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Milorde

Falta de cheiro

Milorde, 17.01.22

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O teste antigénio feito na farmácia deu negativo, contudo passei o fim de semana com falta de cheiro e perda de paladar. A Maria está ótima e quando lhe digo que não sinto o sabor da comida ela responde-me que assim já não critico os seus cozinhados.

Vi na internet que para voltar a sentir o cheiro tenho que treinar o olfato. Então ando a cheirar todo o gel de banho, champô, detergentes e sabões que encontro para ver até que ponto estou congestionado. Os cheiros mais fortes consigo senti-los, ou seja, não é uma perda de olfato total o que me leva a duvidar se realmente estou infetado com a covid-19 ou não.

Ontem quando cheirei um gel de banho novo que a Maria tinha comprado e ela me disse que cheirava a maçã disse-lhe:

- Maria, não me pode dizer o cheiro, eu tenho que adivinha-lo, faz parte do treinamento que tenho que fazer.

A senhora não se fez rogada e então descalçou um sapato e estendendo-mo disse:

- Então diga-me, Milorde! Ao que lhe cheira?

Dei uma gargalhada tão grande que o Misha assustou-se e fugiu para debaixo do sofá.

Milorde na dúvida

Milorde, 13.01.22

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Pensava eu que com duas doses da vacina estaria protegido. Diziam que mesmo que apanhasse o vírus teria sintomas ligeiros parecidos com uma constipação.

Comecei no domingo à noite por ter uma ligeira irritação na garganta. Segunda-feira senti muito frio e uma dor no peito sempre que respirava, a garganta continuava irritada. Passei mal a noite de segunda para terça com arrepios de frio e uma forte dor de cabeça, daquelas que nos deixam com tonturas.

Comecei por ligar para a linha de saúde 24 que até ao dia de hoje ainda não me atendeu. António Costa anunciou que vai reforçar a linha com mais 700 profissionais de saúde, mas não disse quando, até lá todas as pessoas que tentam ligar para esta linha entupida de pacientes é como se estivesse dentro de uma tombola em que só sai um número premiado de vez em quando.

A farmácia de Barbalimpa não faz testes à covid-19 porque não tem o protocolo, palavras do farmacêutico que me atendeu ao telefone.

Ontem a Maria levou a sua dose de reforço da moderna sem saber se estaria ou não também infetada mas decidiu correr o risco porque não tinha qualquer sintoma. Enquanto esperava por ela "bati à porta" de 3 farmácias que fazem testes mas apenas por marcação e que nos próximos dias estão lotadas. Nada feito. Tenho sobrevivido com paracetamol que é o mesmo que teria de fazer se estivesse infetado.

Hoje a Maria está de cama, cheia de dores e arrepios de frio, mas não sabemos se será efeito da vacina, do covid ou de ambos. A minha garganta dói-me e tenho tosse. Soube de uma farmácia que faz testes por ordem de chegada e vou tentar a minha sorte (sarcasticamente falando).

 

A gelatina faz bem aos ossos

Milorde, 05.01.22

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Depois que a Maria viu na televisão o Dr. Almeida Nunes dizer que a gelatina faz bem aos ossos, agora todos os dias temos gelatina cá em casa como sobremesa. Existem vários sabores e desta vez compramos com 0% de açúcar. Eu até aprecio mas o problema é que tenho sensibilidade dentária e comer gelatina assim bem fresca causa-me um desconforto muito grande.

Quando lhe disse, a senhora respondeu-me:

- Então não coma! Mais sobra para mim.

 

O bloqueio criativo ainda continua, até estou a escrever sobre gelatina imaginem!

Irritação

Milorde, 04.01.22

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Ando numa fase da minha vida em que tudo me irrita. Já tentei escrever diversos textos que vão parar todos para o lixo porque não acho que são bons para serem publicados. Isso tem um nome que afeta muitos escritores, bloqueio criativo. E isso também me irrita.

Não sei se ainda estou em fase de ressaca das festas, provavelmente estou. A mudança de rotina também me irrita. Irrita-me o barulho dos vizinhos, irrita-me as notificações do telemóvel, irrita-me que a Nairobi na série Casa de Papel da Netflix tenha morrido, irrita-me o excel com todas as suas fórmulas que me dão um nó no cérebro... enfim!

Estou capaz de ir ao Facebook da Cristina Ferreira e começar a insulta-la e ao programa que ela apresentou só para ter o prazer de discutir com alguém, só para perceberem o estado em que me encontro. Alguém conhece umas técnicas de relaxamento? É urgente!

 

7 pecados - Inveja

Milorde, 23.12.21

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A Conceição (todos a tratam por São) oferece todos os anos um cabaz de natal com produtos alimentares a todas as pessoas necessitadas da vila. Em meados de Outubro a senhora coloca caixotes de papel perto das caixas dos mini-mercados para que as pessoas possam depositar aquilo que podem doar. Os habitantes aderem e gentilmente enchem os caixotes com bens essenciais como leite, bolachas, massas, arroz, azeite, conservas, etc. No dia 23 de dezembro, tal como uma mãe natal, a São passa pela casa das pessoas e oferece uma cesta cheia de boas coisas que as pessoas carenciadas agradecem emocionadas.

A Ana Luísa quando vê a São passar à sua porta sem parar comenta: a mim ninguém me dá nada, se quero alguma coisa tenho que ir trabalhar e comprar! Anda ela feita tola a ajudar essas malandras que estão bem gordas.

 

In-ve-ja

nome feminino

1. Desgosto pelo bem alheio.

2. Desejo de possuir o que outro tem, geralmente acompanhado de ódio pelo possuidor.

https://dicionario.priberam.org/inveja

 

O dia mais feliz com a LadyVih

Milorde, 21.12.21

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A minha convidada desta semana é a LadyVih, autora do blog A Duquesa e o Gato. A Lady chegou acompanhada pelo seu gato, vestida com um casaco de pelo fofo que lhe chegava até aos joelhos, saltitou por entre as pedras colocadas ao longo do meu jardim para não molhar as suas botas de camurça, e com uma gentileza que só ela tem deu-me um abraço apertado e agradeceu de imediato o convite que lhe fiz, pois diz que o 21 é um número muito especial para ela. E já vão perceber porquê.

O Misha quando viu o acompanhante da Lady ficou logo com um ar de desconfiado e, como dois cavaleiros que se preparam para um duelo, ficaram bastante tempo a olhar-se mas depois o Misha deu meia volta e desapareceu. Rimos os dois pelo sucedido e convidei a Lady a entrar e sentar-se no meu sofá. Pedi à Maria que nos servisse um chá de maçã e canela estava pronto para ouvir o dia mais feliz da Lady.

Ora bons dias ou boas tardes (depende das horas em que estarão a ler isto).

Foi com muito carinho que recebi este convite do Milorde para a sua rubrica. Com mais carinho ainda, pois o mesmo referiu que seria publicada no dia 21 e é um número que tem, para mim, um simbolismo carregado de muito Amor. Como é uma rubrica feliz e em tempo de Natal, é mesmo sobre isso também que eu venho falar.

Nada melhor do que esta época para falar sobre isso, pois o Natal é Família, Amor, Paz, Bondade...

O meu número, como lhe chamo, foi a minha primeira morada - na casa dos meus avós. E foi a morada que escolhi para todas as minhas férias (Verão, Natal, Carnaval...). Costumo dizer que fui nascida e criada no 21. Foi lá que dei os meus primeiros passos, que balbuciei as minhas primeiras palavras, que fiz os meus primeiros amigos, que me escondi com a minha melhor amiga para falar do meu primeiro amor, que aprendi o que era certo e errado... Também foi lá que tive os meus medos pela primeira vez (os incêndios, as cobras, etc), que tive as minhas primeiras quedas, as primeiras cicatrizes...

Fui crescendo, mas o 21 continuava sempre a ser morada dos nossos Natais, dos feriados e dos domingos em família. O 21 era Casa, era Carinho, era Amor. O meu 21 é isso mesmo: Família. É a minha Avó, o meu Avô e o meu Padrinho.

Andei anos a ganhar coragem para tatuar um 21 na minha pele em forma de homenagem. Demorei uma eternidade por medo das amigas agulhas... Mas, há 3 anos atrás, decidi fazer três tatuagens e duas delas em homenagem. Foi a primeira. O meu 21 está agora no meu pulso marcado a tinta, e no meu coração gravado permanentemente, floreado com carinho, cuidado e amor.

A tatuagem, vocês nem sonham a felicidade, o orgulho e emoção que me deu olhar para ela (ainda me dá!). E um dia marcado também por ter conhecido também a minha tatuadora, que é uma das pessoas mais lindas do mundo. Nada é por acaso, acredito. O meu 21 tinha de ser com ela! Não foi num dia 21, mas foi um dia que me encheu a alma!

Obrigada Milorde, pela oportunidade de homenagear, mais um bocadinho, quem me ajudou a ter uma infância feliz. Há sinais que a vida nos dá. E este, nesta época do ano, fez tanto sentido. Obrigada!

 

Elogios

Milorde, 15.12.21

Como hoje o meu tempo é curto não vou escrever um longo texto, mas quero deixar-vos um desafio muito interessante e peço a participação de todos vocês.

O desafio consiste em: fazer um elogio à pessoa que deixou o último comentário.

Não posso comentar em primeiro porque não irei fazer um elogio a mim próprio, por isso que for o primeiro o elogio será dirigido a mim. Quem começa?

 

O dia mais feliz com o Corvo

Milorde, 14.12.21

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O meu convidado desta semana é o Corvo, autor do blogue O Sítio do Corvo. Vestido de fato e gravata e bem penteado, o Corvo entrou pelos meus portões com um grande sorriso, satisfeito com o meu convite. Começamos por falar das minhas laranjeiras que oferecem lindas laranjas e um perfume inebriante e logo depois sentamo-nos em frente à lareira onde um fogo crepitava. O Corvo tem sempre muitas histórias para contar que eu fui ouvindo deliciado enquanto degustávamos uma chávena de chá de hortelã e uns biscoitos de gengibre e canela.

No entanto a história principal ainda estava por contar e o Corvo não se fez rogado e então contou-me aquele dia mais feliz.

Muito honrado pelo convite do Milorde para dissertar sobre o dia mais feliz da minha vida, apraz-me confessar com toda a sinceridade que foi aquele em que a periquita me disse sim ao meu pedido de casamento. Depois tive mais dias muito felizes mas esse foi o mais feliz, sobretudo porque não esperava que ela aceitasse devido à feroz e acesa concorrência de que era vítima.

Quando lhe perguntei se casava comigo, conhecia-a há seis dias, apenas, quando ali chegara enviado pela minha empresa empregadora, JAEA a fim de realizar um trabalho previsto para dez dias. Fui habitar um quarto de uma casa muito grande, dispensado por uma família composta de um rapaz, esposa e duas irmãs dele que a habitava.

Entrava-se para essa casa diretamente por uma varanda a todo o comprimento da casa, e nas extremidades dela as entradas para a casa propriamente dita. Sobre o lado esquerdo era a entrada para o meu quarto e na parte direita a entrada da dita família. A parte que me fora dispensada além de quarto tinha casa de banho privativa, sala e uma pequena cozinha, que pouca falta me fazia pois desde logo fiz tenção de nunca utilizar tirando, obviamente, o café pela manhã.

Cheguei, instalei-me fui tomar banho e vestir roupa limpa e pensei dar uma volta pela vila a ver aonde podia ir jantar e comer durante os dias que ali estivesse. Nestes preparos saio porta fora para a varanda e deparo-me com uma rapariga que entrava pela porta dela para dentro da sua casa. Achei-a muito bonita e agradável mas não mais que isso. O tal clic não ligou. Saí e encontrei uma pensão, jantei, sentia-me cansado da longa e fatigante viagem, e resolvi ir dormir.

Chego, entro para a varanda já nossa conhecida e reparo em quatro poltronas a todo o comprimento da varanda que antes não vira. Sento-me numa, acendo um cigarro e ponho-me a pensar na melhor maneira de iniciar o trabalho que ali me levara. Subitamente pela porta meio aberta da família moradora, tenho uma visão de sonho envelopada num bonito vestido amarelo clarinho a movimentar-se dentro de casa. Imediatamente todas as preocupações sobre o trabalho se eclipsaram e levantei-me de um salto. Os nossos olhos cruzaram-se e soube imediatamente que encontrara a mulher da minha vida.

Nessa noite pouco ou nada dormi e foi em muito mau estado, físico e racional, que dei início ao trabalho e durante ele só pensava em voltar rapidamente para casa para confirmar se sonhara ou se vivia uma realidade. Voltei, tratei de mim como de véspera, com apenas uma maior atenção. Barbeie-me pela segunda vez nesse dia, coisa que nunca fizera e fui sentar-me na varanda na esperança de a ver outra vez e pus-me a pensar na minha vida. Nunca conjeturei que ela podia ser a mulher do rapaz dono da casa, nem a primeira rapariga que vira. Instintivamente soube com maior clareza do que a do cristal reflete que elas eram as irmãs. Como de facto eram.

Algum tempo depois a família veio cá para fora, o rapaz, a esposa e a irmã mais nova - a primeira rapariga que vira na noite anterior -, sentaram-se cada um numa poltrona, mas ela não. A senhora dona dos meus pensamentos não veio. Fiquei muito triste e infeliz e recriminei-me que a culpa era minha por ter ocupado um lugar que logicamente era dela visto as poltronas serem só quatro.

Apresentámos-nos, conversámos, bebemos conhaque que amável e gentilmente a mulher do rapaz foi buscar lá dentro e por ela soube que a irmã mais nova, essa que ali se encontrava, viera para Angola para se casar com um primo em segundo grau. Ouvi desinteressado porque o que eu queria saber era sobre a outra irmã e por desgraça minha em tanto paleio nem uma palavra sobre ela foi dita.

Como ela não aparecia levantei-me para ir jantar e eles fizeram o mesmo. Levantaram-se e entraram em casa, eu fui jantar, mas como estava por de mais assoberbado pela imagem que me preenchia o todo, nada comi e voltei rapidamente para a varanda. Abençoada intuição. As duas irmãs e a cunhada delas também vieram e pude finalmente conhecê-la. Chamava-se Maria do ... e eu fui o rapaz mais feliz do mundo e cercanias por o saber pela sua boca. Durante quatro dias a cena repetiu-se; eu vinha para a varanda e ela também, às vezes a irmã fazia-lhe companhia, mas era por pouco tempo porque quase sempre lembrava-se que se esquecera disto ou daquilo por arrumar na cozinha e eu ficava sozinho ali com ela e desfrutava do Céu. E foi assim que quatro ou cinco dias depois lhe perguntei se casava comigo.

Ficou muito admirada, respondeu-me que nem sequer nos conhecíamos e eu disse-lhe que a minha alma a conhecia de toda a vida.

- Casas comigo, Maria? Juro amar-te e fazer-te feliz toda a vida.

E ela disse sim, casava mas pedia-me para lhe dar alguns dias de namoro porque nunca namorara na sua vida, e não queria ser a primeira mulher no mundo a casar primeiro e namorar depois.

Aceitei imediatamente. Estar e falar com ela e ouvi-la falar comigo era toda a minha realização. Namoros do meu tempo. Mãozinha dada, às vezes mais ousada, um beijo furtado aqui, outro oferecido ali, realização de duas almas em comunhão. Dois meses depois era e seria sempre a minha adorada mulher até trinta e sete anos depois Deus me dizer que ela já não era minha.

Amei-te quando te vi, e nos teus olhos eternamente me perdi.

 

O multibanco não está a funcionar

Milorde, 13.12.21

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Ontem foi dia de dar um passeio. Metemo-nos todos dentro do Renault e fomos até Castelo de Paiva comer a especialidade da terra, vitela e cabrito assados em forno a lenha. O caminho foi um pouco tumultuoso, curvas e mais curvas, mas as paisagens são magníficas, natureza pura.

Chegados ao restaurante fomos recebidos por um jovem empregado muito simpático que nos arranjou uma mesa ao pé da janela, num canto mais reservado e tranquilo. A Maria e o Sebastião pediram cabrito e eu, como não sou apreciador, pedi vitela assada. Para acompanhar um bom verde tinto fresco, daquele que pinta o copo e os lábios, e para mim uma coca-cola que também não sou apreciador de bebidas alcoólicas.

A comida estava deliciosa! A carne parecia manteiga de tão tenra que estava, desfazia-se ao cortar. As batatas pequeninas cheias de sabor, o arroz de forno uma maravilha e uma salada bem temperada de alface e tomate coração de boi. Pedimos sobremesa e cafés.

A real situação aconteceu depois. Pedimos a conta e foi-nos dito que para isso tínhamos que nos dirigir ao balcão porque era o dono do restaurante que tratava. O dono do restaurante, um senhor baixo e atarracado (com cara de mafioso - disse a Maria), disse-nos quanto era sem apresentar um talão. Eu como sou pessoa de conferir tudo antes de pagar pedi-lhe educadamente que queria um talão. O senhor, contrariado, lá me deu o talão com tudo descriminado. Apresentei o meu cartão multibanco para pagar e ele logo me disse:

- O multibanco não está a funcionar porque tive uma falha de internet.

Ah?! O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Posso estar a cometer um grande erro mas no tempo em que trabalhei no atendimento ao público o multibanco só precisa de bateria para funcionar, e não de internet.

Não tinha dinheiro suficiente comigo para pagar a conta. O dono do restaurante, muito prestável, lá me disse onde poderia levantar dinheiro numa caixa multibanco próxima. Fui lá a correr enquanto a Maria e o Sebastião esperavam lá dentro.

Claro que o multibanco do senhor estava a funcionar, disso não tenho a menor dúvida, mas como eu já tinha pedido um talão que ele foi obrigado a tirar, ele não quis foi pagar mais uma taxa (ou o IVA ou um imposto ou lá o que seja) e fez-me percorrer alguns quilómetros até encontrar uma caixa multibanco para lhe poder pagar. Na minha terra isto chama-se "Fuga ao fisco".

Certamente que a todos vocês isto já aconteceu, não?