passar um mês em minha casa!! Tenho que preparar tudo para a receber devidamente!!! Mas... como vou poder recebê-la condignamente se não tenho dinheiro nem para tocar um cego?! Tenho de me arranjar. Chamei pela Maria para lhe dar a boa nova.

 

O livro do ano segundo a Bertrand

Milorde, 08.10.19

20190922_130552.jpg

 

Comprei este livro porque toda a gente falava nele. "Ai é tão lindo! Vais chorar no final... é um livro maravilhoso", diziam-me. Depois foi considerado o melhor livro do ano segundo a livraria Bertrand, um sucesso de vendas. Como leitor compulsivo, ávido por boas histórias, também eu teria de o comprar e ler... E a minha opinião, sincera e honesta, valendo o que vale, é a seguinte: há melhores!

 

Em primeiro lugar acho muito triste que o título Auschwitz já por si só é algo apelativo. Existem imensos livros com este nome, O tatuado de Auschwitz, As gémeas de Auschwitz, A bibliotecária de Auschwitz, etc, escritos por autores que sabem que será algo que vende bem. Faz-me acreditar que alguns se servem da desgraça alheia para seu próprio benefício. Não gosto.

Depois, para aqueles que gostem de ler sobre este assunto, considero que existem muitos outros livros bem melhores mas não tão bem conhecidos pois não tiveram a felicidade de serem publicitados.

A história, baseada num relato real, é bonita, não digo que não. Uma história de coragem, sobrevivência, desumana e afim. Mas a forma como o livro está escrito torna-o vulgar, como se fosse algo que lemos noutro lugar, fechamos e esquecemos. Não dá vontade de o reler mais tarde.

 

Se gostam de um bom livro sobre a segunda guerra mundial, a Alemanha nazi, a perseguição a judeus e etc, leiam A sétima porta de Richard Zimler. Esse sim é um romance inesquecível!

Fica a dica.