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Milorde

O Milorde conta um conto e acrescenta um ponto

Milorde, 24.10.22

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O Maurício é um colega brasileiro que está em Portugal há 3 anos. Quando chegou cá a primeira coisa que fez, depois de ter tratado de toda a burocracia necessária para ficar, foi procurar um imóvel para comprar com as economias que conseguiu juntar. Através de uma busca pela internet encontrou uma casa que lhe pareceu perfeita para ele e para a sua família habitarem num site de uma agência imobiliária muito conhecida que não vou dizer o nome (apenas digo que começa com R e acaba em X).

Ligou para a agência a manifestar o interesse na habitação e recebeu a seguinte resposta do outro lado da linha: "Os bancos portugueses estão a emprestar dinheiro para os brasileiros?". Assim de rompante. O Maurício desligou o telefone na cara do interlocutor e no dia seguinte dirigiu-se à agência imobiliária pessoalmente para perguntar ao senhor se era assim que ele falava com um cliente. "Ah sabe nós estamos a fazer o nosso trabalho... peço desculpa mas realmente a situação não está fácil...". O Maurício respondeu que tinha dinheiro para pagar aquele imóvel mas pelo atendimento que lhe foi prestado já não o queria mais.

Isto levanta várias questões que se fosse a enumerá-las tínhamos aqui texto para ler durante dias a fio. O que eu queria mesmo realçar contando esta história é o mau atendimento ao público que verificamos cada vez mais no nosso dia a dia. Longe vai o tempo em que para trabalhar no atendimento ao público o requisito mínimo seria ser simpático para o cliente.

O mesmo acontece numa loja de eletrodomésticos - muito conhecida também - em que ninguém está disponível! Quase que temos que andar atrás deles para pedir uma informação, um aconselhamento. Já me aconteceu estar dentro de uma Worten Mobile durante um bom período de tempo em que estavam 4 pessoas atrás do balcão e ninguém se dignou a aproximar-se de mim perguntando se precisava de ajuda.

Nas lojas de roupa somos atendidos por miúdas carregadas de maquilhagem que nos dizem apenas "bom dia, obrigado, o próximo" sem mesmo nos olhar e por cima de uma música ensurdecedora que quase nem as ouvimos. Nos supermercados nem vou falar! Deseja fatura com número de contribuinte?

Na minha opinião todas estas pessoas deveriam ser submetidas a uma formação básica sobre um atendimento ao público. Já trabalhei na mesma área por diversas vezes e em momento algum, e por qualquer razão que seja, deixei de ser simpático e prestável para um cliente, nem faz parte da minha educação não sê-lo.

Sejamos mais gentis e deixemos de tratar as pessoas como números mas sim como humanos.

O Milorde e aquela tossezinha

Milorde, 22.10.22

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Chega o outono e apanho uma constipação, é tão certo como dois e dois serem quatro. Começo sempre por tomar um multivitamínico lá para meados de setembro mas mesmo assim o meu sistema imunitário deve ser tão fraquinho que basta as temperaturas baixarem um pouco e tenho logo o pingo no nariz e a garganta que arranha, acompanhado claro da nossa amiga tosse. Aquela tossezinha irritante que se aloja na nossa garganta e lhe faz cócegas só pelo prazer de nos ouvir a tossir a cada minuto que se passa.

E antes que vocês venham aqui falar-me da covid e que deveria fazer um teste só para despiste e bla bla bla, esqueçam! Eu recuso-me a enfiar aquela maldita zaragatoa pelo nariz adentro outra vez nas mãos de uma farmacêutica bruta que ainda tem o descaramento de me dizer "relaxe". Não aguento. Já me bastam os sprays nasais para a minha sinusite que também tenho que os enfiar quase até ao cérebro e sentir aquele jato de substância líquida e ardente que me faz chorar dos olhos.

Pela primeira vez na minha vida vou fazer uma canja de galinha para o almoço. Não deve ser difícil, basta seguir a receita... digo eu assim com uma autoconfiança um pouco duvidosa. Afinal é só cozer a galinha e meter massa lá para dentro, não é? Desejem-me sorte!

 

A semeadora de intrigas

Milorde, 18.10.22

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A mulher tem cabelo preto ondulado que amarra num rabo de cavalo quando está a trabalhar. Usa um rímel excessivamente carregado que adorna o seu olhar de serpente numa pele baça e mal nutrida. Veste-se de uma forma provocadora com calças justas e camisolas decotadas para atrair mais clientes para o seu negócio sem muito sucesso. É oportunista, não perde uma oportunidade para seu benefício mesmo que para isso tenha que invadir o espaço do outro, faz os preços que lhe convém. Diz muitas vezes a tão conhecida expressão que "Deus não dorme" quando algo não corre como ela previu, como se a sua desgraça seja culpa de alguém.

A mulher cheia de brio na cara não se preocupa em limpar o seu próprio espaço, o mesmo que partilha com os seus clientes, que chegou ao ponto de os mesmos verem ratos a passearem perto das chávenas de café. Prefere passar o seu tempo cada vez mais livre a contar histórias sobre as pessoas da aldeia.

Por isso optei por lhe chamar a semeadora de intrigas porque sempre que falo com ela a conversa gira em torno de "fulano tal falou mal deste e daquele", "tem cuidado com o que podem dizer sobre ti", "o Cristiano Ronaldo separou-se da mulher porque já não havia cumplicidade"... é um poço de conhecimento sobre a vida alheia. Os clientes ao saberem que a mulher de cabelos pretos ondulados falou algo sobre a vida privada deles, não voltam mais e dizem aos amigos para deixarem de frequentar aquele antro de maldizer.

E ela continua a dizer: "Deus não dorme".

 

O Milorde nada festeiro

Milorde, 15.10.22

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Esta noite, numa zona perto de minha casa, vai haver uma festa em honra de São Miguel Arcanjo em que a partir da meia noite e meia vai atuar um DJ assim ao ar livre no recinto da capela e dizem os jovens que vai ser música até de manhã!

E eu pergunto: isto é legal?

Vivo num meio rural - em que lhe dei o nome de Barbalimpa - onde as pessoas trabalham duro nos campos e fazem criação de gado, pessoas humildes e trabalhadoras que vivem uma vida tranquila. Esta noite, segundo o que se espalha por aí, essas pessoas não vão descansar porque alguém teve a brilhante ideia de contratar um DJ que irá passar música a altos berros para jovens que vão dançar, gritar e beber até vomitarem.

Obviamente deverá existir uma licença para tal aceite pela Câmara Municipal e mais uma vez eu pergunto: e o direito ao silêncio das pessoas que vivem perto do recinto e arredores? Não terão elas direito ao respeito por parte das entidades municipais? Isto é legal?

Os jovens dizem que "esta noite é que vai ser fixe", certas pessoas dizem "esta noite vai haver problemas". E assim se irá celebrar a festa em honra de São Miguel Arcanjo.

 

O preço do açúcar

Milorde, 13.10.22

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Ontem fui surpreendido pelo preço do açúcar. Estava no Mercadona a fazer as minhas compras e qual não foi o meu espanto que reparei que o quilo do açúcar estava a 1,40€. Li a etiqueta do início ao fim para me assegurar que o produto estava bem etiquetado e, efetivamente, o preço correspondia. "Deve ter havido algum erro, isto não pode estar bem" - pensei eu.

Cheguei à caixa e perguntei ao rapaz que me atendeu se eventualmente não se tinham enganado a etiquetar o preço do açúcar ao qual me respondeu que não, o açúcar aumentou em todo o lado. E que aumento!

Recusei-me a acreditar que tal tivesse acontecido e então atravessei a rua e fui ao Lidl. O açúcar estava a 1,49€ o quilo. "Mas o que é isto?" - perguntei a mim mesmo perplexo. Fiz uma pesquisa no meu telemóvel e vi que o açúcar aumentou, sem que ninguém o prevenisse, assim de um dia para o outro de 0,89€ para 1,49€! Um aumento de quase 70%. Segundo o site Valor de Negócios: a pior seca em 500 anos está a afetar a produção de açúcar na Europa, cuja produção deve cair 6,9% em 2022/23, para 15,5 milhões de toneladas.

Porém no Pingo Doce, por enquanto, a coisa é diferente. Um quilo de açúcar de marca própria custa 1,30€ mas a embalagem de 2 quilos custa 1,69€, este valor dividido por 2 dá cerca de 85 cêntimos o quilo. Ou seja acabamos por pagar o preço anterior por cada quilo. Mas atenção, só pode comprar até 2 embalagens por cliente!

O caminho é sempre em frente

Milorde, 12.10.22

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A minha irmã tem melhorado a olhos vistos. Anda mais alegre, mais paciente, mais comunicativa, mais disposta a trabalhar e a fazer as lides domésticas. Agora já limpa a casa, tem gosto em arrumar as roupas que andavam amontoadas e já me disse que quer comprar umas plantas para embelezar mais o seu espaço. Tem se alimentado melhor - agora até consegue comer mais do que eu, que sou um guloso por natureza - e tem ganho algumas formas no seu corpo que tinha perdido.

O esforço valeu a pena. Todos os dias lhe perguntamos se já tomou a medicação, o que almoçou, o que fez para o jantar, não lhe damos descanso! E quando lhe perguntamos tudo isto ela ri-se e diz "sim, sim e sim". Estou muito orgulhoso dela por ter saído daquele poço onde se meteu.

O caminho é sempre em frente.

O Milorde aniversariante

Milorde, 11.10.22

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Faz 3 anos que iniciei este projeto bonito do qual me orgulho cada dia que passa.

Inicialmente o Milorde era apenas uma personagem por mim criada num mundo totalmente imaginário e rodeado de outras personagens inventadas, uma história doida que a minha imaginação teimava a não abandonar. Com o tempo percebi que a minha escrita tinha melhorado consideravelmente e toda aquela história começou a não fazer sentido. Precisei de uma pausa para colocar as ideias em ordem. Sentia-me perdido porque o Milorde era muito mais que uma comédia, uma fantochada, o que ele tinha para oferecer ultrapassava toda aquela imaginação inicial. Ele impôs-se, disse-me "basta! eu não quero ser assim", eu deixei-me levar por ele e agora chegamos juntos a um caminho que me parece ser prometedor.

Chegou a hora de deixar o Milorde brilhar!

Ao longo desta jornada fomos criando raízes numa equipa que nos acolheu de braços abertos, que nos deu espaço para crescer e dar frutos, e por isso serei grato a todos vocês - seguidores e equipa do Sapo Blogs - que me acompanham e me incentivam a escrever mais e melhor. Obrigado, este projeto também é vosso.

Dêem-me um Percurso Pedestre e eu sou feliz

Milorde, 10.10.22

Domingo é aquele dia da semana em que não há nada para fazer a não ser: estar uma hora à espera de mesa num restaurante para no fim comer apenas um frango no churrasco; ficar em casa esparramado no sofá a ver séries na Netflix e a comer bolachas cheias de açúcar ou então ver aqueles programas de domingo à tarde tão interessantes (ou não) em que promovem a música popular portuguesa e os números de telefone que dão muitos prémios; fazer compras em supermercados cheios de gente que se atropelam para pegar aqueles produtos que começam a escassear e depois esperar pela nossa vez de pagar nas caixas enquanto ouvimos uma discussão de casal ou uma senhora ao telefone a contar os seus problemas pessoais. Ou então passear no meio da natureza.

Quanto a vocês não sei, mas eu prefiro a última opção.

Encontrei este percurso por um acaso, na verdade estava à procura de um local agradável que certo dia vi de passagem e disse que tinha de lá voltar tal era a beleza, e quando procurei no GPS pelo parque ele levou-me até ao início de um trilho que descobri e o percorri com grande alegria.

Trata-se de um Percurso Pedestre em terras de Santa Maria da Feira no meio da natureza no seu estado puro. Um percurso ao longo do rio Uíma de 4 quilómetros que se inicia em Nadais e termina nas Caldas de São Jorge, e não estou a falar de um passadiço, o caminho é mesmo com os pés na terra que percorremos em silêncio para escutar os sons da natureza e dá água que segue o seu curso.

Melhor que palavras tenho algumas imagens para partilhar. Espero que gostem.

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O Milorde está no Facebook

Milorde, 08.10.22

Criei uma página de Facebook para este blogue. Já andava a pensar nisso há algum tempo e quando uma amiga minha me perguntou como poderia seguir o blogue - sem o conhecimento da subscrição por email que a equipa do sapo tão bem disponibilizou, uma subscrição anónima que gera apenas um email por dia dando o conhecimento de novas publicações que venha a escrever - tomei a decisão de criar um perfil na rede social.

Por isso mesmo esta publicação de hoje é direcionada para vocês que queiram seguir este blogue de uma forma mais direta e prática. Basta apenas deixar um gosto na página e assim ficam a par de novas publicações, textos curtos, imagens e muitas gargalhadas.

Onde encontrar a página? Aqui mesmo na barra lateral deste blogue tem um link direto para o perfil do Milorde no Facebook. É tão simples que até eu próprio tenho dificuldade em acompanhar todas estas novas tecnologias.

 

O Milorde da crise económica

Milorde, 05.10.22

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Estamos a passar por um período de crise económica. Os preços dos bens alimentares, do gás, da eletricidade e das taxas de juro dispararam tal como uma bala de canhão que atinge o navio mais debilitado, o povo.

No entanto, e pelo que vejo, a crise económica não afeta assim tanta gente como parece! Para lhes dar um exemplo em concreto, e falo com conhecimento de causa ou não seria uma fonte fidedigna ou até mesmo um género de câmara de vigilância que está sempre atenta a qualquer movimento, digo-vos que vivo perto de um restaurante que tem fama de servir boa comida e que aos domingos e feriados é um pandemónio de gente que vem cá almoçar que era capaz de encher meio estádio de futebol. Os empregados de mesa, pagos a um preço irrisório, não têm mãos a medir.

Os carros - grandes marcas, lustrosos, clássicos até - amontoam-se nos passeios, nos caminhos de terra, e até mesmo na minha garagem se eu deixar o portão aberto! As pessoas todas elegantes nos seus trajes domingueiros fazem uma fila que chega quase até à rua, entretidas nos seus smartphones, à espera de uma mesa.

Já sentados pedem como entrada uma tábua de presunto, enchidos e queijos. Logo depois é servida uma travessa de polvo à lagareiro a 30€ a dose, seguida de sobremesas, cafés e digestivos. Sacam dos seus cartões multibanco para pagar sem mesmo verificarem a conta.

Hoje vou fazer uma omelete de cogumelos e queijo para o meu almoço. Uma refeição simples, barata e rápida para não gastar muito gás.

A ajuda que vou receber do nosso governo este mês é a mesma ajuda que essas pessoas que gastam 50/60€ num almoço vão receber... não sei se estão a perceber o que quero dizer!

E assim vai o nosso país.